terça-feira, 5 de abril de 2011

Sessão dessa pra melhor: Scott Columbus

Porra, o Scott Columbus morreu! Se isso tivesse acontecido há uns anos, eu teria ficado realmente bolado. Quer dizer, eu fiquei triste, pô, ele tinha um senhor bigode. Faltam no mundo de hoje bigodes tão sem-vergonha quanto aquele cultivado pelo homenageado desse post. Viveríamos em um mundo melhor se assim fosse.

Vamos ser sinceros: o cara nunca foi um baterista genial. Claro que o Joey DeMaio gostava de falar que ele era o melhor baterista de todos os tempos (de todos os tempos), mas, porra, o DeMaio fala que tudo do Manowar é melhor do que todas as outras coisas do universo, quer a comparação faça sentido ou não.

Tá certo, no início até que ele mandava bem. O sujeito entrou na banda no segundo disco, Into glory ride, aquele mesmo com a capa mais escrota de todos os tempos. Num sentido estritamente baterístico, esse deve ser o melhor álbum da banda – tem umas faixas em que ele realmente se sobressai (na Gates of Valhalla, por exemplo, ele exibe uma desenvoltura que nunca repetiu nos trabalhos subsequentes). O Sign of the hammer também tem uns bons momentos; na Mountains, por exemplo, ele faz umas coisas interessantes.

Mas o fato é que o maluco se acomodou, provavelmente pelo fato de ter o bigode mais irado de todo o mundo do metal, e aos poucos foi se tornando um dos bateristas mais burocráticos e sem imaginação que já se ouviu. Já li umas vezes que isso era mais um resultado da proposta mais simplista que o Manowar adotou a partir do Fighting the world do que por vontade dele – o que é bem possível, já que quem manda naquela porra é o Joey DeMaio e não se fala mais nisso – mas a impressão que dava era de que qualquer baterista podia tocar aquele tum-tá-tum-tá sem graça que ele fazia.

O mais bizarro é que ele conseguiu ficar mais burocrático ainda depois de sair e voltar da banda (no The triumph of steel ele foi substituído pelo grosseiro – mas igualmente sem criatividade – Rhino, retornando no Louder than hell). Nos últimos CDs, parecia que o maluco tinha perdido completamente a vontade de tocar qualquer coisa diferente daquele 4x4 mais sem graça que você consegue imaginar.

Então qual é a explicação pro cara ter ficado tanto tempo na banda? Além do bigode, claro. Tudo bem, o Manowar pode ser ridículo, mas é uma banda relativamente grande. O que dizem é que o cara era gente boa, tranquilão, o mais normalzinho e pé-no-chão da banda – tá certo que não precisa ser muito normal pra parecer normal perto do Joey DeMaio. Digamos que ele era tipo um Ringo Starr do Manowar, se vocês me permitirem a ousadia que comparar (mesmo que indiretamente) os reis do metal com os Beatles.

Fiquemos nós satisfeitos ou não com essa explicação meio esfarrapada, o fato é que o Scott Columbus era ingrediente essencial do Manowar no imaginário da galera. Como pensar na banda, nas suas poses ridículas, naquelas fotos dos malucos de pantufa e roupinhas de couro etc. sem visualizar logo um bigodão avantajado e corajoso estampando a cara daquele maluco metido a viking mal encarado? Não dá, né? Pro bem ou pro mal, ele era parte do Manowar – deve ser meio estranho ver os shows atuais dos caras, com o baterista original, Donnie Hamzik.

Sim, porque nosso amigão Columbus tinha picado a mula da banda em 2008. Talvez ele estivesse de saco cheio de fazer tum-tá-tum-tá-tum-tá por tanto tempo. Ou de repente não aguentou mais ouvir o mesmo discurso picareta pró-metal do Joey DeMaio noite após noite, durante anos. Eu também surtaria, chutava a bateria pra longe e ficava em casa com a esposa bebendo cerveja. Todo mundo tem um limite, né?

Enfim, o fato é que não temos mais Scott Columbus (e seu bigode) entre nós. E isso é motivo de grande tristeza. Pelo menos ele deve estar em Valhalla enchendo o bandulho de cerveja viking e usando seu bigode sedutor pra dar uns pegas em umas valquírias. Pelo menos é nisso que eu gosto de acreditar...

(Será que o Dio também foi pra Valhalla? Ele não era metido a viking, era? Acho que o Dio era mais metido a elfo)

Agora, sabem o que me deixou bolado de verdade? Hoje mais cedo, o Scott Columbus tava na primeira página do Globo.com! Cara, entrar no Globo.com e ver a cara do maluco e seu inapelável bigode em toda a sua glória estampados na primeira página foi muito maneiro! Não é possível que o Manowar tenha ficado tão popular assim. Porra, mas que falta de assunto preocupante, hein...?

(Scott Columbus e Monarco... dois caras fodas por motivos completamente diferentes e que eu nunca imaginei que ia ver 'juntos')

Valeu Scott! Piadas à parte, você tocou em dois dos shows mais perfeitos que eu já fui! Foda-se tudo, você era foda! Divirta-se por mim em Valhalla! Beberei uma cerveja em homenagem a você mais tarde!

PS: terá sido esse o post com maior incidência da palavra ‘bigode’ (e variações) de todos os tempos?

terça-feira, 15 de março de 2011

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma noite com o novo do Helloween

Cacete, esse blog tá parado há muito tempo. Deus me livre. Então vamos aproveitar um hiato providencial aqui nas atividades sérias e louváveis do trabalho assalariado pra escrever besteiras sobre o mundo do metal! Pra minha sorte, os alemães do Helloween me deram a desculpa perfeita pra parar de fazer o que eu deveria continuar fazendo e perder meu tempo com bobagens: a banda colocou o novo disco inteiro no myspace!

