sábado, 11 de outubro de 2014

Uma noite com o novo do Exodus

Eu já estou devendo um texto sobre o show do Toxic Holocaust, que rolou na quinta, mas ontem à noite fiquei lendo uns sites de metal! e acabei vendo que o Exodus disponibilizou seu novo disco, Blood in, blood out, na íntegra pros fãs terem um gostinho uns dias antes do lançamento oficial. E nos velhos tempos eu me amarrava em escrever esses posts Uma noite com..., então resolvi manter o tema do último post e tentar resgatar essa velha tradição aqui no blog.

Antes de começar, acho que vale dizer que eu não sei bem o que esperar do novo CD dos caras. Quando eles voltaram com o Steve "Zetro" Souza em 2004, com o animalesco Tempo of the damned, eu quase não acreditei de tão bom que era aquilo. Mas os álbuns seguintes, já com o novo vocalist Rob Dukes, foram bem irregulares: eu até curto o Shovel headed kill machine, mas os outros dois acho bem caídos pro padrão Exodus de qualidade, com várias músicas repetitivas e sem graça.

Será que esse novo vai estar mais pra Scar spangled banner ou Iconoclasm? Isso é o que vamos saber agora...

(aliás, achei essa capa genérica pra dedéu, vamos ver se o disco se sai melhor)

Faixa 1: Black 13
- Quem caralhinhos é Dan the Automator? Aliás, esse disco é cheio de participação, o que a princípio me parece meio suspeito (ainda mais em um disco do Exodus, uma banda que nunca teve dessas frescuradas).
- Porra, rola uma batida eletrônica aqui e um grave meio dubstep (não deve ter nada a ver com dubstep, já que eu não conheço porra nenhuma de eletrônico, mas foi o que me veio à mente agora). Que cu. Deve ser o tal do Dan fazendo a parada dele.
- O riff é meio genérico. Ah, mas agora entrou a bateria do Tom Hunting, o que sempre melhora as coisas.
- Opa! Agora sim! Isso sim é um riff a la Exodus. E a levadinha thrash do Tom Hunting é inconfundível.
- 'Darkness'! Hahahaha. A voz do Zetro não mudou nada. O que é uma boa coisa.
- 'Gonna let it riiiiiiiiiiiiiiiiiide!' Os agudinhos desse maluco são muito fodas. Apesar disso, achei o refrão meio blah. Ficou meio com cara de bridge, tinha que vir algo depois pra fuder com tudo.
- Rola um riff meio groove no meio, legalzinho mas não incrivelmente inspirado. E tá se repetindo demais. Cadê o solo, porra?
- Ah, olha o(s) solo(s) aí. Coisa fina.
- Achei uma abertura meio padrão. Legal, mas nada incrível. Mas pode fazer um estrago no show.

Faixa 2: Blood in, blood out
- Já emenda na porrada! Me lembrou a dobradinha Bonded by blood e Exodus no Another lesson in violence. Não dá nem tempo de respirar e tu já tá na desgraça de novo.
- Corinhos thrash no refrão, ah isso sim é a felicidade!
- Puta merda, essa música é insana. Retiro o que eu disse sobre a faixa anterior, essa sim deve causar um estrago no show. Já tô até imaginando a loucura da roda.
- Tô gostando tanto que nem tenho o que falar. Só: foda!
- Até guitarrinha dobrada no solo tem! Isso aqui já virou candidato a clássico, meu povo.

Faixa 3: Collateral damage
- Se tem uma coisa de que não pode acusar o Exodus, é de não ser thrash o suficiente. Esse riff de abertura tá com uma cara mais parecida com o material recente deles, mas de qualquer jeito é thrash pracaralho.
- Esse corinho do refrão meu deu uma onda meio Fabulous disaster. O que é uma coisa boa. Mas o fim é meio era Rob Dukes, o que não é tão bom assim.
- Porra, mas o refrão é bom sim. Foda-se o final, o corinho é bem contagiante. Estou com vontade de gritar isso ao vivo. O foda de ouvir os discos de estúdio do Exodus é que você imediatamente fica com vontade de ir num show deles (mesmo tendo acabar de ir em um, como é o meu caso).
- O vocal do Steve Souza é mais metal e menos muderno que o do Rob Dukes e imediatamente dá às músicas um ar mais thash tradicional, o que faz bem ao som da banda.
- Estamos indo bem até aqui!

Faixa 4: Salt the world
- Hmmm. Riffzinho me lebrou Blacklist, uma das minhas músicas favoritas do Exodus. A levada também é parecida. Maneiro.
- Ok, na verdade não é uma Blacklist, mas tô curtindo.
- Ah, o solo dessa música é de um tal de Kirk Hammet. Vamos ver se presta... achei legal, mas vale mais pela volta às origens que qualquer outra coisa.
- Pô, essa faixa tem uns belos riffs. E o que queremos num álbum de thrash? Se você pensou em belos riffs, acertou.

Faixa 5: Body harvest
- Porra, mais thrashão. Os caras pisaram fundo no acelerador e esqueceram do freio.
- Ah, o refrão dá uma parada com riff mais cadenciado e corinho. Interessante. E depois volta a desgraça (claro).
- Pô, eu curti esse refrão. Deu uma quebrada na música. Fora que (peço desculpas pela repetição) deu vontade de gritar o corinho ao vivo.
- Rola um riff meio quebrado depois do segundo refrão que é até legal, mas tá repetindo demais. O Exodus caiu nessa coisa de ficar repetindo o mesmo riff nos últimos álbuns também, o que é bem caído. Parece que os caras querem fazer música 'épica' e, em vez de se esforçar pra escrever uns riffs diferentes, decidem ficar repetindo a mesma merda indefinidamente.
- Essa música podia ser um pouco mais curta (e seria melhor), mas ainda assim eu achei legal. O refrão salva.

Faixa 6: BTK
- Mais uma que começou como cara de 'tenta ser épico'. Vamos ver no que dá.
- O riff é bem cadenciado. E o Tom Hunting continua sendo um monstro. E os caras continuam repetindo o mesmo riff mais do que devem.
- Essa também tem um quê de Blacklist. Engraçado como ela virou uma referência pra uma porrada de coisa que o Exodus gravou depois do Tempo of the damned.
- O bridge tem umas linhas vocais mais melódicas. Gostei. Terá sido isso influência do Zetro? Pelo que eu tinha lido ele mal teve influência sobre o material do álbum.
- Cadê o Chuck Billy?
- Pô, não acredito que chamaram o Chuck Billy pra isso. Porra, ele é um dos vocais mais fodas do thrash, não pode participar só com um urro de fundo. Aliás, imagina esse maluco cantando no Exodus? Imagina ele cantando Bonded by blood! Puta que pariu, meu cérebro explodiu (até rimou).
- Apesar do desperdício na participação do Chuck Billy, até que a música é bacana. E ela é grande e não enche o saco, o que é um mérito.

Faixa 7: Wrapped in the arms of rage
- Tô achando esse começo meio genérico. É foda você fazer um álbum de thrash com 11 faixas e não ter nada genérico.
- O Steve Souza começou a cantar e continua genérico. Aguardemos o refrão.
- É, o refrão também é genérico. Acho que temos o primeiro filler do CD. O que eu não entendo é nego botar filler num disco desses. Pra que 11 faixas, pra que mais de uma hora de duração? Thrash devia ser curto e grosso. Menos é mais, meu povo!
- Achei o solo legal. E só. Como eu tava falando, podia ter ficado de fora tranquilamente.

Faixa 8: My last nerve
- Mais uma que começa meio genérica. Tá mais pro estilo da era Rob Dukes, que não é exatamente a minha preferida.
- Pô, tô sem coisas pra falar sobre essa música. Mas por um motivo bem diferente da faixa-título. Enquanto a outra me deixou sem palavras no bom sentido, essa aqui só não conseguiu causar nenhum tipo de impressão. Acho que vai ganhar o prêmio não-fede-nem-cheira do álbum.
- Isso tá me lembrando aquelas faixas meio genéricas do meio do Tempo of the damned, uns troços mais groove que se não me engano eram de um outro projeto do Gary Holt que não foi pra frente.
- Bom, já são duas faixas que podiam sair numa boa sem deixar saudades.

