terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Shows que eu gostaria de ver: o 'big four' do thrash

Esse é um boato que tava circulando há meses na imprensa: a possibilidade de as quatro maiores bandas do thrash americano se reunirem para uma turnê sinistra e insuperável do saudoso thrash oitentista. Pois bem, parece que agora a coisa se confirmou, ou pelo menos quase isso: segundo o site oficial do Metallica, o tal 'big four' (além da banda de James e Lars, estão na seleta lista Megadeth, Slayer e Anthrax) vai estar junto ao vivo pela primeira vez em junho de 2010, no festival Sonisphere, na Polônia e na República Tcheca. E que mais datas (provavelmente) estão por vir.

A história remete ao longínquo ano de 1990, quando aconteceu a clássica turnê Clash of the titans, com Megadeth e Slayer de headliners. A viagem começou pela Europa, em que a dupla tocava acompanhada de Suicidal Tendencies e Testament.

(não custa lembrar que, na época, o Slayer excursionava pelo Seasons in the abyss e o Megadeth pelo Rust in peace... putaqueopariu!).

Obviamente a parada foi um sucesso ridículo, o que se refletiu em uma nova edição do Clash of the titans já em 1991, nos Estados Unidos. Dessa vez, com três headliners: além dos dois da versão europeia, tava lá o Anthrax (divulgando o fantástico Persistence of time). Como banda de abertura, os caras levaram um totalmente-nada-a-ver Alice in Chains.

Desde essa época se cogitava a possibilidade da reunião dos 'quatro grandes', o que nunca rolou por diversos motivos. Como por exemplo os inúmeros desentendimentos entre integrantes das bandas, particularmente entre o Mustaine e o resto da galera, como sua ex-banda e o Kerry King. Por sinal, Megadeth e Slayer acabaram de fazer uma turnê conjunta em que os dois ficaram trocando farpas através da imprensa o tempo todo.

Bom, talvez em celebração dos 20 anos do Clash of the titans original, os caras deixaram as picuinhas de lado e a parada vai rolar!

E, problemas pessoais à parte, é fato, fato!, que isso aí vai ser um evento foda-pra-caceta-ao-cubo. Tudo bem que eu já vi shows de todas as bandas citadas, mas, porra, a reunião em si já é algo a se conferir (e as apresentações individuais não são lá de se jogar fora não). Pena que os caras de uma maneira geral se odeiam, senão podia sair uma supermegajam de clássicos da NWOBHM no fim do set do Metallica... isso sim seria algo inesquecível pracaralho!

Sinceramente, eu trocava fácil o Megadeth por um Testament ou um Exodus da vida, bandas que eu também já vi ao vivo, mas que esmagam a arrogância do Mustaine em cima dos palcos.

E se isso não é mais uma prova cabal da volta do thrash, eu sou uma galinha d'Angola!

(mas obviamente isso é tudo devaneio de um headbanger, porque uma porra dessas nunca vai rolar no Brasil... já na terra do ex-Papa rola)

Pelo menos no Monsters de 1998 já deu pra ver Slayer e Megadeth na mesma noite. Não é a mesma coisa, mas não dá exatamente pra reclamar...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Engame vs. Death magnetic

O revival do thrash oitentista é um movimento que vem crescendo, ganhando força e ocupando espaço há bastante tempo, mas não seria nenhum exagero dizer que ele atingiu o ápice nos últimos dois anos (nessa conta já incluindo o quase-finado 2009). Não só porque nomes como Municipal Waste, Evile e Warbringer passaram a ganhar destaque na mídia especializada, nas listas de melhores do ano e nas bandas favoritas de músicos renomados, ou por causa das legiões de bandas que surgem a cada segundo no underground, fortalecendo a onda e muitas vezes superando os grupos mais famosos em qualidade e empolgação.

Talvez o fator mais importante pra se declarar que o neothrash chegou ao seu auge na consciência metálica popular seja o fato de que ele fez sua presença ser sentida pelas maiores bandas da história do thrash. É verdade que muitos conjuntos essenciais do gênero já tinham entrado nessa onda ao longo da última década (como o resgate do thrash pelos alemães do Kreator e Destruction, a volta do Testament etc.), mas só agora ela chegou à linha de frente mesmo do subgênero.