Só pra encher linguiça, vamos fazer uma ambientação, a título de introito explicativo: até onde eu sei, o último disco do Helloween, Gambling with the devil, foi um sucesso considerável entre os fãs de power metal. Pra mim, é só um disco legal, resultado de uma tentativa de resgatar os tempos mais "pesados" da era Andi Deris (Better than raw, The dark ride), mas certamente melhor do que os CDs anteriores (em particular o picaretaço Keeper III).

Então vamos ver agora se os caras decidiram apostar de vez no lado mais pesado do seu som ou se mudaram alguma coisa... com vocês, 7 sinners (ou melhor, meus comentários instantâneos a respeito dele)!

Faixa 1: Where the sinners go
- Um riffzinho meio groove, pesado abre o disco... acho que a pergunta sobre o direcionamento musical acaba de ser respondida.
- É... isso remete ao The dark ride mesmo. Pena que eu não sou muito fã daquele disco.
- Pô, não acredito que isso que eu acabei de ouvir é o refrão da música. Que coisa mais sem graça. Isso me lembrou de quando o Kiss resolveu parecer malvado e muderno (caso você esteja se perguntando, também não funcionou muito bem com eles não).
- Caraca, há quanto tempo o Helloween não abria um disco com uma música mais cadenciada? Se é que eles já fizeram isso alguma vez...
- Só pra sacanear meu comentário acima, a parte do solo é mais animadinha. Mas dura pouco.
- Bom, dá pra imaginar neguinho cantando e batendo cabeça num show, o que não é o pior dos cenários. Mas a música é meio fraquinha. Só a parte do 'sinner! sinner! sinner!' (sim, descaradamente roubada de Sinner, do Judas Priest - eles provavelmente vão dizer que é uma 'homenagem' ou coisa do gênero) dá um tchanzinho mais legal pra ela.

Faixa 2: Are you metal?
- Esse é o primeiro single do CD. Vamos ver se ele é mais alegre.
- Respondendo a minha própria pergunta: não.
- Cara, essa música tem uns tecladinhos exagerados que rivalizam com o mau gosto de um Children of Bodom da vida. Que papelão.
- Caralho, o refrão é de uma profundidade incrível: 'Are you metal? Are you metal? Are you? Are you? Are you metal? Heavy metal? Are you?' Sensacional. Quer dizer, uma merda. Bom, pelo menos tem bumbo duplo no refrão.
- Ah não... o Helloween chegou ao cúmulo de copiar o 'power metal extremo' do Dragonforce com aquele blast beat do Paraguai. Tá de sacanagem com a minha cara! Será que eles ficaram com inveja e agora querem aparecer no novo Guitar hero?
- Pô, fraquinha essa música... pra single então, nem se fala.

Faixa 3: Who is Mr. Madman?
- Falando em The dark ride, o nome dessa música me lembrou automaticamente da grande Mr. Torture. Será?
- Opa! Bumbo duplo! Mas o riff ainda é meio modernoso.
- Cara, riff stop-start. Um monte de tecladinhos safados. O que aconteceu com você, Helloween? Essa porra tá tão modernosa que me lembrou o In Flames muderno.
- Ah, finalmente um bridge/refrão maneiro. Essa é a melhor até agora (mesmo sendo muderninha), dá pra empolgar. Dá até pra fazer uma rodinha!

Faixa 4: Raise the noise
- Primeira faixa que já começa mais com cara de Helloween mesmo. Agora vamos ver se presta.
- Pô, dois minutos de música e eu ainda não fiz nenhum comentário. Deve ter alguma coisa errada comigo. Ou com essa faixa.
- Ela é legal, mas pô, meio nada-de-mais. O refrão é bacana. Mas não é assim-assim.
Pelo menos é melhor do que as duas primeiras. Boa Helloween!
- Que merda de solinho é esse? Flauta? Hahahahahaha. Ganharam pontos com esse solinho de flauta meio whatthefuck... caralho! E a coisa ainda fica melhor! Flauta dobrada com guitarra! Ó deus.
- Pô, sensacional. Fui conquistado por uma merda de um solinho de flauta (dobrado com guitarra não há quem resista). O disco está subindo no meu conceito!

Faixa 5: World of fantasy
- Tô começando a achar que aquele começo mais pesadão era fachada. Tudo bem, o disco até tem uma produção mais pesada, mas voltaram com força total as musiquinhas felizes do Helloween. O que, no caso, é uma coisa boa.
- Aliás, isso é muito nome de musiquinha feliz a la Helloween. Metal de auto-ajuda forever!
- E não é que ela faz jus ao nome? Porra, dá vontade de sair cantando o refrão. Bem bacana!
- Essa não tem flauta-dobrada-com-guitarra, mas tem guitarrinhas felizes dobradas, o que já é suficiente!
- Ahhhhh... essa coisa de subir o tom no último refrão é muito manjada! Porra! Mas tudo bem, a música é boa, esse disco tá indo por um bom caminho.

Faixa 6: Long live the king
- Nossa senhora, pros padrões da banda, isso aqui é quase metal extremo. Meio thrash o riff de abertura. Pena que depois cai num outro riff meio sem graça.
- Aliás, a melodia do vocal também é bem sem graça.
- E que merda de refrão é esse: 'Long live the kiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!' Porra, eu sempre soube que letra de metal era uma piada de mau gosto, mas também não precisava apelar.
- Essa parte dos agudinhos do Andi Deris é meio esquisitona. Sei lá, eu nunca engoli os agudinhos do Andi Deris. Ele se sai melhor naquele vocalzinho tradicional meio hard rock dele.
- Pena que desperdiçaram um riff quase-thrash bacana em uma música meio chumbrega.

Faixa 7: The smile upon the sun
- Aiaiai... o começo dessa música indica uma baladinha-pesada de Andi Deris. E elas não costumam ser lá grandes coisas.
- Poizé. Quem já ouviu uma ouviu todas. Tipo If I could fly (existe hit mais inexplicável do que esse?) ou As long as I fall. O pior é que eles sempre metem essas porras nos setlists pra dar aquele 'respiro'. Foi mal, mas eu não preciso de respiro em show de power metal.
- Acabou. Ainda bem.