Faixa 9: Numb
- Opa! Levadinha clássica de bateria do Tom Hunting. Tô curtindo.
- Thhhhhhrrraaaaaaaaaassshhhhhhh!
- O riff remete à (fodaça) Scar spangled banner. Isso aqui é um thrashão de primeira. Tô querendo o show (mais uma vez).
- Thhhhhhrrraaaaaaaaaassshhhhhhh!
- Até a parte mais groovada do meio é foda. É um pouco maior do que devia, mas é foda.
- Hahahaha... pura diversão! Só de imaginar a roda eu já começo a rir. Obrigado, Gary Holt! Como diria o saudoso Paul Baloff, 'you fucking rule!'

Faixa 10: Honor killings
- Mais um thrash porrada sem frescuras. Não é das mais inspiradas não, mas é um thrash porrada sem frescuras. E estamos ouvindo um disco do Exodus, então não dá pra reclamar.
- Mais uma vez, não sei muito bem o que falar. E não é nem o caso da Blood in, blood out nem da My last nerve. Essa aqui faz mais o gênero legal, mas nada de mais, daquelas que poderiam tranquilamente ser faixa bônus da edição japonesa, sabe?
- Tem riff thrash, bateria de Tom Hunting, vocalzinho gritado de Zetro, solinho aloprado... ok, você venceu. Não falarei mal de você, ok?

Faixa 11: Food for the worms
- Isso tem total nome de música-porrada-que-fecha-o-disco-do-Exodus. E essas músicas costumam ser fodas!
- Pô, começou meio lenta. Será que o Exodus não vai fechar o disco com uma música porrada? Isso seria bem triste.
- A-há! Sabia que você não me decepcionaria, Gary Holt. Aloprou a porra toda!
- Thhhhhhrrraaaaaaaaaassshhhhhhh! Aaarrrrrggghhhhhhh!
- Pô, voltou pro riff mais lento, depois voltou pra porradaria. Achei meio sem pé nem cabeça.
- Onde foi que o Tom Hunting aprendeu a fazer essas coisas? Que maluco desgraçado.
- Achei o refrão bem marromenos. Pô, e agora entrou num riff groovado parecido com a Ride the lightning do Metallica.
- Essa música é meio longa demais pra qualificar como música-porrada-que-fecha-o-disco-do-Exodus. Ela é legal, mas como encerramento do álbum achei meio decepcionante.

Acabou. Considerações finais:

No geral, até que eu curti bastante. Com certeza causou uma primeira impressão melhor que os dois últimos CDs dos caras. Como eu disse ali em cima, a volta do Zetro de cara já dá um ar mais de clássico pro som da banda. E o material é bem no estilão sem frescura que todo fã de Exodus espera. Achei as participações meio caídas (a do Chuck Billy especialmente, porque tinha muito mais potencial) e não tem nada de novo aqui (e o elemento surpresa de 'caralho, esses caras ainda conseguem fazer isso!' que deixou a volta do Steve Souza em 2004 tão foda não existe mais), mas pelo menos os caras não deixaram a peteca cair.

Acho que em termos de estilo ele ficou no meio do caminho entre o Tempo of the damned e os álbuns do Rob Dukes, o que não deixa de ser natural. Claro que podia ter menos faixas e que algumas delas podiam ser mais curtas, mas no geral eu achei divertido. E, bom, se eu fiquei com vontade de ver o Exodus ao vivo de novo é porque alguma coisa eles fizeram certo.

Blood in, blood out já está disponível nos recantos sombrios da internet!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Too old to rock and roll: too old to die!

Bom, ao contrário do que pode parecer, esse post não tem nada a ver com Jethro Tull, com o nono álbum de estúdio deles ou qualquer coisa do gênero. Quer dizer, tem sim, porque eu roubei o título do LP pro meu post, mas as semelhanças acabam por aí.

Então o que me terá feito voltar a escrever por aqui depois de (vamos ver, tenho que checar essa informação) mais de três anos? Duas coisas: o show fodaço do Exodus que rolou ontem no Circo e a triste constatação de que eu estou ficando velho pra essas coisas.

Desde a última vez que eu escrevi algo por aqui, uma coisa mudou na rotina metal do Rio: começaram a pipocar uns shows bizarros que eu nunca imaginei que fosse ver na minha vida, especialmente do ano passado pra cá. Chegamos a ter um show exlcusivo do My Dying Bride no Brasil (nem em São Paulo eles tocaram!), o que eu acho que foi o máximo da bizarrice nesse sentido. Não que eu não tenha gostado, o show foi foda (porra, eu vi The cry of mankind e From darkest skies - entre outras - ao vivo!), mas continua sendo bizarro.

Contando esses dois últimos anos, eu devo ter visto quase 30 shows de metal, e isso porque teve um bando de coisa que eu não gosto e nem pensei em ir (o último acho que foi aquele Sabaton, que eu acho bem mala) e uns que eu queria ter ido e não fui por algum motivo ou outro e depois acabei me arrependendo.

Enfim, de todas as coisas anunciadas pro fim do ano por aqui (ainda teremos Toxic Holocaust essa semana! e depois Suffocation, Cryptopsy, Behemoth, D.R.I.Destruction e talvez mais coisas de que eu esteja esquecendo), o mais esperado pra mim era justamente o show do Exodus. Primeiro, porque o show do Exodus é sempre um acontecimento, é aquele tipo de banda que sempre vai ser foda não importa o que aconteça e você vai sair do show mais fã do que você era antes. Depois porque ia rolar a volta do Steve "Zetro" Souza, que eu nunca tinha visto ao vivo, e isso também sugeria um setlist foda, cheio de clássicos.

(bizarro que hoje também tinha o Dream Theater tocando no Vivo Rio, mas como eu já enchi o saco do Petrucci e cia. faz tempo nem cogitei ir ver os caras)

Bom, até agora eu falei, falei e não disse porra nenhuma que tenha a ver com o título do post, certo? Vou chegar lá!

O fato é que eu cheguei no Circo exatamente no último riff da banda de abertura, Hatefulmurder, que é aqui do Rio. Já perdi algumas chances de ver o show deles, vou me esforçar mais na próxima oportunidade. E aí começou aquela espera meio chata, especialmente porque hoje em dia eu praticamente só vou em show sozinho. Basicamente todos os meus amigos do metal das antigas pararam de ir em show. De vez em quando eu até esbarro em uns conhecidos, mas os amigos próximos mesmo não dão mais as caras nos eventos do metal. O que me faz pensar: será que eu tô ficando velho pra essa porra?

(muito louco também é pensar que a única companhia que eu tenho tido em alguns shows é o meu chefe! que deve ter uns 10 anos a mais que eu e aparentemente tá cagando pro fato de ser velho ou não pra ir em show de metal)

Acabei esbarrando num outro conhecido do trabalho, com quem eu dividi uma cerveja e joguei conversa fora pra passar o tempo. Mas quando o show tava pra começar eu tive que ir pro meio da muvuca, porque não dá pra perder a roda de um show do Exodus...

E aí rolou aquele clima, aquele som subindo, aquela tensão generalizada e de repente tsss tsss tsss! e um dos riffs mais fodas da história da humanidade e a massa louca saiu arrastando tudo que vinha pela frente. E quando chegou a hora todo mundo cantou junto e urrou 'Bonded by blood!' e começou tudo de novo, riff, bateção de cabeça, roda insana, refrão, 'Bonded by blood!' e assim por diante, até que acabou a primeira música. E eu já estava todo fudido.

(em grande parte eu estar fudido se deve ao fato de eu ter ido no show do Napalm Death uns 10 dias antes; se eu fosse fazer uma resenha do Napalm, poderia ser só de fotos dos meus hematomas e de repente um raio-x da minha coluna, que ficou travada durante uma semana e ainda está doendo pracaralho)

Roda de show de metal é uma coisa foda demais. De um show de thrash, então! De um show do Exodus é sacanagem, uma tentação irresistível. Mas ficar com uma dor fudida nas costas e ter que se esforçar pra não andar curvado também é por demais escroto. Por isso eu acabei chegando à conclusão de que era melhor eu me poupar pras minhas músicas favoritas e não entrar na roda direto. E assim fui perdendo a grande atração da noite (como o próprio Zetro não parava de falar 'let's keep this pit going all night long!') em pedradas como Scar spangled banner e And then there were none.