Muito se fala sobre um teórico 'big four' do thrash, que seria composto por Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, mas, se a gente for olhar em termos de popularidade e sucesso comercial, é fácil de perceber que as duas últimas ficam bem pra trás em relação ás duas primeiras. De qualquer maneira, desses quatro, é evidente que o Anthrax foi o único a não ser contaminado pelo neothrash (apesar de o último trabalho dos caras ainda estar inédito, então essa é uma afirmação ainda incerta): Metallica, Megadeth e (em menor grau) Slayer lançaram nos últimos anos (2008-2009) CDs que refletem a ressurgência do estilo que os consagrou.

O caso do Slayer é um tanto diferente dos de Metallica e Megadeth, já que não houve exatamente uma reprodução do estilo de outrora: a principal mudança no sentido 'volta no tempo' foi o retorno do baterista Dave Lombardo pra recompor a formação clássica da banda, resultando na gravação do Christ illusion. Além disso, não dá pra dizer que o álbum de 2006 ou que o novo World painted blood sejam um resgate do Slayer antigo (ou pelo menos que sejam mais cópia do que os caras vêm fazendo desde o Seasons in the abyss).

O que faz com que os melhores exemplos de tudo isso que eu enrolei pracaceta pra dizer em quatro longos parágrafos sejam os últimos trabalhos de estúdio de Metallica e Megadeth. O que, aliado à conturbada relação histórica entre as duas bandas (a eterna batalha Lars e James vs. Dave), abre espaço pra fazermos uma comparação babaca (mas não tão despropositada assim) entre os dois discos. Até porque todos os fóruns de heavy/thrash/pop metal da internet já sofreram bastante com discussões do tipo 'Megadeth sux, Metallica rlz' ou 'Endgame eats Death magnetic for breakfest, ha!' e tosquerias do gênero.

O CD do Metallica foi lançado em 2008 e na época causou um grande rebuliço no mundo do heavy metal e também fora dele. O fato de James, Kirk e Lars voltarem a tocar metal e reeditarem estruturas típicas dos seus grandes clássicos dos anos 80 (com solos!) levou muita gente a reviver a fé na 'maior banda de metal do mundo'. O disco vendeu pracaceta, ganhou Grammy, recolocou o Metallica na mídia e, lógico, também deu combustível renovado praqueles que ainda se consideram traídos pela era Load-Reload-e-especialmente-St.-Anger-como-eles-conseguiram-gravar-um-disco-tão-ruim soltarem os cachorros em cima da banda.

É fato que o disco tem lá seus (muitos e gritantes) defeitos, mas no geral, pra mim, o prazer de ouvir os caras tocando aquele thrashzão pésadão que os consagrou acabou superando as decepções - além disso, me parece inegável que o disco tem alguns belíssimos momentos.

O disco do Megadeth saiu esse ano e - obviamente - não causou tanto alarde (provavelmente pra mais uma decepção do monsieur Mustaine) pelo mundo afora. Mas na comunidade metálica ele foi um tremendo sucesso, sendo ovacionado em 99% das resenhas que eu li (especialmente na internet). E claro que a fãzada pentelha do MuMu perturbou a paz de todo mundo falando que esse era o melhor disco de todos os tempos depois do Rust in peace (e talvez, quem sabe, do Peace sells).

Afora a idiotice inerente de querer comparar os dois álbuns (é evidente que os estilos das duas bandas são - hoje - bem diferentes), esse confronto é, por um lado, inevitável. E depois de você ouvir/ler um milhão de vezes retardados descontrolados dizendo que um é muito melhor do que o outro, simplesmente não dá pra não ficar com vontade de dar a sua opinião.

(e essa comparação é foda porque o Mustaine é uma figura tão babaca e arrogante que eu nunca consigo olhar pro Megadeth com a mesma boa-vontade que eu tenho com o Metallica)

Só que, no fim das contas, o fato é que - guardadas as devidas proporções - os dois discos são bastante semelhantes. Não só 'espiritualmente' como na prática mesmo.