Faixa 8: You stupid mankind
- Riffzinho grooveado. Ai, porra, mais tecladinhos sem-noção tipo Bodom. Pra que aqueles finlandeses fanfarrões foram inventar essa merda? E, pior!, pra que que o Helloween foi se meter a imitar isso?
- É, estamos de volta ao lado 'malvado' do disco. Banda de power metal devia ser multada quando fica querendo parecer malvada. É constrangedor pra eles e pra mim também.
- Pô, Andi Deris fazendo vocal pseudo-agressivo (meio Gollum... hahaha) é sacanagem com minha cara feia.
- O solo dessa música é maneiro. Será que é Weikath ou aquele cara ex-Freedom Call (qual é o nome mesmo dele...?), ah! Sacha Gerstner! Bom, de qualquer jeito o solo é maneiro. E provavelmente a única coisa que presta dessa faixa inteira.

Faixa 9: If a mountain could talk
- Pô, essa música tem quase sete minutos. Será que vai prestar...?
- Começou interessante... riff de metal tradicional agitado e tecladinho sem ser sem-noção. Ainda há esperanças para a humanidade!
- Não Andi Deris, colocar efeitos na sua voz não vai fazer com que ela preste. Foi mal pela sinceridade.
- O refrão não é lá grandes coisas, mas é ok. A estrutura da música é bacana e tem um instrumental bacana. Já tá melhor do que eu esperava.
- Tem umas coisas que o Weikath faz com a guitarra que faz com que qualquer música soe como Helloween. Como esse solinho que eu estou ouvindo agora. É por isso que, mesmo com aquela cara de pastel dele, aquele cigarrinho apagado nos shows e aquela cartola ridícula, ele ainda é 'o cara' da banda.
- Boa música! Ponto pra vocês, Helloween!

Faixa 10: The sage, the fool, the sinner
- Riff pesadão, mas agitado. Não sei porque, mas me deu a impressão de já ter ouvido antes. Talvez nesse próprio disco.
- É engraçado que o riff dessa música é pesadão, mas as melodias vocais são bem felizes e o refrão é meio metido a 'vamos cantar, gente!' Mas sei lá, até agora ela não me pegou não.
- Achando essa meio basicona. Mas com um pressentimento de que podem tocar isso ao vivo (acho que pelo refrão fácil de cantar).
- É, vou ficar com o 'meio basicona' mesmo.
- Esses efeitos sonoros do final são bem cafonas, hein?

Faixa 11: My sacrifice
- Tecladinho safado ataca novamente! E efeitos 'eletrônicos'! Nossa, o Helloween está mesmo muito muderno!
- Pô, mas até que esse início da música é legal.
- Ah não... porra, ninguém avisou ainda esses caras de que eles não sabem fazer refrão dramático? A coisa tava caminhando bem até a tentativa (mal sucedida) do refrão dramático.
- Tem uma bateria quebrada no bridge que é legal. Pena que ele nos leva até o refrão caído.

Faixa 12: Not yet today
- Ah não... interlúdio viajante com Andi Deris cantando bêbado no chuveiro é demais. Vem cá, pra que que banda de metal insiste em fazer interludiozinho sem propósito? Uma merda dessas funcionar é mais raro do que achar 50 reais no chão da Presidente Vargas.

Faixa 13: Far in the future
- Esse é o 'épico obrigatório' do disco. O riff grandioso do início não me deixa mentir.
- Rola uma cavalgada semi-thrash aqui. Vamos ver no que isso dá.
- Cara, esse CD tem muito teclado picareta! Pô, não rola. Tá demais, minha gente.
- Tô achando isso aqui muito forçado. Sabe quando nego mistura um monte de coisas nada a ver na mesma faixa pra ver se cola como 'progressivo' ou 'épico'? Poizé.
- É, sei lá. Meio nada a ver essa última faixa. Mas tudo bem né, todo mundo já sabe que tem que ter pelo menos um épico metido a besta a cada disco de power metal, certo?

Eu tava achando que esse disco ia seguir uma tendência mais pesada do que o Gambling with the devil (mais ou menos como foi o The dark ride depois do Better than raw), mas na verdade ele tenta é ser mais moderninho do que o anterior. Eu sinceramente achei que os caras deram uma exagerada, especialmente nos tecladinhos descarados e também em alguns momentos do tipo 'queremos ser malvados'. Esse lance de ser malvado é um grande mal do power metal contemporâneo. Fica todo mundo pagando mico com essa porra.

Mas sei lá. O disco tem seus momentos, mesmo em algumas faixas mais mudernas. Pelo menos os caras não tão (re)gravando as mesmas músicas de sempre né, o que já é um alento. Não me parece ser nenhuma grande obra relevante na discografia da banda, mas pelo menos não faz vergonha como outras bandas grandes por aí...

7 sinners sai dia 9 de novembro!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dia internacional do SLAAAYYYEEERRR!

Que o heavy metal é cheio de coisas idiotas, acho que todo mundo já tá careca de saber. Alias, são muitas dessas coisas idiotas que fazem o metal ser tão sensacional. Lembro que um tempo atrás tinha uma galera que queria oficializar o heavy metal como religão ou coisa parecida!

Pois bem, hoje eu descobri um movimento que exige a criação de um feriado para o heavy metal no dia 6 de junho: o dia internacional do Slayer!

A coisa toda começou há quatro anos, em 2006 (06/06/06, saca?) como uma espécie de ataque ao 'dia nacional da oração' nos Estados Unidos (national day of prayer pra eles), que é comemorado em toda primeira quinta-feira de junho. Se o 666 foi coincidência ou não, o fato é que a coisa deve ter pegado, já que foi convocada mais uma celebração do dia do Slayer pelos fãs e pela banda através da internet!

(como é que eu não soube dessa porra antes?!?)