(antes que alguém me critique por não colocar essas entre as minhas favoritas, é que eu já tinha visto o setlist de São Paulo e tinha umas coisas imperdíveis ainda por vir)

Um pouco depois, uma dessas favoritas veio e foi logo Metal command! Puta merda, que música foda e como ela é foda ao vivo (e como é bizarro não ter essa faixa no Another lesson in violence - um dos melhores álbuns ao vivo da história, por sinal)! Só de gritar 'bangers take a stand and obeeeeeeey the metal command!' eu perdi o que me restava de voz e de fôlego. Na sequência os malucos mandaram a Fabulous disaster, que me impressionou pela violência da roda e também pela bela porrada que eu levei na lombar, bem no lugar que estava doendo bizarramente desde o show do Napalm Death. Acho que não vou conseguir nos próximos dias.

Depois dessa, eu tive que dar uma saída da roda e repensar as coisas. Foi a minha crise da velhice. Se eu não quero ficar fudido, eu também não quero deixar de ir nos shows e nas rodas (na boa, pra ir num show desse e não ir na roda é melhor nem aparecer). Teve um momento que eu achei que já era e que eu não ia conseguir aproveitar nada e que tudo seria uma merda, tipo uma despedida melancólica.

Mas eu disse ali em cima que o Exodus ao vivo tá numa categoria à parte, não disse? Tá bom, eu não usei essas palavras, mas vocês entederam. A certa altura, os malucos emendaram uma sequência de músicas que quebrou meu estado de apatia (e também pode ter ajudado a quebrar mais um pouco do meu pescoço e a minha coluna, mas quer saber? foda-se! pelo menos por enquanto), começando pelo caos de A lesson in violence, indo pros hits Blacklist, War is my shepherd e The toxic waltz, uma série  roda insana, bate-cabeça, roda insana, bate-cabeça pra ninguém botar defeito.

Há de se abrir um parágrafo pra falar da última música tocada antes da saída pro bis: Strike of the beast, uma das músicas mais fodas da banda, foi uma desgraça total, roda sem limites e sem critério do bom senso ou da boa vontade, com gente caindo no chão e a porrada comendo. Não satisfeitos, os caras ainda organizaram um wall of death estúpido quando rola aquela passagem do riff-porrada pro riff-mais-porrada-ainda, que foi uma coisa linda de ser ver (e, claro, de participar).

Assim como o Zetro fez mais ou menos a essa altura do show, vamos parar um pouco pra exaltar a banda em si: que o Tom Hunting é um dos maiores monstros das baquetas thrash de todos os tempos, todo mundo já sabe, sem dúvida um dos bateristas mais contagiantes e sem firula (e simplesmente fodas) que eu já vi. Daria pra passar o show inteiro só observando o cara tocar, se não fosse a loucura da roda ali do lado te puxando pra alopração. O baixista Jack Gibson já provou faz tempo - desde os tempos da volta com o Baloff - que é fodão. O Lee Altus, que eu nunca tinha visto ao vivo, também é empolgadão e fez até umas piadas com o Zetro quando ele anunciou umas músicas erradas. E o que dizer do Gary Holt? O cara que simplesmente substituiu o Jeff Hannemann sem deixar a peteca cair. O cara que toca em duas das maiores bandas de thrash da história, o cara que manteve essa porra funcionando ao longo dos anos, o cara que escreveu alguns dos riffs mais fodas de que se tem notícia? Nas palavras do Zetro: 'he could be the devil'. Vai ver que é mesmo.

Bom, mas o centro das atenções da noite era o vocalista mesmo, até porque ele nunca tinha vindo tocar por essas bandas. E o Steve Souza é foda - não me entendam mal, ele é foda - mas há de se fazer uma ressalva: talvez ele seja um pouco simpático demais pro Exodus. O meu paradigma da banda sempre será o saudoso Paul Baloff no vocal e ali, maluco, não tinha espaço pra apresentar banda, pedir palminha e coisas afins. Com o Baloff era só mau humor, ofensa e desgraça. E isso era uma das coisas mais fodas da banda, sem sombra de dúvida. O Zetro é meio fofinho demais pro que eu imagino como o Exodus; perto do Baloff ele é quase meio farofa. Ele manda bem (na verdade ele é foda e eu deveria estar elogiando ele e não fazendo esforço pra achar defeito) e, porra, é até legal ele ser tão legal, mas ao mesmo tempo dá uma certa saudade do Baloff zoando o público, chamando alguém da plateia de falso ou querendo incitar o ódio contra os posers.

De qualquer jeito, a pegada mais festeira do Zetro deu ao show um lado puramente divertido que talvez não houvesse em outros tempos. Teve uma hora que nego puxou aquele corinho de 'olê, olê, olê' e os caras começaram a tocar uma versão pesada em cima da cantoria da galera, até que aquilo descambou pra um thrashão e uma roda aloprada, só com nego batendo cabeça e rindo pracaralho! Um belo retrato do clima que rolou ao longo da noite.

Bom, quando os malucos voltaram pro bis o Gary Holt veio fazendo um discurso todo doidão, cheio de amor pros fãs brasileiros e cariocas, chamando todo mundo de família e reforçando a atmosfera feliz da parada toda. Só faltou ele usar uma camisa flower power. Nisso, a banda acabou entrando numa jam tão inesperada quanto divertida. Primeiro eles mandaram Rock you like a hurricane, do Scorpions, naquela onda 'canta aí galera!', tipo Breaking the law no Rock in Rio 3. Quando chegou no refrão, já tava todo mundo cantando alto com um sorriso babaca de felicidade na cara. Sensacional. Depois o Lee Altus puxou mais um riff: Motorbreath, do Metallica! E dá-lhe roda, indo também até o primeiro refrão. A essa altura nego já tava no 'toca mais!' e os caras ainda mandaram os riffs iniciais de Phantom of the opera, do Iron Maiden, e Man on the silver mountain, do Rainbow. Pura diversão.

(posso estar errado, mas algo me diz que esse tipo de coisa não acontecia nos tempos do Paul Baloff)

Quando nego achava que eles não iam mais parar de tocar os riffs favoritos de cada um dos integrantes, eles finalmente vieram com a porrada-mor The last act of defiance, uma das músicas mais propícias pra se acabar numa roda que se pode imaginar. Puta merda, que felicidade ver isso ao vivo! Mais uma daquelas coisas que eu nunca pensei que fosse ver, agora vi e ainda não tô acreditando. Isso é sacanagem comigo! Aliás, é sacanagem com quem não ouve metal e não sabe como dá pra ser feliz levando porrada de tudo quanto é lado ouvindo uns riffs, viradas de bateria e vocais aloprados.

Depois ainda tocaram mais uma música pra fechar, Good riddance, mas sinceramente eu não tinha mais energia pra nada (a não ser que eles tocassem uma Deliver us to evil) e fiquei na minha. Mas, porra. Pra um velho até que eu me saí bem...

Conclusão: se você acha que tá muito velho pra show de metal, pra cantar que nem um retardado até fuder sua voz, bater cabeça enlouquecidamente, entrar na roda sem medo de ser feliz e coisas do gênero, vai num show do Exodus. De repente eles mostram pra você que você ainda não está velho demais pra nada disso.

Ou, como diria o Ian Anderson, 'you're never too old to rock 'n' you if you're too young to die'.

Setlist fora de ordem: Bonded by blood, And then there were none, A lesson in violence, Metal command, Piranha, Strike of the beast, Pleasures of the flesh, The last act of defiance, Fabulous disaster, The toxic waltz, Scar spangled banner, War is my shepherd, Blacklist, Children of a worthless god, Iconoclasm, Good riddance, Rock you like a hurricane (Scorpions), Motorbreath (Metallica).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sessão dessa pra melhor: Scott Columbus

Porra, o Scott Columbus morreu! Se isso tivesse acontecido há uns anos, eu teria ficado realmente bolado. Quer dizer, eu fiquei triste, pô, ele tinha um senhor bigode. Faltam no mundo de hoje bigodes tão sem-vergonha quanto aquele cultivado pelo homenageado desse post. Viveríamos em um mundo melhor se assim fosse.

Vamos ser sinceros: o cara nunca foi um baterista genial. Claro que o Joey DeMaio gostava de falar que ele era o melhor baterista de todos os tempos (de todos os tempos), mas, porra, o DeMaio fala que tudo do Manowar é melhor do que todas as outras coisas do universo, quer a comparação faça sentido ou não.