Tanto o Metallica quanto o Megadeth já estavam nesse caminho de resgatar as glórias perdidas há algum tempo. Tudo bem, você pode achar que o St. Anger não tem porra nenhuma a ver com o Metallica clássico, mas existem ali diversos elementos trazidos da fase áurea, como as longas durações das faixas, o peso, a agressividade (além de coisas 'menores', como um logo mais parecido com o clássico, a ilustração da capa feita pelo artista Pushead e o fato de as letras aparecerem integralmente no encarte). Na verdade, se você para pra pensar, do lado do Load até o Reload já parece um passo (tá bom, um passinho, quase um tropeço) na direção da volta às origens.

No caso do Megadeth, isso também vem de algum tempo. A começar pelo tenebroso The world needs a hero (possivelmente o pior CD da minha vasta coleção), que foi uma resposta ao som bem comercial do Risk. E, desde a 'volta' do Mustaine com o The system has failed, os fãs da banda vêm consistentemente proclamando que o último disco resgata os bons tempos do Rust in peace. Só que nesse caso, o MuMu fez uma transição bem mais rápida ao metal, adotando uma espécie de estética 'power metal americano' com alguns toques de Megadeth clássico e também da fase pós-thrash.

Só que nenhum dos discos mencionados nos últimos parágrafos refaz o percurso de outrora como os últimos trabalhos de estúdio das duas bandas. Death magnetic e Endgame são CDs em que várias vezes você se pega pensando que tal passagem lembra tal disco, tal riff é de tal música, tal estrutura já apareceu em tal clássico. Em cima disso, nos dois discos você consegue ouvir referências claras a todas - ou quase todas - as fases da banda em questão. E, também nos dois casos, esse caminho parece ter sido uma decisão bem consciente, divulgada dessa forma e sentida como tal pelo ouvinte.

Entrando em uma discussão qualitativa completamente despropositada, acho que cada um dos dois têm suas vantagens. O disco do Megadeth tem o mérito e a vantagem objetiva de ser bem mais metal! do que o do Metallica (ser mais metal é algo que faz de você objetivamente melhor! não tem caô!), seja na produção (que, apesar de ser meio linha-de-produção-do-Andy-Sneap é foda pracaralho; aliás, qualquer coisa que o Andy Sneap faz acaba sendo foda de um jeito ou de outro), na performance dos músicos (o Chris Broderick é foda demais e fez uma dupla fabulosa com o Mustaine) e até mesmo em grade parte das composições. Talvez por isso, não exista nenhum momento mais 'Risk' no álbum.

As grandes vantagens do disco do Metallica - pra mim - são o repertório e a consistência. Nada em Death magnetic é genial como nos tempos áureos, mas as faixas (em especial as da primeira metade) são empolgantes, daquelas que você fica com vontade de ver no show pra cantar junto e bater cabeça. Os riffs são bons, os refrãos são pegajosos, as estruturas das músicas são bem pensadas. Não são nada que a banda não tenha feito antes, mas funciona. Além disso, também impressiona o fato de ele reunir referências a todas as fases do Metallica com uma consistência bem sólida. É um disco que dá vontade de ouvir e reouvir como um todo, e não só colocar os hits no mp3 genérico, coisa que acontece com Endgame (assim como nos dois CDs anteriores do Megadeth).

Eu sempre fui meio partidário do Metallica na eterna briga com o Megadeth (apesar de favorecer a banda do Mustaine no período de 88-90), então minhas considerações não precisam ser levadas muito a sério (tá, eu admito, escrevi essa frase só pra evitar que os puxa-sacos de MuMu não me mandem comentários ofensivos desnecessários).

Mas a verdade é que os dois discos são bem nivelados entre si. Talvez seja até o caso de preferir um ou outro dependendo do dia. De qualquer maneira, me parece que, mesmo com todos os defeitos (em especial aquela decisão pensada de 'vamos voltar no tempo pra ver se ganhamos alguma credibilidade e mais uns trocados') dos dois álbuns, esses parecem ser os melhores lançamentos das duas bandas desde os tempos clássicos.

(sim, o preto e o Countdown to extinction contam como período clássico! não me encham o saco!)

Será que eles vão conseguir manter o bom nível nos próximos trabalhos? Essa é a pergunta que não quer calar!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Feliz metal 2009

Quando eu escrevi o primeiro post intitulado 'Feliz metal' nunca passou pela minha cabeça que isso pudesse um dia virar um tema pra blog. Não que eu não ache que a ideia seja boa o suficiente ou que eu ache que o Papai Noel é um filho da puta que rejeita os miseráveis ou que eu queira matá-lo, nada disso. Mas, porra, nunca poderia pensar que a mistura de natal com heavy metal pudesse render mais de um postzinho solitário.