A tal celebração se dá através do que os seguidores do movimento chamam de 'slay-outs', que consistem simplesmente em ouvir músicas do Slayer o mais alto que você puder, de preferência em lugares públicos. Tipo na rua, em casa ou no trabalho (tá, esse ano isso fica meio difícil, já que cai no domingo, mas esse é o espírito da coisa). E tem que ser alto, porra! Ouvir Slayer com fone de ouvido é considerado como uma ofensa!

Eu só acho que deveriam adicionar como obrigação que, ao acordar, o discípulo do Slayer coloque sua cabeça pra fora de janela e grite com seu melhor vocal gutural: SLAAAYYYEEERRRR!!! Seria tipo a oração, o mantra, o grito de guerra da parada.

O guitarrista Kerry King comentou sobre a iniciativa (em tradução livre): "O Slayer deveria ter um feriado nacional - já existem feriados idiotas o bastante por aí, então porque não ter um nosso?"

É, pensando desse jeito, até que faz sentido... o fato é que ouvirei Slayer em alto e bom som no domingo! Quem puder faça o mesmo!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Show de metal... no cinema?

Uns meses atrás, foi anunciado o show que era sonho de consumo de grande parte da comunidade headbanger internacional: a primeira apresentação conjunta do chamado 'big four' do thrash. Ironicamente, o show não foi agendado para os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha ou outras terras igualmente relevantes quando se fala de metal, mas na Bulgária!

A noite com Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax subindo ao mesmo palco deve ter transformado a cidade de Sofia em improvável atração turística pra muita gente, que vai chegar lá na Bulgária só pra ver de perto como vai ser o tão esperado grande evento.

Pois bem, há umas semanas foi divulgado que o seria transmitido ao vivo via satélite pra salas de cinema em vários lugares do mundo. E agora está confirmado: o Brasil está na lista! Graças ao sensacional Moviemobz, o festival vai ser exibido por aqui em tempo real em salas de cinema com equipamento de projeção digital.

Ãããã... só que eu não sei muito bem se eu fico feliz com isso ou se simplesmente ignoro a novidade e leio a próxima fofoca postada nos whiplash/blabbermouth da vida. Tá bom, é legal saber que os brasileiros que quiserem ver o show vão ter o gostinho e tal (mesmo que seja à distância), mas será que a experiência vale a pena? Será que compensa ir até o cinema pra ver um show de metal?

Por um lado, eu fico pensando 'porra! vai ser a coisa mais irada do mundo! neguinho levantando das cadeiras e cantando as músicas na sala do cinema como nos tempos da chanchada' etc. e tal. Realmente, se isso acontecer, vai ser impagável. Isso me lembra quando o Odeon (sala de cinema mais irado do Rio, pra quem não conhece) passou os jogos da Copa de 2006. Eu fui ver dois jogos da seleção lá (4 a 1 no Japão e a derrota pra França nas quartas) e foi genial. A galera gritando, torcendo, comemorando gol, xingando jogador e juiz, era o mais próximo de estar na Alemanha que um brasileiro sem dinheiro e passaporte poderia conseguir. E o ingresso nem era muito caro, se não me falha a memória.

Por outro lado, rola uma inevitável desconfiança. Primeiro, ver show ao vivo na TV ou gravado em DVD nunca teve muita graça pra mim. A menos que seja daquelas bandas que você nunca viu e nunca vai ter a oportunidade de ver na vida (o que obviamente não é o caso de nenhuma dessas quatro), pra mim é meio tempo jogado fora. Claro que, pra quem gosta desse tipo de coisa, já de cara parece ser algo que vale a pena conferir.

Depois, por mais que eu gostasse de acreditar no contrário, eu não acho que vai rolar algo de realmente surpreendente nesses shows. Tipo alguma jam inesperada, Dave Mustaine tocando com o Metallica, a cabeçada toda no palco homenageando o Dio ou coisa do gênero.

(mas também se neguinho reviver a época dessa foto no show vai ser por demais histórico)

Claro, a possibilidade até existe (é meio remota, mas existe), só que eu não acho que esses burros-velhos do metal tenham mais o espírito jovial e espontâneo pra pensar em dar esse gostinho pros fãs. Por isso, a coisa de ver 'ao vivo', no sentido de testemunhar o que acontece em outro canto do mundo com uma distância de tempo ridiculamente desprezível, perde um pouco da graça. Até porque cada um vai poder baixar isso da internet daqui a uns anos, ou comprar o blu-ray, o que for da sua preferência individual.

Outra coisa que me preocupa é o horário. Que horas será que vai começar essa porra? A diferença daqui pra Sofia deve ser o que... umas 7 horas? Mais? A que horas neguinho vai ter que chegar no cinema, nove da manhã? Meio difícil se empolgar pra fazer rodinha e urrar Angel of death às 11 da manhã, depois de tomar café da manhã, mas tudo bem.

Depois, quanto tempo vai durar essa 'sessão'? São quatro shows, de bandas grandes... quanto tempo vai durar cada um? E a porra toda? Será que nego aguenta ficar, digamos, seis horas enfurnado dentro de uma sala cheio de nego feio e fedido até a última nota do show do Metallica? Aliás, será que todo mundo fica até o show o Metallica ou vão embora depois do Slayer chamando o Lars de vendido, o Kirk de viado e o James de acabado?

É quanto será que vai custar o ingresso? Será que vai valer a pena? Eu fico pensando no quanto eu gastaria pra ver um show ao vivo no cinema. Porra, essa história toda tá me fazendo pensar demais, não tô acostumado com isso não.

E o pior é que, mesmo com todas essas questões, eu ainda fico na dúvida se eu iria nisso ou não. Por um lado, eu fico pensando que eu, como fã de metal que se preza, simplesmente tenho que ir nessa merda, pelo simples fato de que eu preciso ver se isso vai dar certo ou não. Por outro, não sei se eu tenho a disposição de gastar um dindin e horas e horas pra 'ir' num show via cinema. Sem contar que a chance de dar errado e a parada ser muito ridícula é enorme. Tá, eu sei que ser ridículo pode ser uma vantagem, então esquece essa parte.