Tá certo, no início até que ele mandava bem. O sujeito entrou na banda no segundo disco, Into glory ride, aquele mesmo com a capa mais escrota de todos os tempos. Num sentido estritamente baterístico, esse deve ser o melhor álbum da banda – tem umas faixas em que ele realmente se sobressai (na Gates of Valhalla, por exemplo, ele exibe uma desenvoltura que nunca repetiu nos trabalhos subsequentes). O Sign of the hammer também tem uns bons momentos; na Mountains, por exemplo, ele faz umas coisas interessantes.

Mas o fato é que o maluco se acomodou, provavelmente pelo fato de ter o bigode mais irado de todo o mundo do metal, e aos poucos foi se tornando um dos bateristas mais burocráticos e sem imaginação que já se ouviu. Já li umas vezes que isso era mais um resultado da proposta mais simplista que o Manowar adotou a partir do Fighting the world do que por vontade dele – o que é bem possível, já que quem manda naquela porra é o Joey DeMaio e não se fala mais nisso – mas a impressão que dava era de que qualquer baterista podia tocar aquele tum-tá-tum-tá sem graça que ele fazia.

O mais bizarro é que ele conseguiu ficar mais burocrático ainda depois de sair e voltar da banda (no The triumph of steel ele foi substituído pelo grosseiro – mas igualmente sem criatividade – Rhino, retornando no Louder than hell). Nos últimos CDs, parecia que o maluco tinha perdido completamente a vontade de tocar qualquer coisa diferente daquele 4x4 mais sem graça que você consegue imaginar.

Então qual é a explicação pro cara ter ficado tanto tempo na banda? Além do bigode, claro. Tudo bem, o Manowar pode ser ridículo, mas é uma banda relativamente grande. O que dizem é que o cara era gente boa, tranquilão, o mais normalzinho e pé-no-chão da banda – tá certo que não precisa ser muito normal pra parecer normal perto do Joey DeMaio. Digamos que ele era tipo um Ringo Starr do Manowar, se vocês me permitirem a ousadia que comparar (mesmo que indiretamente) os reis do metal com os Beatles.

Fiquemos nós satisfeitos ou não com essa explicação meio esfarrapada, o fato é que o Scott Columbus era ingrediente essencial do Manowar no imaginário da galera. Como pensar na banda, nas suas poses ridículas, naquelas fotos dos malucos de pantufa e roupinhas de couro etc. sem visualizar logo um bigodão avantajado e corajoso estampando a cara daquele maluco metido a viking mal encarado? Não dá, né? Pro bem ou pro mal, ele era parte do Manowar – deve ser meio estranho ver os shows atuais dos caras, com o baterista original, Donnie Hamzik.

Sim, porque nosso amigão Columbus tinha picado a mula da banda em 2008. Talvez ele estivesse de saco cheio de fazer tum-tá-tum-tá-tum-tá por tanto tempo. Ou de repente não aguentou mais ouvir o mesmo discurso picareta pró-metal do Joey DeMaio noite após noite, durante anos. Eu também surtaria, chutava a bateria pra longe e ficava em casa com a esposa bebendo cerveja. Todo mundo tem um limite, né?

Enfim, o fato é que não temos mais Scott Columbus (e seu bigode) entre nós. E isso é motivo de grande tristeza. Pelo menos ele deve estar em Valhalla enchendo o bandulho de cerveja viking e usando seu bigode sedutor pra dar uns pegas em umas valquírias. Pelo menos é nisso que eu gosto de acreditar...

(Será que o Dio também foi pra Valhalla? Ele não era metido a viking, era? Acho que o Dio era mais metido a elfo)

Agora, sabem o que me deixou bolado de verdade? Hoje mais cedo, o Scott Columbus tava na primeira página do Globo.com! Cara, entrar no Globo.com e ver a cara do maluco e seu inapelável bigode em toda a sua glória estampados na primeira página foi muito maneiro! Não é possível que o Manowar tenha ficado tão popular assim. Porra, mas que falta de assunto preocupante, hein...?

(Scott Columbus e Monarco... dois caras fodas por motivos completamente diferentes e que eu nunca imaginei que ia ver 'juntos')

Valeu Scott! Piadas à parte, você tocou em dois dos shows mais perfeitos que eu já fui! Foda-se tudo, você era foda! Divirta-se por mim em Valhalla! Beberei uma cerveja em homenagem a você mais tarde!

PS: terá sido esse o post com maior incidência da palavra ‘bigode’ (e variações) de todos os tempos?

terça-feira, 15 de março de 2011

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma noite com o novo do Helloween

Cacete, esse blog tá parado há muito tempo. Deus me livre. Então vamos aproveitar um hiato providencial aqui nas atividades sérias e louváveis do trabalho assalariado pra escrever besteiras sobre o mundo do metal! Pra minha sorte, os alemães do Helloween me deram a desculpa perfeita pra parar de fazer o que eu deveria continuar fazendo e perder meu tempo com bobagens: a banda colocou o novo disco inteiro no myspace!

Só pra encher linguiça, vamos fazer uma ambientação, a título de introito explicativo: até onde eu sei, o último disco do Helloween, Gambling with the devil, foi um sucesso considerável entre os fãs de power metal. Pra mim, é só um disco legal, resultado de uma tentativa de resgatar os tempos mais "pesados" da era Andi Deris (Better than raw, The dark ride), mas certamente melhor do que os CDs anteriores (em particular o picaretaço Keeper III).

Então vamos ver agora se os caras decidiram apostar de vez no lado mais pesado do seu som ou se mudaram alguma coisa... com vocês, 7 sinners (ou melhor, meus comentários instantâneos a respeito dele)!

Faixa 1: Where the sinners go
- Um riffzinho meio groove, pesado abre o disco... acho que a pergunta sobre o direcionamento musical acaba de ser respondida.
- É... isso remete ao The dark ride mesmo. Pena que eu não sou muito fã daquele disco.
- Pô, não acredito que isso que eu acabei de ouvir é o refrão da música. Que coisa mais sem graça. Isso me lembrou de quando o Kiss resolveu parecer malvado e muderno (caso você esteja se perguntando, também não funcionou muito bem com eles não).
- Caraca, há quanto tempo o Helloween não abria um disco com uma música mais cadenciada? Se é que eles já fizeram isso alguma vez...
- Só pra sacanear meu comentário acima, a parte do solo é mais animadinha. Mas dura pouco.
- Bom, dá pra imaginar neguinho cantando e batendo cabeça num show, o que não é o pior dos cenários. Mas a música é meio fraquinha. Só a parte do 'sinner! sinner! sinner!' (sim, descaradamente roubada de Sinner, do Judas Priest - eles provavelmente vão dizer que é uma 'homenagem' ou coisa do gênero) dá um tchanzinho mais legal pra ela.

Faixa 2: Are you metal?
- Esse é o primeiro single do CD. Vamos ver se ele é mais alegre.
- Respondendo a minha própria pergunta: não.
- Cara, essa música tem uns tecladinhos exagerados que rivalizam com o mau gosto de um Children of Bodom da vida. Que papelão.
- Caralho, o refrão é de uma profundidade incrível: 'Are you metal? Are you metal? Are you? Are you? Are you metal? Heavy metal? Are you?' Sensacional. Quer dizer, uma merda. Bom, pelo menos tem bumbo duplo no refrão.
- Ah não... o Helloween chegou ao cúmulo de copiar o 'power metal extremo' do Dragonforce com aquele blast beat do Paraguai. Tá de sacanagem com a minha cara! Será que eles ficaram com inveja e agora querem aparecer no novo Guitar hero?
- Pô, fraquinha essa música... pra single então, nem se fala.

Faixa 3: Who is Mr. Madman?
- Falando em The dark ride, o nome dessa música me lembrou automaticamente da grande Mr. Torture. Será?
- Opa! Bumbo duplo! Mas o riff ainda é meio modernoso.
- Cara, riff stop-start. Um monte de tecladinhos safados. O que aconteceu com você, Helloween? Essa porra tá tão modernosa que me lembrou o In Flames muderno.
- Ah, finalmente um bridge/refrão maneiro. Essa é a melhor até agora (mesmo sendo muderninha), dá pra empolgar. Dá até pra fazer uma rodinha!