E quem foi que apareceu pra me contradizer? Ele!, o carecão, deus(a) do metal, uma das figuras mais absurdamente fodas da história da música, o meste Rob Halford. O cara reativou sua banda solo, o Halford, pra gravar um CD natalino!

(não, isso não é uma piada!)

O resultado foi o CD Winter songs (também chamado de Halford 3), que mistura quatro composições novas a 'clássicos' natalinos e/ou de fim de ano com roupagem heavy metal e tendo à frente a voz sempre majestosa do Robão.

É óbvio que só a ideia em si é esdrúxula demais pra se levar a sério - mas por outro lado é esdrúxula demais pra não dar pelo menos uma ouvida, rápida que seja, no álbum. Tenho que confessar que fiquei com o disco umas semanazinhas no meu mp3 genérico, me familizarizando com o espírito natalino de metal do sujeito. E até que a coisa não é tão ruim assim...

Por um lado, o tal Winter songs acaba nem sendo tanto um CD de metal propriamente dito, já que tem bem mais baladinhas do que o que seria normalmente aceitável em algo do tipo, entre elas a única música que eu conhecia dos seis covers: a manjadona Holy night. O lado mais mela-cueca do disco é também o mais chato e como ele marca presença forte no tracklist (o que, obviamente, era de se esperar), acaba comprometendo parte da diversão.

Outra coisa que atrapalha é que o Halford leva a sério demais a ideia do CD natalino. Ao contrário do Twisted Sister, que gravou o disco A twisted christmas avacalhando canções de natal, ou da própria coletânea que foi tema do meu primeiro post, os caras perdem a oportunidade de aproveitar a natureza absurda da mistura pra dar um ar menos sério e pomposo às faixas (o que, mais uma vez, é realçado pela interpretação 'séria' das baladinhas).

A parcela mais metal! da coisa, no entanto, não deixa a desejar. As músicas 'pesadas' são interessantes pelo fato de não terem nenhuma aura real de agressividade ou de peso (em um sentido ameaçador ou perturbador), focando bastante em um clima festeiro e feliz, o que, por diversas vezes, cria uma fronteira com gêneros como hard rock e power metal/metal melódico. Isso aparece tanto nas músicas inéditas - como a abertura Get into the spirit (a mais metal! de todas, quase uma versão alegre da Painkiller), e as animadíssimas Christmas for everyone (sensacional) e I don't care - como nas regravações. Nesse último caso, o destaque fica pra We three kings e Oh come o come Emanuel, que aqui são convertidas em hinos metálicos irrepreensíveis.

O balanço geral é que Winter songs, apesar de não funcionar lá tão bem como álbum natalino ou como álbum de metal, acaba sendo um experimento com resultados divertidos e que, bem ou mal, acaba encontrando um clima inusitado e quase inédito pro metal.

O que é bem mais do que eu poderia esperar de um ideia aparentemente tão besta quanto essa.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Música irada do dia: Hino do Flamengo

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer!

Na regata ele me mata
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado
Mais cotado nos Fla-Flus
É o 'ai Jesus!'

Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo

Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pesou
Flamengo até morrer eu sou!

Hexa porra!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

30YOWOBHM: Mythra

Partindo da ideia de que o ano de 1979 é o marco inicial da new wave of British heavy metal (e esse é o raciocínio por trás da minha série de posts em homenagem aos 30 anos do movimento), uma coisa que a gente acaba descobrindo é que poucas bandas realmente conseguiram gravar alguma coisa oficial no último ano da década de 70. Tudo bem que certamente uma boa parte dos grupos clássicos da época já estavam em atividade por aí, mas não necessariamente gravando discos - e os registros definitivos certamente aconteceram já nos anos 80.

Por essas e outras, desde que eu comecei a escrever sobre o tema eu ficava me perguntando se essa idade de três décadas era realmente precisa pra justificar o assunto ou se era mais a famosa 'desculpa de que eu tava precisando' pra conhecer a NWOBHM. Bom, o ponto é que minhas dúvidas finalmente se dissiparam quando eu ouvi o Mythra, banda do post de hoje!