Ainda assim, acho que a minha grande pergunta que não quer calar é 'será que essa porra passa no Rio?', porque eu não vou pra São Paulo ver show no cinema nem fudendo.

No fim das contas, acho que o sucesso ou o fracasso da parada está nas mãos do público. Se nego lotar a sala, se empolgar, agitar, cantar, subir nas cadeiras, fizer rodinha no saguão de entrada da sala e ouvir o bom e velho metal com empolgação, tá valendo. Se for pra ficar sentadinho vendo os shows, vai ser uma merda.

E aí... será que eu vou nessa merda ou fico em casa...?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sessão dessa pra melhor: Dio

Ok, eu sei que a notícia é velha, mas não dá pra deixar de comentar.

Eu tava viajando de férias quando parei em um cyber café e pensei 'deixa eu olhar as novidades do metal' e estava lá: o Dio morreu!

Porra, o Dio! O cara que imortalizou os chifrinhos do demo como símbolo-mor do metal, uma das vozes mais perfeitas da história do gênero, um dos frontmen mais feiosos e baixinhos de todos os tempos. Que vacilo federal.

(além disso, como se pode ver acima, o cara um nerd de marca maior... ele é o grande fundador do metal nerd!)

Tudo bem que isso não tenha sido exatamente a grande surpresa do ano, já que o cara vinha enfrentando um câncer de estômago há uns meses (além disso, ele não era exatamente um rapaz na flor da idade, com seus 67 anos - o cara era mais velho que a minha mãe e cantava metal! quão foda é isso?). Claro que todo mundo tava torcendo pelo cara, mas não dá pra dizer que a morte dele tenha sido totalmente inesperada.

Pra mim, o mais estranho da ida do cara pro além é que, mesmo que eu não possa dizer que eu tenha uma relação muito longa e/ou profunda com a música dele, eu não consegui deixar de ficar boladão e mandar emails/comentar na hora com quem estivesse online no gtalk.

(o cara era tão metal que, em vez de dar um tchauzinho, ele se despediu do mundo material com um moloch!)

Quando eu comecei a ouvir rock pesado e metal, eu não era exatamente um fã das bandas mais antigas, tipo anos 70, Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple e essas porras (blasfêmia!). Na verdade, à exceção do Judas, eu achava isso tudo meio chato - meu negócio era metalzão anos 80. Por isso, durante muitos anos eu nunca prestei muita atenção no Dio. Até hoje não dá pra dizer que eu conheça a carreira do maluco: nunca ouvi Elf, de Rainbow só conheço umas três ou quatro músicas (heresia!) e só fui ouvir Sabbath e a carreira solo do cara com calma recentemente.

Meu primeiro contato com ele foi ouvindo o The last in line, que aliás é um belo disco (e meu preferido da fase solo) - de cara, a tradicional dobradinha abertura-agitada We rock e mais-trabalhada-com-introdução-acústica faixa-título me cativaram. O pior é que, por incrível que possa parecer pra qualquer um com um mínimo de noção das coisas, na época a voz estupidamente foda do cara não me chamou muito a atenção! Vai entender. E quando meus amigos começaram a falar que o Holy diver era melhor que cerveja gelada eu ouvi, não achei nada de mais e esqueci o Dio de vez (isso eu credito em parte à Rainbow in the dark, que eu até hoje acho uma música meio mala e superestimada pracaceta).

Por essas e outras, eu não fui a nenhum dos inúmeros shows que o cara fez aqui no Brasil (e no Rio!) ao longo desses anos. Quão idiota eu sou?

(Dio diz: você é um verdadeiro manézão!)

O que me fez repensar minha posição desinteressada em relação ao baixinho mais emblemático do metal foi o RYM: fui olhar umas recomendações de discos por lá e, de uma tacada só, tinha Dio e Black Sabbath na lista. E aí eu decidir dar início à longa (e, em alguns momentos, ingrata) missão de ouvir a discografia inteira das duas bandas.

Nessa viagem, ouvir o Heaven and hell inteiro pela primeira vez foi uma verdadeira revelação. Caralho! Que CD estralhaçador de ideias adolescentes idiotas como nunca antes houve! Um clássico absoluto de metal, melhor disco da banda tranquilamente pra mim. Claro que, em se tratando de Black Sabbath, a gente nunca pode desconsiderar a fodeza inatingível dos riffs do Tony Iommi, mas grande parte do encantamento do álbum está na voz do Dio. O maluco cantando a faixa-título é um daqueles momentos eternos do metal que justificam todas as coisas idiotas do gênero.

(o Mob rules também é bom... mas, porra!, o Heaven and hell é por demais arregaçador)

A parte da carreira solo foi mais complicada, já que ali só se salvam mesmo os dois primeiros discos. Sim, o Holy diver é muito bom e o The last in line tão empolgante quanto eu lembrava dos tempos remotos. Mas o resto (pode colocar aí junto o Dehumanizer, puta discozinho superestimado da porra)... difícil de engolir. De qualquer jeito, é aquela velha história: você lembra no maluco cantando nos tempos áureos e já basta pra desculpar os erros da estrada da vida.

Como todo mundo sabe, mais recentemente o cara voltou a juntar forças com o pessoal do Sabbath, adotando o nome mais-que-óbvio Heaven and Hell. Pra justificar os shows, eles lançaram um disco fraquinho, fraquinho chamado The devil you know.

Mais uma ótima oportunidade pra eu demonstrar a falta de noção e a burrice eterna implícitas à minha pessoa, já que a banda veio no Brasil/Rio pra fazer shows... e eu não fui. E agora obviamente nunca vou poder testemunhar o Dio ao vivo (dizem por aí que o cara era incrivelmente fodaço no palco, mas eu nunca saberei ao certo).

O fato é que o maluco é uma lenda - e pra mim já basta ter cantando tão fodamente no Heaven and hell pra sustentar essa reputação.