Faixa 4: Raise the noise
- Primeira faixa que já começa mais com cara de Helloween mesmo. Agora vamos ver se presta.
- Pô, dois minutos de música e eu ainda não fiz nenhum comentário. Deve ter alguma coisa errada comigo. Ou com essa faixa.
- Ela é legal, mas pô, meio nada-de-mais. O refrão é bacana. Mas não é assim-assim.
Pelo menos é melhor do que as duas primeiras. Boa Helloween!
- Que merda de solinho é esse? Flauta? Hahahahahaha. Ganharam pontos com esse solinho de flauta meio whatthefuck... caralho! E a coisa ainda fica melhor! Flauta dobrada com guitarra! Ó deus.
- Pô, sensacional. Fui conquistado por uma merda de um solinho de flauta (dobrado com guitarra não há quem resista). O disco está subindo no meu conceito!

Faixa 5: World of fantasy
- Tô começando a achar que aquele começo mais pesadão era fachada. Tudo bem, o disco até tem uma produção mais pesada, mas voltaram com força total as musiquinhas felizes do Helloween. O que, no caso, é uma coisa boa.
- Aliás, isso é muito nome de musiquinha feliz a la Helloween. Metal de auto-ajuda forever!
- E não é que ela faz jus ao nome? Porra, dá vontade de sair cantando o refrão. Bem bacana!
- Essa não tem flauta-dobrada-com-guitarra, mas tem guitarrinhas felizes dobradas, o que já é suficiente!
- Ahhhhh... essa coisa de subir o tom no último refrão é muito manjada! Porra! Mas tudo bem, a música é boa, esse disco tá indo por um bom caminho.

Faixa 6: Long live the king
- Nossa senhora, pros padrões da banda, isso aqui é quase metal extremo. Meio thrash o riff de abertura. Pena que depois cai num outro riff meio sem graça.
- Aliás, a melodia do vocal também é bem sem graça.
- E que merda de refrão é esse: 'Long live the kiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!' Porra, eu sempre soube que letra de metal era uma piada de mau gosto, mas também não precisava apelar.
- Essa parte dos agudinhos do Andi Deris é meio esquisitona. Sei lá, eu nunca engoli os agudinhos do Andi Deris. Ele se sai melhor naquele vocalzinho tradicional meio hard rock dele.
- Pena que desperdiçaram um riff quase-thrash bacana em uma música meio chumbrega.

Faixa 7: The smile upon the sun
- Aiaiai... o começo dessa música indica uma baladinha-pesada de Andi Deris. E elas não costumam ser lá grandes coisas.
- Poizé. Quem já ouviu uma ouviu todas. Tipo If I could fly (existe hit mais inexplicável do que esse?) ou As long as I fall. O pior é que eles sempre metem essas porras nos setlists pra dar aquele 'respiro'. Foi mal, mas eu não preciso de respiro em show de power metal.
- Acabou. Ainda bem.

Faixa 8: You stupid mankind
- Riffzinho grooveado. Ai, porra, mais tecladinhos sem-noção tipo Bodom. Pra que aqueles finlandeses fanfarrões foram inventar essa merda? E, pior!, pra que que o Helloween foi se meter a imitar isso?
- É, estamos de volta ao lado 'malvado' do disco. Banda de power metal devia ser multada quando fica querendo parecer malvada. É constrangedor pra eles e pra mim também.
- Pô, Andi Deris fazendo vocal pseudo-agressivo (meio Gollum... hahaha) é sacanagem com minha cara feia.
- O solo dessa música é maneiro. Será que é Weikath ou aquele cara ex-Freedom Call (qual é o nome mesmo dele...?), ah! Sacha Gerstner! Bom, de qualquer jeito o solo é maneiro. E provavelmente a única coisa que presta dessa faixa inteira.

Faixa 9: If a mountain could talk
- Pô, essa música tem quase sete minutos. Será que vai prestar...?
- Começou interessante... riff de metal tradicional agitado e tecladinho sem ser sem-noção. Ainda há esperanças para a humanidade!
- Não Andi Deris, colocar efeitos na sua voz não vai fazer com que ela preste. Foi mal pela sinceridade.
- O refrão não é lá grandes coisas, mas é ok. A estrutura da música é bacana e tem um instrumental bacana. Já tá melhor do que eu esperava.
- Tem umas coisas que o Weikath faz com a guitarra que faz com que qualquer música soe como Helloween. Como esse solinho que eu estou ouvindo agora. É por isso que, mesmo com aquela cara de pastel dele, aquele cigarrinho apagado nos shows e aquela cartola ridícula, ele ainda é 'o cara' da banda.
- Boa música! Ponto pra vocês, Helloween!

Faixa 10: The sage, the fool, the sinner
- Riff pesadão, mas agitado. Não sei porque, mas me deu a impressão de já ter ouvido antes. Talvez nesse próprio disco.
- É engraçado que o riff dessa música é pesadão, mas as melodias vocais são bem felizes e o refrão é meio metido a 'vamos cantar, gente!' Mas sei lá, até agora ela não me pegou não.
- Achando essa meio basicona. Mas com um pressentimento de que podem tocar isso ao vivo (acho que pelo refrão fácil de cantar).
- É, vou ficar com o 'meio basicona' mesmo.
- Esses efeitos sonoros do final são bem cafonas, hein?

Faixa 11: My sacrifice
- Tecladinho safado ataca novamente! E efeitos 'eletrônicos'! Nossa, o Helloween está mesmo muito muderno!
- Pô, mas até que esse início da música é legal.
- Ah não... porra, ninguém avisou ainda esses caras de que eles não sabem fazer refrão dramático? A coisa tava caminhando bem até a tentativa (mal sucedida) do refrão dramático.
- Tem uma bateria quebrada no bridge que é legal. Pena que ele nos leva até o refrão caído.

Faixa 12: Not yet today
- Ah não... interlúdio viajante com Andi Deris cantando bêbado no chuveiro é demais. Vem cá, pra que que banda de metal insiste em fazer interludiozinho sem propósito? Uma merda dessas funcionar é mais raro do que achar 50 reais no chão da Presidente Vargas.

Faixa 13: Far in the future
- Esse é o 'épico obrigatório' do disco. O riff grandioso do início não me deixa mentir.
- Rola uma cavalgada semi-thrash aqui. Vamos ver no que isso dá.
- Cara, esse CD tem muito teclado picareta! Pô, não rola. Tá demais, minha gente.
- Tô achando isso aqui muito forçado. Sabe quando nego mistura um monte de coisas nada a ver na mesma faixa pra ver se cola como 'progressivo' ou 'épico'? Poizé.
- É, sei lá. Meio nada a ver essa última faixa. Mas tudo bem né, todo mundo já sabe que tem que ter pelo menos um épico metido a besta a cada disco de power metal, certo?

Eu tava achando que esse disco ia seguir uma tendência mais pesada do que o Gambling with the devil (mais ou menos como foi o The dark ride depois do Better than raw), mas na verdade ele tenta é ser mais moderninho do que o anterior. Eu sinceramente achei que os caras deram uma exagerada, especialmente nos tecladinhos descarados e também em alguns momentos do tipo 'queremos ser malvados'. Esse lance de ser malvado é um grande mal do power metal contemporâneo. Fica todo mundo pagando mico com essa porra.

Mas sei lá. O disco tem seus momentos, mesmo em algumas faixas mais mudernas. Pelo menos os caras não tão (re)gravando as mesmas músicas de sempre né, o que já é um alento. Não me parece ser nenhuma grande obra relevante na discografia da banda, mas pelo menos não faz vergonha como outras bandas grandes por aí...

7 sinners sai dia 9 de novembro!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dia internacional do SLAAAYYYEEERRR!

Que o heavy metal é cheio de coisas idiotas, acho que todo mundo já tá careca de saber. Alias, são muitas dessas coisas idiotas que fazem o metal ser tão sensacional. Lembro que um tempo atrás tinha uma galera que queria oficializar o heavy metal como religão ou coisa parecida!

Pois bem, hoje eu descobri um movimento que exige a criação de um feriado para o heavy metal no dia 6 de junho: o dia internacional do Slayer!

A coisa toda começou há quatro anos, em 2006 (06/06/06, saca?) como uma espécie de ataque ao 'dia nacional da oração' nos Estados Unidos (national day of prayer pra eles), que é comemorado em toda primeira quinta-feira de junho. Se o 666 foi coincidência ou não, o fato é que a coisa deve ter pegado, já que foi convocada mais uma celebração do dia do Slayer pelos fãs e pela banda através da internet!