A formação da banda remonta a 1976 (!!!), quando uns muleques de escola se juntaram para tocar rock pesado. As influências dos garotos eram o heavy metal da época (Sabbath, Priest) e aquelas bandas britânicas de hard-rock-quase-metal tipo UFO e Thin Lizzy. E como todos os grupos da nascente NWOBHM, os caras caíram no circuito de bares, pubs, casas de shows furrecas etc. assim que conseguiram uma formação estável.

(sempre que eu olho essas fotos, eu fico imaginando como não deve ter sido acompanhar isso de perto... por um lado, devia ser foda pracaralho, mas por outro devia ser a maior tosquice dos infernos)

Mas o Mythra conseguiu logo cedo fazer o que poucas bandas da NWOBHM coneguiram: gravar um disco ainda nos anos 70! No caso, o EP de quatro faixas Death and destiny.

Apesar de ser impressionante o simples fato de ele ter sido gravado tão cedo na história da cena, certamente a coisa mais foda do disquinho é o fato de ele já encapsular com perfeição a sonoridade e a proposta da sua geração, aliando a crueza e o espírito suado do punk inglês com as influências musicais citadas anteriormente, forjando um som ridiculamente empolgante e eminentemente e evidentemente metálico. Nem o Saxon, que lançou um LP em 1979, era tão heavy metal quanto o Mythra assim desde o início!

Das quatro músicas do EP, três são arrebatadoramente fodas e poderiam ter se tornado tranquilemente hinos da NWOBHM (a faixa Killer é especialmente foda). O resultado foi que o EP vendeu 15 mil cópias em 20 dias e o Mythra começou a aparecer em textos de revistas especializadas e a fazer shows ao lado de bandas importantes (tipo Motörhead) e parecia que as coisas estavam caminhando irreversivelmente na direção da fama.

O grande mistério da história é que o EP chegou a ser relançado por outra gravadora, mas a banda de alguma maneira não foi pra frente. Os caras ainda registraram umas demos, mas acabaram sendo deixados pra trás pelos grupos que vieram a se tornar os líderes da cena e, assim, o Mythra terminou por pendurar as guitarras. O porque disso eu não consegui descobrir.

No fim dos anos 90, foi editado um CD contando com as quatro faixas do EP e mais nove 'inéditas' (possivelmente material das demos gravadas no início dos anos 80). Provavelmente o disco causou algum tipo de repercussão, já que em 2002 a banda voltou à ativa e lançou seu primeiro álbum de inéditas propriamente dito, The darkener. Esse eu ainda não ouvi pra tecer comentários...

É uma pena que o Mythra não tenha gravado mais material, pelo simples fato de que metalzão cru, direto, empolgado e empolgante dos anos 80 nunca é demais. De qualquer jeito, os caras me provaram que, sim, 1979 pode ser considerado tranquilamente como o marco inicial da NWOBHM.

E não é nada mal um movimento começar com um irado EP desses, isso é fato. Pelo contário, além de um bom sinal, Death and destiny foi essencialmente uma antecipação das melhores coisas que a NWOBHM deu ao metal como um todo!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sessão dessa pra melhor: Mike Alexander

No meio da atual onda do neothrasholdschool, que vem apresentando uma quantidade esdrúxula de novas bandas a cada dia em todos os cantos do mundo (outro dia descobri uma fodaça do Paraguai! The Force!), um dos grupos que se destacou mais claramente desde o início da formação do 'movimento' foi o inglês Evile.

Os caras começaram a carreira no início dos anos 2000 com o nome de Metal Militia, que já denunciava a proposta da banda: tocar covers do Metallica. Depois de partirem para composições próprias, mudaram de nome e gravaram dois EPs (All hallows eve e Hell demo) com uma boa resposta no underground. Em 2007, os caras tiraram a sorte grande, sendo contratados pela gravadora Earache.

Logo em seguida saiu o debu Enter the grave, que colocou a banda bem no meio do turbilhão da nova safra de thrash. Eu confesso que, apesar da excelente acolhida que o ábum teve com fãs e críticos, não acho o CD nada de mais não - é só um thrash a la Bay Area muito bem gravado e tocado, mas sem causar nenhuma grande euforia.