O mais perto que eu cheguei de alguma sensação de 'proximidade' com o Dio foi vendo aquele documentário manjadão Metal - a headbanger's journey, em que ele dá várias entrevistas e explica o sentido do chifrinho (segundo ele, não tem nada a ver com o tranca-rua; é pra espantar o mau olhado ou coisa do gênero). Ali, ele parecia sustentar os inúmeros depoimentos que rolaram nos útlimos dias vindos de músicos consagrados, de que era um cara gente finíssima - pra além da sua importância no metal, como vocalista, músico e, talvez mais importante, um dos criadores daquilo que se entende por heavy metal hoje.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O inferno não é assim tão feio

Cara... é impressão minha ou 2010 está se desenhando como um ano absurdamente ridículo em termos de shows? Digo, ridículo num sentido positivo, gostaria-que-a-vida-fosse-assim-mais-ridícula. Porque, puta merda! Tá foda. Muito show bom (e até uns inéditos!) rolando, até aqui no Rio!

Se não me engano, foi no busão da excursão pra devastação que foi o Iced Earth em São Paulo que eu recebi a notícia de que era possível que rolasse o show do Marduk aqui no Rio (inicialmente a banda - mais uma vez - viria ao Brasil e não passaria na cidade maravilhosa). Tudo bem, não que eu seja assim um grandessíssimo fã dos suecos, mas porra!, é o tipo de coisa que não dá pra deixar passar. A princípio, parece que a coisa ia rolar no cenário apropriadamente apocalíptico do Clube Recreativo Caxiense, palco daquele imortal show do Mayhem, mas acabou que o ponto foi transferido pro muito mais bem localizado Teatro Odisseia. Que, por sua vez, recebeu o Municipal Waste uns meses atrás (e eu não pude ir! merda!).

O Marduk foi uma banda que eu conheci razoavelmente cedo nas minhas explorações metálicas mais extremas. Nunca me esquecerei da primeira música da banda que eu ouvi, na coletânea World domination II: Darkness it shall be, uma verdadeira demonstração de caos sonoro (ainda mais pra um muleque de 17 anos), com um sinistro bumbo duplo incessante durante os quase cinco minutos de duração. Apesar de admirar a propensão para destruição dos caras, não era propriamente algo que me cativava na época, então meu contato com a banda parou numas ouvidas rápidas no Nightwing (Slay the nazarene! muito foda!) e no clássico imeditado Panzer division Marduk nos tempos dos seus respectivos lançamentos.

De qualquer jeito, mais ou menos como aconteceu com o Mayhem, a possibilidade de ver um show dos caras pertinho de casa era irresistível. Não tinha como não descambar pra Lapa em pleno domingão, último dia de férias. O problema é que a porra do Teatro Odisseia não entende merda nenhuma de show (muito menos de metal) e divulga uns horários de início completamente esdrúxulos (cinco horas da tarde?!? foi por essas - e outras - que eu perdi o Municipal Waste!). Resultado: cheguei lá e ainda rolava a primeira banda de abertura. E nem sinal de conhecidos, apesar de a vizinhança estar cheia de cabeludos vestindo camisas pretas.

(isso porque ali do lado, na Fundição, estava pra começar o show do Epica... cara, dois shows de metal no Rio no mesmo dia já é demais, mas praticamente no mesmo quarteirão parece piada! ainda bem que eu não gosto desses góticos safados com mulherzinha cantando, senão provavelmente ficaria puto)

Bom, o fato é que eu tive que ficar um tempão zanzando por lá sem ter o que fazer, até finalmente encontrar umas pessoas e, depois de enrolar um pouco sempre com aquela latinha de suco de cevada à mão, entrei pra ver o que era um show do Marduk. A casa já estava cheia (sempre bom!) e meu timing se demonstrou bastante justo, já que, depois de entornar mais um choppinho camarada, começou a emanar uma musiquinha metida a assustadora das caixas de som...

Pois bem, os caras subiram no palco e pá! Blast beats ensandecidos, riffs gélidos e vocais rasgados começaram a soar pela casa, mais acostumada a sambinhas e pop/rockinhos indie-alternativos. Lá de trás, onde eu estava (estrategicamente posicionado ao lado do bar), já dava pra ver os primeiros movimentos de uma animada rodinha. Música legal, ok, mas porra, podia ser qualquer uma do Panzer division (que eu tinha passado a semana anterior escutando em preparação psicológica). O problema do Marduk é que eles se fizeram (principalmente nesse disco) com a imagem de 'banda mais porradeira do black metal', só que a desgraça deles fica nesse rame-rame de bateria repetitiva com uns riffs que até são bacanas, mas todos muito iguais aos que vieram antes.

Só pra contrariar meu pensamento, os caras atacaram na sequência com uma música que tinha um riff diferente daquele clima tátátátátátátátátátá. A tal música (que depois eu fui ver e se chamava On darkened wings, do disco Those of the unlight) deu uma quebrada e me fez imaginar se veríamos alguma variação no repertório. Tudo bem, ponto pra eles. Na sequência, a faixa Panzer division Marduk, um verdadeiro clássico, resgatou o clima do início, que dali em diante se manteve por 90% da noite. Pra se ter uma noção da coisa, essa foi a única música que eu reconheci em todo o show! Não que eu conhecesse grande parte do repertório, mas tudo bem.

A essa altura, o meu 'medo' em relação aos shows de black metal kult da vida se confirmava: o que fazer exatamente com seu corpo enquanto tocam aquelas músicas esporrentas e monolíticas? Não é um estilo de música, digamos, muito animado que faça você bater cabeça, cantar a plenos pulmões ou erguer seus punhos no ar. No fim das contas, o blackzão cru é muito contemplativo pro ambiente ao vivo... a menos que você tenha coragem de ir pra roda. E, inspirado pelo fim da clássica Panzer division, foi o que eu fiz.