(como é que eu não soube dessa porra antes?!?)

A tal celebração se dá através do que os seguidores do movimento chamam de 'slay-outs', que consistem simplesmente em ouvir músicas do Slayer o mais alto que você puder, de preferência em lugares públicos. Tipo na rua, em casa ou no trabalho (tá, esse ano isso fica meio difícil, já que cai no domingo, mas esse é o espírito da coisa). E tem que ser alto, porra! Ouvir Slayer com fone de ouvido é considerado como uma ofensa!

Eu só acho que deveriam adicionar como obrigação que, ao acordar, o discípulo do Slayer coloque sua cabeça pra fora de janela e grite com seu melhor vocal gutural: SLAAAYYYEEERRRR!!! Seria tipo a oração, o mantra, o grito de guerra da parada.

O guitarrista Kerry King comentou sobre a iniciativa (em tradução livre): "O Slayer deveria ter um feriado nacional - já existem feriados idiotas o bastante por aí, então porque não ter um nosso?"

É, pensando desse jeito, até que faz sentido... o fato é que ouvirei Slayer em alto e bom som no domingo! Quem puder faça o mesmo!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Show de metal... no cinema?

Uns meses atrás, foi anunciado o show que era sonho de consumo de grande parte da comunidade headbanger internacional: a primeira apresentação conjunta do chamado 'big four' do thrash. Ironicamente, o show não foi agendado para os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha ou outras terras igualmente relevantes quando se fala de metal, mas na Bulgária!

A noite com Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax subindo ao mesmo palco deve ter transformado a cidade de Sofia em improvável atração turística pra muita gente, que vai chegar lá na Bulgária só pra ver de perto como vai ser o tão esperado grande evento.

Pois bem, há umas semanas foi divulgado que o seria transmitido ao vivo via satélite pra salas de cinema em vários lugares do mundo. E agora está confirmado: o Brasil está na lista! Graças ao sensacional Moviemobz, o festival vai ser exibido por aqui em tempo real em salas de cinema com equipamento de projeção digital.

Ãããã... só que eu não sei muito bem se eu fico feliz com isso ou se simplesmente ignoro a novidade e leio a próxima fofoca postada nos whiplash/blabbermouth da vida. Tá bom, é legal saber que os brasileiros que quiserem ver o show vão ter o gostinho e tal (mesmo que seja à distância), mas será que a experiência vale a pena? Será que compensa ir até o cinema pra ver um show de metal?

Por um lado, eu fico pensando 'porra! vai ser a coisa mais irada do mundo! neguinho levantando das cadeiras e cantando as músicas na sala do cinema como nos tempos da chanchada' etc. e tal. Realmente, se isso acontecer, vai ser impagável. Isso me lembra quando o Odeon (sala de cinema mais irado do Rio, pra quem não conhece) passou os jogos da Copa de 2006. Eu fui ver dois jogos da seleção lá (4 a 1 no Japão e a derrota pra França nas quartas) e foi genial. A galera gritando, torcendo, comemorando gol, xingando jogador e juiz, era o mais próximo de estar na Alemanha que um brasileiro sem dinheiro e passaporte poderia conseguir. E o ingresso nem era muito caro, se não me falha a memória.

Por outro lado, rola uma inevitável desconfiança. Primeiro, ver show ao vivo na TV ou gravado em DVD nunca teve muita graça pra mim. A menos que seja daquelas bandas que você nunca viu e nunca vai ter a oportunidade de ver na vida (o que obviamente não é o caso de nenhuma dessas quatro), pra mim é meio tempo jogado fora. Claro que, pra quem gosta desse tipo de coisa, já de cara parece ser algo que vale a pena conferir.

Depois, por mais que eu gostasse de acreditar no contrário, eu não acho que vai rolar algo de realmente surpreendente nesses shows. Tipo alguma jam inesperada, Dave Mustaine tocando com o Metallica, a cabeçada toda no palco homenageando o Dio ou coisa do gênero.

(mas também se neguinho reviver a época dessa foto no show vai ser por demais histórico)

Claro, a possibilidade até existe (é meio remota, mas existe), só que eu não acho que esses burros-velhos do metal tenham mais o espírito jovial e espontâneo pra pensar em dar esse gostinho pros fãs. Por isso, a coisa de ver 'ao vivo', no sentido de testemunhar o que acontece em outro canto do mundo com uma distância de tempo ridiculamente desprezível, perde um pouco da graça. Até porque cada um vai poder baixar isso da internet daqui a uns anos, ou comprar o blu-ray, o que for da sua preferência individual.

Outra coisa que me preocupa é o horário. Que horas será que vai começar essa porra? A diferença daqui pra Sofia deve ser o que... umas 7 horas? Mais? A que horas neguinho vai ter que chegar no cinema, nove da manhã? Meio difícil se empolgar pra fazer rodinha e urrar Angel of death às 11 da manhã, depois de tomar café da manhã, mas tudo bem.

Depois, quanto tempo vai durar essa 'sessão'? São quatro shows, de bandas grandes... quanto tempo vai durar cada um? E a porra toda? Será que nego aguenta ficar, digamos, seis horas enfurnado dentro de uma sala cheio de nego feio e fedido até a última nota do show do Metallica? Aliás, será que todo mundo fica até o show o Metallica ou vão embora depois do Slayer chamando o Lars de vendido, o Kirk de viado e o James de acabado?

É quanto será que vai custar o ingresso? Será que vai valer a pena? Eu fico pensando no quanto eu gastaria pra ver um show ao vivo no cinema. Porra, essa história toda tá me fazendo pensar demais, não tô acostumado com isso não.

E o pior é que, mesmo com todas essas questões, eu ainda fico na dúvida se eu iria nisso ou não. Por um lado, eu fico pensando que eu, como fã de metal que se preza, simplesmente tenho que ir nessa merda, pelo simples fato de que eu preciso ver se isso vai dar certo ou não. Por outro, não sei se eu tenho a disposição de gastar um dindin e horas e horas pra 'ir' num show via cinema. Sem contar que a chance de dar errado e a parada ser muito ridícula é enorme. Tá, eu sei que ser ridículo pode ser uma vantagem, então esquece essa parte.

Ainda assim, acho que a minha grande pergunta que não quer calar é 'será que essa porra passa no Rio?', porque eu não vou pra São Paulo ver show no cinema nem fudendo.

No fim das contas, acho que o sucesso ou o fracasso da parada está nas mãos do público. Se nego lotar a sala, se empolgar, agitar, cantar, subir nas cadeiras, fizer rodinha no saguão de entrada da sala e ouvir o bom e velho metal com empolgação, tá valendo. Se for pra ficar sentadinho vendo os shows, vai ser uma merda.

E aí... será que eu vou nessa merda ou fico em casa...?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sessão dessa pra melhor: Dio

Ok, eu sei que a notícia é velha, mas não dá pra deixar de comentar.

Eu tava viajando de férias quando parei em um cyber café e pensei 'deixa eu olhar as novidades do metal' e estava lá: o Dio morreu!

Porra, o Dio! O cara que imortalizou os chifrinhos do demo como símbolo-mor do metal, uma das vozes mais perfeitas da história do gênero, um dos frontmen mais feiosos e baixinhos de todos os tempos. Que vacilo federal.

(além disso, como se pode ver acima, o cara um nerd de marca maior... ele é o grande fundador do metal nerd!)

Tudo bem que isso não tenha sido exatamente a grande surpresa do ano, já que o cara vinha enfrentando um câncer de estômago há uns meses (além disso, ele não era exatamente um rapaz na flor da idade, com seus 67 anos - o cara era mais velho que a minha mãe e cantava metal! quão foda é isso?). Claro que todo mundo tava torcendo pelo cara, mas não dá pra dizer que a morte dele tenha sido totalmente inesperada.

Pra mim, o mais estranho da ida do cara pro além é que, mesmo que eu não possa dizer que eu tenha uma relação muito longa e/ou profunda com a música dele, eu não consegui deixar de ficar boladão e mandar emails/comentar na hora com quem estivesse online no gtalk.

(o cara era tão metal que, em vez de dar um tchauzinho, ele se despediu do mundo material com um moloch!)