Eu tenho que confessar que estava com um certo receio de entrar na roda. Depois do que eu vi (e senti) no show do Mayhem, não dava pra não ter um pé atras. Por outro lado, o clima dessa vez parecia bem mais inofensivo, mais sóbrio, mais 'correto'. Tudo bem, os caras podem ter escrito músicas com títulos como Fistfucking god's planet e Christraping black metal (essa é foda, por sinal!), e lançado aquele lendário EP Fuck me Jesus, mas no fim das contas tudo parece um pouco pensado demais, calculado demais, sem a espontaneidade que dá o caráter assustador e monstruoso às bandas verdadeiramente ameaçadoras.

E a roda, no fim das contas, era um retrato perfeito disso. Fora um babaca que ficava na beira da roda literalmente descontando suas frustrações nas costas dos outros, o pessoal estava totalmente tranquilo, ajudando quem caía, agitando com vontade, mas sempre no limite do aceitável. Claro que a roda era divertida e empolgada, mas era inevitável a sensação de surpresa por aquilo ser um tanto inofensivo demais. A música que tocava era desgraçada, o que incitava alguns movimentos mais bruscos, mas nada que fosse verdadeiramente violento. Igualzinho à banda que estava em cima do palco.

Os caras do Marduk, por sinal, até que mandam bem ao vivo. O som estava surpreendentemente limpo (o que pode ter ajudado no clima 'black metal família' da coisa toda) e dava pra ver/ouvir que os caras seguravam bem as pontas. Apesar do espaço limitadíssimo no palco, eles agitavam bastante, o frontman Mortuus comandava os presentes com algum carisma e o guitarrista e líder Morgan Håkansson era tranquilamente a figura mais cativante no palco. Pouco se viu do baterista Lars Broddesson, que tocava encoberto pelos seus companheiros e o baixista Magnus "Devo" Andersson era a figura mais estranha, já que parecia quase feliz tocando toda aquela desgraceira.

Só que a natureza repetitiva das músicas, aliada à falta de, digamos, mobilidade proporcionada pelo black metal, acabaram deixando o show um pouco cansativo. Não é à toa que eu parei pra tirar fotos. Pra se ter ideia, mais pro fim da noite os malucos meteram a mais-que-clássica Baptism by fire, que deveria ser evidentemente um dos destaques da noite, e eu nem reconheci ela, de tanto que uma música parecia apenas uma extensão da anterior (a essa hora eu já tinha abandonado a roda e tinha perdido parte do interesse pelo show em si).

Só de sacanagem com a minha cara, o Marduk tocou na sequência uma música que eu não conhecia, mas que foi tranquilamente a mais foda da noite: Wolves, com um riff meio-punk, lembrando as origens cruas do black metal norueguês com grande estilo - e rendendo a roda mais aloprada do show. Provavelmente não por coincidência, essa faixa também está no Those of the unlight. Algo me diz que tenho que ouvir esse CD!

Depois dessa, os caras saíram do palco... e, infelizmente, voltaram pra tocar mais uma música que, pros meus ouvidos, poderia ser qualquer outra que eles tocaram na noite. Como final, foi meio anticlimático, seria bem melhor ter terminado com a anterior. Ou com as já citadas, nunca esquecidas, Darkness it shall be e Slay the nazarene. Bom, não se pode ganhar todas.

Saindo do Teatro Odisseia, minha sensação em relação ao show era conflitante. Por um lado, foi obviamente legal de ter ido lá. A roda foi boa, algumas músicas chamaram a atenção (Those of the unlight!), os caras mandam razoavelmente bem em cima do palco e foi legal testemunhar um show de metal desgraçado, como quase nunca rola aqui no Rio. Além do mais, era perto de casa e o ingresso não era exatamente caro.

Mas porra. Pra quem esperava ver algo verdadeiramente infernal e desgraçado, não tem como não ficar aquela pontinha de decepção de ficar metade do show na roda e não ter levado nem um mísero roxinho pra casa...

Setlist fora de ordem:
Still fucking dead (here's no peace), Wolves, On darkened wings, Materialized in stone, Beyond the grace of god, Panzer division Marduk, Baptism by fire, Azrael, With Satan and victorious weapons, Throne of rats, Steel inferno, The levelling dust, Into utter madness, Phosphorous redeemer, To redirect perdition.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Porque o Paulo Miklos é (e sempre foi) o Titã mais foda

Vou confessar uma coisa: eu sempre fui o maior fãzinho de Titãs. Quando eu tinha uns sete, oito anos, por aí, eu dizia pra todo mundo que era a minha banda preferida e me divertia quando meus pais não entendiam como alguém podia gostar daquela banda 'pesada' e 'politicamente incorreta'.

Pra um muleque dessa idade, minha impressão era de que eles eram a banda mais pesada do planeta e, não sei como cheguei a essa conclusão, de que tinham a maior discografia do mundo (um tempo depois eu passei a achar que o Iron Maiden tinha mais discos do que qualquer outra banda do universo).

Enfim, o fato é que eu nunca deixei de gostar da banda. Até quando eles lançaram o popzinho descarado Domingo, fase em que eu já estava caminhando a passos largos pra ouvir só metal, eu ainda gostava deles. A única fase que me irritou de verdade foi aquela Acústico/Volume dois/As dez mais (quiçá o pior disco de covers da história), porque, puta merda!, aquilo era por demais vergonhoso. De qualquer jeito, eles sempre ficaram tranquilamente como a minha preferida da onda de rock brasileiro dos anos 80.

Depois de ficar mais velho e ter um pouco mais de noção das coisas eu pude ver que os caras não eram nem de perto a mais pesada das bandas, nem aquela com mais álbuns. E, ouvindo e reouvindo os discos, cheguei à conclusão de que meu Titã preferido era o Paulo Miklos. Talvez não como compositor, mas certamente como vocalista. A voz mais rasgada e forte do maluco se destacava na banda, às vezes transformando músicas medianas em verdadeiros clássicos. E, porra, o cara cantava Bichos escrotos! Não dá pra ser mais foda do que isso.