Quando eu comecei a ouvir rock pesado e metal, eu não era exatamente um fã das bandas mais antigas, tipo anos 70, Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple e essas porras (blasfêmia!). Na verdade, à exceção do Judas, eu achava isso tudo meio chato - meu negócio era metalzão anos 80. Por isso, durante muitos anos eu nunca prestei muita atenção no Dio. Até hoje não dá pra dizer que eu conheça a carreira do maluco: nunca ouvi Elf, de Rainbow só conheço umas três ou quatro músicas (heresia!) e só fui ouvir Sabbath e a carreira solo do cara com calma recentemente.

Meu primeiro contato com ele foi ouvindo o The last in line, que aliás é um belo disco (e meu preferido da fase solo) - de cara, a tradicional dobradinha abertura-agitada We rock e mais-trabalhada-com-introdução-acústica faixa-título me cativaram. O pior é que, por incrível que possa parecer pra qualquer um com um mínimo de noção das coisas, na época a voz estupidamente foda do cara não me chamou muito a atenção! Vai entender. E quando meus amigos começaram a falar que o Holy diver era melhor que cerveja gelada eu ouvi, não achei nada de mais e esqueci o Dio de vez (isso eu credito em parte à Rainbow in the dark, que eu até hoje acho uma música meio mala e superestimada pracaceta).

Por essas e outras, eu não fui a nenhum dos inúmeros shows que o cara fez aqui no Brasil (e no Rio!) ao longo desses anos. Quão idiota eu sou?

(Dio diz: você é um verdadeiro manézão!)

O que me fez repensar minha posição desinteressada em relação ao baixinho mais emblemático do metal foi o RYM: fui olhar umas recomendações de discos por lá e, de uma tacada só, tinha Dio e Black Sabbath na lista. E aí eu decidir dar início à longa (e, em alguns momentos, ingrata) missão de ouvir a discografia inteira das duas bandas.

Nessa viagem, ouvir o Heaven and hell inteiro pela primeira vez foi uma verdadeira revelação. Caralho! Que CD estralhaçador de ideias adolescentes idiotas como nunca antes houve! Um clássico absoluto de metal, melhor disco da banda tranquilamente pra mim. Claro que, em se tratando de Black Sabbath, a gente nunca pode desconsiderar a fodeza inatingível dos riffs do Tony Iommi, mas grande parte do encantamento do álbum está na voz do Dio. O maluco cantando a faixa-título é um daqueles momentos eternos do metal que justificam todas as coisas idiotas do gênero.

(o Mob rules também é bom... mas, porra!, o Heaven and hell é por demais arregaçador)

A parte da carreira solo foi mais complicada, já que ali só se salvam mesmo os dois primeiros discos. Sim, o Holy diver é muito bom e o The last in line tão empolgante quanto eu lembrava dos tempos remotos. Mas o resto (pode colocar aí junto o Dehumanizer, puta discozinho superestimado da porra)... difícil de engolir. De qualquer jeito, é aquela velha história: você lembra no maluco cantando nos tempos áureos e já basta pra desculpar os erros da estrada da vida.

Como todo mundo sabe, mais recentemente o cara voltou a juntar forças com o pessoal do Sabbath, adotando o nome mais-que-óbvio Heaven and Hell. Pra justificar os shows, eles lançaram um disco fraquinho, fraquinho chamado The devil you know.

Mais uma ótima oportunidade pra eu demonstrar a falta de noção e a burrice eterna implícitas à minha pessoa, já que a banda veio no Brasil/Rio pra fazer shows... e eu não fui. E agora obviamente nunca vou poder testemunhar o Dio ao vivo (dizem por aí que o cara era incrivelmente fodaço no palco, mas eu nunca saberei ao certo).

O fato é que o maluco é uma lenda - e pra mim já basta ter cantando tão fodamente no Heaven and hell pra sustentar essa reputação.

O mais perto que eu cheguei de alguma sensação de 'proximidade' com o Dio foi vendo aquele documentário manjadão Metal - a headbanger's journey, em que ele dá várias entrevistas e explica o sentido do chifrinho (segundo ele, não tem nada a ver com o tranca-rua; é pra espantar o mau olhado ou coisa do gênero). Ali, ele parecia sustentar os inúmeros depoimentos que rolaram nos útlimos dias vindos de músicos consagrados, de que era um cara gente finíssima - pra além da sua importância no metal, como vocalista, músico e, talvez mais importante, um dos criadores daquilo que se entende por heavy metal hoje.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O inferno não é assim tão feio

Cara... é impressão minha ou 2010 está se desenhando como um ano absurdamente ridículo em termos de shows? Digo, ridículo num sentido positivo, gostaria-que-a-vida-fosse-assim-mais-ridícula. Porque, puta merda! Tá foda. Muito show bom (e até uns inéditos!) rolando, até aqui no Rio!

Se não me engano, foi no busão da excursão pra devastação que foi o Iced Earth em São Paulo que eu recebi a notícia de que era possível que rolasse o show do Marduk aqui no Rio (inicialmente a banda - mais uma vez - viria ao Brasil e não passaria na cidade maravilhosa). Tudo bem, não que eu seja assim um grandessíssimo fã dos suecos, mas porra!, é o tipo de coisa que não dá pra deixar passar. A princípio, parece que a coisa ia rolar no cenário apropriadamente apocalíptico do Clube Recreativo Caxiense, palco daquele imortal show do Mayhem, mas acabou que o ponto foi transferido pro muito mais bem localizado Teatro Odisseia. Que, por sua vez, recebeu o Municipal Waste uns meses atrás (e eu não pude ir! merda!).

O Marduk foi uma banda que eu conheci razoavelmente cedo nas minhas explorações metálicas mais extremas. Nunca me esquecerei da primeira música da banda que eu ouvi, na coletânea World domination II: Darkness it shall be, uma verdadeira demonstração de caos sonoro (ainda mais pra um muleque de 17 anos), com um sinistro bumbo duplo incessante durante os quase cinco minutos de duração. Apesar de admirar a propensão para destruição dos caras, não era propriamente algo que me cativava na época, então meu contato com a banda parou numas ouvidas rápidas no Nightwing (Slay the nazarene! muito foda!) e no clássico imeditado Panzer division Marduk nos tempos dos seus respectivos lançamentos.

De qualquer jeito, mais ou menos como aconteceu com o Mayhem, a possibilidade de ver um show dos caras pertinho de casa era irresistível. Não tinha como não descambar pra Lapa em pleno domingão, último dia de férias. O problema é que a porra do Teatro Odisseia não entende merda nenhuma de show (muito menos de metal) e divulga uns horários de início completamente esdrúxulos (cinco horas da tarde?!? foi por essas - e outras - que eu perdi o Municipal Waste!). Resultado: cheguei lá e ainda rolava a primeira banda de abertura. E nem sinal de conhecidos, apesar de a vizinhança estar cheia de cabeludos vestindo camisas pretas.

(isso porque ali do lado, na Fundição, estava pra começar o show do Epica... cara, dois shows de metal no Rio no mesmo dia já é demais, mas praticamente no mesmo quarteirão parece piada! ainda bem que eu não gosto desses góticos safados com mulherzinha cantando, senão provavelmente ficaria puto)

Bom, o fato é que eu tive que ficar um tempão zanzando por lá sem ter o que fazer, até finalmente encontrar umas pessoas e, depois de enrolar um pouco sempre com aquela latinha de suco de cevada à mão, entrei pra ver o que era um show do Marduk. A casa já estava cheia (sempre bom!) e meu timing se demonstrou bastante justo, já que, depois de entornar mais um choppinho camarada, começou a emanar uma musiquinha metida a assustadora das caixas de som...

Pois bem, os caras subiram no palco e pá! Blast beats ensandecidos, riffs gélidos e vocais rasgados começaram a soar pela casa, mais acostumada a sambinhas e pop/rockinhos indie-alternativos. Lá de trás, onde eu estava (estrategicamente posicionado ao lado do bar), já dava pra ver os primeiros movimentos de uma animada rodinha. Música legal, ok, mas porra, podia ser qualquer uma do Panzer division (que eu tinha passado a semana anterior escutando em preparação psicológica). O problema do Marduk é que eles se fizeram (principalmente nesse disco) com a imagem de 'banda mais porradeira do black metal', só que a desgraça deles fica nesse rame-rame de bateria repetitiva com uns riffs que até são bacanas, mas todos muito iguais aos que vieram antes.

Só pra contrariar meu pensamento, os caras atacaram na sequência com uma música que tinha um riff diferente daquele clima tátátátátátátátátátá. A tal música (que depois eu fui ver e se chamava On darkened wings, do disco Those of the unlight) deu uma quebrada e me fez imaginar se veríamos alguma variação no repertório. Tudo bem, ponto pra eles. Na sequência, a faixa Panzer division Marduk, um verdadeiro clássico, resgatou o clima do início, que dali em diante se manteve por 90% da noite. Pra se ter uma noção da coisa, essa foi a única música que eu reconheci em todo o show! Não que eu conhecesse grande parte do repertório, mas tudo bem.

A essa altura, o meu 'medo' em relação aos shows de black metal kult da vida se confirmava: o que fazer exatamente com seu corpo enquanto tocam aquelas músicas esporrentas e monolíticas? Não é um estilo de música, digamos, muito animado que faça você bater cabeça, cantar a plenos pulmões ou erguer seus punhos no ar. No fim das contas, o blackzão cru é muito contemplativo pro ambiente ao vivo... a menos que você tenha coragem de ir pra roda. E, inspirado pelo fim da clássica Panzer division, foi o que eu fiz.

Eu tenho que confessar que estava com um certo receio de entrar na roda. Depois do que eu vi (e senti) no show do Mayhem, não dava pra não ter um pé atras. Por outro lado, o clima dessa vez parecia bem mais inofensivo, mais sóbrio, mais 'correto'. Tudo bem, os caras podem ter escrito músicas com títulos como Fistfucking god's planet e Christraping black metal (essa é foda, por sinal!), e lançado aquele lendário EP Fuck me Jesus, mas no fim das contas tudo parece um pouco pensado demais, calculado demais, sem a espontaneidade que dá o caráter assustador e monstruoso às bandas verdadeiramente ameaçadoras.

E a roda, no fim das contas, era um retrato perfeito disso. Fora um babaca que ficava na beira da roda literalmente descontando suas frustrações nas costas dos outros, o pessoal estava totalmente tranquilo, ajudando quem caía, agitando com vontade, mas sempre no limite do aceitável. Claro que a roda era divertida e empolgada, mas era inevitável a sensação de surpresa por aquilo ser um tanto inofensivo demais. A música que tocava era desgraçada, o que incitava alguns movimentos mais bruscos, mas nada que fosse verdadeiramente violento. Igualzinho à banda que estava em cima do palco.

Os caras do Marduk, por sinal, até que mandam bem ao vivo. O som estava surpreendentemente limpo (o que pode ter ajudado no clima 'black metal família' da coisa toda) e dava pra ver/ouvir que os caras seguravam bem as pontas. Apesar do espaço limitadíssimo no palco, eles agitavam bastante, o frontman Mortuus comandava os presentes com algum carisma e o guitarrista e líder Morgan Håkansson era tranquilamente a figura mais cativante no palco. Pouco se viu do baterista Lars Broddesson, que tocava encoberto pelos seus companheiros e o baixista Magnus "Devo" Andersson era a figura mais estranha, já que parecia quase feliz tocando toda aquela desgraceira.

Só que a natureza repetitiva das músicas, aliada à falta de, digamos, mobilidade proporcionada pelo black metal, acabaram deixando o show um pouco cansativo. Não é à toa que eu parei pra tirar fotos. Pra se ter ideia, mais pro fim da noite os malucos meteram a mais-que-clássica Baptism by fire, que deveria ser evidentemente um dos destaques da noite, e eu nem reconheci ela, de tanto que uma música parecia apenas uma extensão da anterior (a essa hora eu já tinha abandonado a roda e tinha perdido parte do interesse pelo show em si).

Só de sacanagem com a minha cara, o Marduk tocou na sequência uma música que eu não conhecia, mas que foi tranquilamente a mais foda da noite: Wolves, com um riff meio-punk, lembrando as origens cruas do black metal norueguês com grande estilo - e rendendo a roda mais aloprada do show. Provavelmente não por coincidência, essa faixa também está no Those of the unlight. Algo me diz que tenho que ouvir esse CD!

Depois dessa, os caras saíram do palco... e, infelizmente, voltaram pra tocar mais uma música que, pros meus ouvidos, poderia ser qualquer outra que eles tocaram na noite. Como final, foi meio anticlimático, seria bem melhor ter terminado com a anterior. Ou com as já citadas, nunca esquecidas, Darkness it shall be e Slay the nazarene. Bom, não se pode ganhar todas.

Saindo do Teatro Odisseia, minha sensação em relação ao show era conflitante. Por um lado, foi obviamente legal de ter ido lá. A roda foi boa, algumas músicas chamaram a atenção (Those of the unlight!), os caras mandam razoavelmente bem em cima do palco e foi legal testemunhar um show de metal desgraçado, como quase nunca rola aqui no Rio. Além do mais, era perto de casa e o ingresso não era exatamente caro.

Mas porra. Pra quem esperava ver algo verdadeiramente infernal e desgraçado, não tem como não ficar aquela pontinha de decepção de ficar metade do show na roda e não ter levado nem um mísero roxinho pra casa...

Setlist fora de ordem:
Still fucking dead (here's no peace), Wolves, On darkened wings, Materialized in stone, Beyond the grace of god, Panzer division Marduk, Baptism by fire, Azrael, With Satan and victorious weapons, Throne of rats, Steel inferno, The levelling dust, Into utter madness, Phosphorous redeemer, To redirect perdition.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Porque o Paulo Miklos é (e sempre foi) o Titã mais foda

Vou confessar uma coisa: eu sempre fui o maior fãzinho de Titãs. Quando eu tinha uns sete, oito anos, por aí, eu dizia pra todo mundo que era a minha banda preferida e me divertia quando meus pais não entendiam como alguém podia gostar daquela banda 'pesada' e 'politicamente incorreta'.

Pra um muleque dessa idade, minha impressão era de que eles eram a banda mais pesada do planeta e, não sei como cheguei a essa conclusão, de que tinham a maior discografia do mundo (um tempo depois eu passei a achar que o Iron Maiden tinha mais discos do que qualquer outra banda do universo).

Enfim, o fato é que eu nunca deixei de gostar da banda. Até quando eles lançaram o popzinho descarado Domingo, fase em que eu já estava caminhando a passos largos pra ouvir só metal, eu ainda gostava deles. A única fase que me irritou de verdade foi aquela Acústico/Volume dois/As dez mais (quiçá o pior disco de covers da história), porque, puta merda!, aquilo era por demais vergonhoso. De qualquer jeito, eles sempre ficaram tranquilamente como a minha preferida da onda de rock brasileiro dos anos 80.

Depois de ficar mais velho e ter um pouco mais de noção das coisas eu pude ver que os caras não eram nem de perto a mais pesada das bandas, nem aquela com mais álbuns. E, ouvindo e reouvindo os discos, cheguei à conclusão de que meu Titã preferido era o Paulo Miklos. Talvez não como compositor, mas certamente como vocalista. A voz mais rasgada e forte do maluco se destacava na banda, às vezes transformando músicas medianas em verdadeiros clássicos. E, porra, o cara cantava Bichos escrotos! Não dá pra ser mais foda do que isso.

Uns anos depois, eu ainda pude ficar mais fã ainda do maluco ao ver o filmaço O invasor, do Beto Brant, em que ele estreou magistralmente como ator. O filme é animal e a atuação do cara uma revelação. Recomendo pra qualquer um que esteja lendo isso aqui.

(vejam esse filme, porra! senão perseguirei vocês com minha cara de malvado!)

E não é que agora o cara conseguiu fazer uma coisa que me tornou ainda mais seu fã? E o pior é que ele não precisou mais do que vestir uma roupa... não que eu seja muito ligado nessas coisas de indumentária, moda e afins, mas porra, nesse caso é o tipo de coisa que não dá pra não achar irado:

O Paulo Miklos é fã de Manowar!

Cara, isso é bom demais. Porque os Titãs não alopram de vez e mandam um cover de Blood of my enemies, Fightning the world ou Kings of metal? Isso era capaz até de fazer aquela merda daquele As dez mais se salvar... ou então dar alguma graça pros últimos discos da banda, que são pra lá de ruinzinhos.