Uns anos depois, eu ainda pude ficar mais fã ainda do maluco ao ver o filmaço O invasor, do Beto Brant, em que ele estreou magistralmente como ator. O filme é animal e a atuação do cara uma revelação. Recomendo pra qualquer um que esteja lendo isso aqui.

(vejam esse filme, porra! senão perseguirei vocês com minha cara de malvado!)

E não é que agora o cara conseguiu fazer uma coisa que me tornou ainda mais seu fã? E o pior é que ele não precisou mais do que vestir uma roupa... não que eu seja muito ligado nessas coisas de indumentária, moda e afins, mas porra, nesse caso é o tipo de coisa que não dá pra não achar irado:

O Paulo Miklos é fã de Manowar!

Cara, isso é bom demais. Porque os Titãs não alopram de vez e mandam um cover de Blood of my enemies, Fightning the world ou Kings of metal? Isso era capaz até de fazer aquela merda daquele As dez mais se salvar... ou então dar alguma graça pros últimos discos da banda, que são pra lá de ruinzinhos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Declaração do dia...

...ou porque o Lemmy é um gênio:

"Rock n' roll always comes back, you know. Ther's no fighting it. And these people think they can kill rock n' roll they might as well try and stop the flood, you know. There's no way. It always comes back because there's always people who want to hear loud, raucous music, you know. It's exciting, you know. And all the shit that these magazines like is not exciting. Like, Jesus, Radiohead, you know. Fuck me, you know. Coldplay. Jesus. These are not rock bands. These are sub-emo, you know. I mean, they did some good stuff. Fair enough. But it's not rock n' roll. I know fucking rock n' roll when I hear it. I've been listening to it since I was 12, you know? So fuck off!"

Eu até traduziria, mas aí não daria pra ouvir a voz rouca de uísque do cara na minha cabeça falando 'you know, you know, you know' e perderia grande parte da graça.

A entrevista original tem outras pérolas (e áudio de algumas partes, inclusive das aspas acima!).

Ah, Lemmy, tu és foda!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sessão dessa pra melhor: Peter Steele

Caraca, por essa eu não esperava. Cheguei no trabalho, ressaca do cacete (passar a noite bebendo gold label depois de ver um dos jogos mais vergonhosos do seu time no passado recente faz isso com você), abro o whiplash e tá lá: Peter Steele bateu as botas.

Isso mesmo, Peter Steele do Type O Negative, aquela banda que foi a maior febre do cacete nos anos 90. Bloody kisses, October rust etc. e tal. Que bizarro.

Não que eu fosse um grande fã do Type O. Como todos os outros adolescentes de 13 anos da época, eu fiquei enfeitiçado pelo clássico Bloody kisses, que era capaz de seduzir qualquer nerd cheio de espinhas na cara só com a capa, que trazia duas mulheres se beijando. Receita de sucesso fácil, certo?

Mas o fato é que, sob a foto sugestiva, estava um belo álbum, que trazia uma mistura extremamente bem feita de rock gótico com um heavy metal pesadíssimo, lento, de riffs a la Black Sabbath. A natureza sensual da capa combinava perfeitamente com o clima vampiresco das músicas e das vinhetinhas picaretas com mulheres gemendo e coisas igualmente feitas sob medida pra cativar a imaginação nos nerds de plantão.

Tranquilamente, um dos elementos mais cativantes da banda era a voz do nosso finado Peter Steele. Um vozeirão grave da porra, dramático, teatral e cheio de trejeitos que elevavam a disposição gótica das músicas a outro patamar. Sinceramente, quem já ouviu o maluco declarando coisas como Jesus Christ looks like me e Loving you was like loving the dead dificilmente esquece.

(em tempo, o cara também tocava baixo)

Além da voz única, o nosso amigo era uma figura emblemática. Tanto que entrou imediatamente pra galeria de celebridades do metal na época. Com seus mais de dois metros de altura, o cara já se destacava naturalmente... somando a isso a postura sensual vampiresca e o corpo saradão, ele se tornou imediatamente um ídolo da mulherada gótica. No clipe da fodaça Black no. 1, ele aparece tocando um imenso contrabaixo, imagem que certamente marcou muito fã de rock pesado na época. O sucesso foi tanto que o maluco posou pra Playgirl em '95!

(eu ia colocar a capa da revista aqui, mas puta que pariu!, a parada era muito gay! aliás, reza a lenda que o cara se arrependeu de ter posado nu depois de descobrir que mais de 70% dos assinantes da revista eram homens)

Enfim, em 96 saiu o álbum seguinte da banda, October rust, que era bacana, mas nessa época em estava em outra (por 'outra' entenda-se power metal ultrafeliz com bumbo duplo incessante e vocalzinho agudo) e não dei muita atenção pro Type O Negative. Depois disso, eu perdi qualquer tipo de relação com a banda, mas cada lançamento dos caras era um acontecimento no mundo do metal, sempre rendendo matérias, resenhas e afins em sites e revistas.

Quem confirmou a morte do cara foi o tecladista Josh Silver, companheiro de Type O Negative que era, digamos, a outra metade da alma da banda. Os dois tocaram juntos também no grupo de metal Fallout (que só lançou um single em '81), primeira banda de Steele, que na sequência formou o crossover Carnivore (interessante nem que seja pra ouvir o maluco cantando thrash com sua voz totalmente atípica para o gênero) e depois partiu pra empreitada que o consagraria.

Ou seja, parece que dessa vez ele morreu de verdade (em 2005, rolaram rumores de que ele teria vestido o paletó de madeira, mas era tudo caô, talvez pra ganhar uma popularidade extra). Pelo menos agora a fonte é confiável, né. E lendo a repercussão na internet (gente como Mille Petrozza, Cristina Scabbia e Mikael Åkerfeldt já se manifestou) a coisa parece séria mesmo.

Bom, a única coisa a se fazer é ouvir uns Type O em homenagem ao cara!

O adeus vai ao som de Black, black, black, black number one...