A idolatria a Hetfield, Ulrich etc. se confirmava não só no estilão das músicas (a faixa-título é puro Metallica dos primeiros tempos), mas também pela presença de Flemming Rasmussen na produção. No lado positivo, há de se destacar que os caras escreveram um dos maiores hinos do neothrash até aqui, a fabulosa Thrasher, que certamente tem alguma porcentagem de inspiração na lendária Bonded by blood do Exodus.

Pois acabou de sair o segundo álbum da banda, Infected nations, com recepção um pouco mais cautelosa por parte dos fãs (eu ainda não ouvi direito e não posso tecer grandes comentários), mas ainda assim colocando o Evile novamente sob os holofotes thrash. E, duas semanas depois, no meio da turnê europeia ao lado do Amon Amarth, morreu subitamente, aos 32 anos, o baixista Mike Alexander.

(hora de começar a ouvir Infected nations em homenagem ao rapaz!)

Puta sacanagem. Não só pelo fato de o cara morrer quando estava experimentando um sucesso razoável no concorrido mundo do metal, mas também pelo fato de ser um músico de metal negão, o que não é assim lá muito comum.

(e não dá pra falar muito sobre o talento do cara como baixista, porque, como acontece em 99% das bandas de thrash, você praticamente não ouve o baixo nas músicas do Evile)

Irônica também a semelhança com a história dos ídolos dos caras, já que o Metallica perdeu seu genial baixista Cliff Burton quando solificava seu posto de banda grande no metal na turnê do perfeito Master of puppets.

Quem sabe os dois não se esbarram por aí e fazem umas jams com os bons e velhos clássicos do thrash oitentista...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

30YOWOBHM: Blind Fury

Tem umas bandas que você olha os créditos de membros que passaram por ela e fica pensando 'como é que essa porra não deu certo?', já que elas contam com músicos da categoria 'acima de qualquer suspeita' e mesmo assim acabam no esquecimento. É o caso do Blind Fury, banda do post de hoje!

O Blind Fury nasceu como uma colaboração entre o vocalista Lou Taylor e o guitarrista Kevin Heybourne, líder do Angel Witch, que na época estava em um hiato de atividades. Ao lado do baixista Pete Gordelier e do baterista Dave Hogg, a dupla gravou uma demo ultraobscura em 1984, que continha duas músicas. Uma delas, Evil games, viria a aparecer no segundo LP do Angel Witch, Screamin' 'n' bleedin'. A outra, Nowhere to run, também tem um riff que poderia facilmente ter sido aproveitado pela banda principal de Heybourne.

O fato é que essa fase inicial acabou não dando certo, talvez pela iniciativa do guitarrista em reativar o Angel Witch mais uma vez. E essa acabou sendo a oportunidade perfeita para o nosso amigo Lou Taylor demonstrar o seu bom gosto no quesito 'guitarristas com quem eu gostaria de gravar', se juntando aos integrantes do Satan, que, por sua vez, estavam órfãos de vocalista depois da saída do sensacional Brian Ross (que decidiu reativar o Blitzkrieg).

Além de apreciar a arte da boa guitarra de heavy metal, o tal Lou Taylor também devia ser um cara gente boa pracaceta e de boa lábia, já que, além de ter convencido três dos melhores guitarristas da NWOBHM a tocarem com ele, conseguiu fazer com que os quatro membros do Satan se juntassem a ele e abandonassem o nome da sua banda. E assim se estabeleceu a formação 'clássica' da banda, que gravou em 1985 seu único LP, Out of reach.

Quando eu fiz meu post sobre o Satan eu escrevi sobre o disco 'que dizem as más línguas ser mais pro lado comercial e hard rockeiro', o que acabei descobrindo ser uma meia verdade. Na verdade, Out of reach passa sim uma impressão de ser mais comercial do que o som do Satan, não exatamete por se aproximar do hard rock, mas porque é um álbum extremamente melódico. Nele, a espetacular dupla de guitarristas Steve Ramsey e Russ Tippins leva a sua veia técnica para um lado menos pesado e sombrio (não que o Satan fosse extremamente agressivo), o que dá às músicas uma cara mais leve e palatável.

Outra coisa que leva o LP para o lado mais comercial é a produção bem mais límpida do que o que se costuma ouvir da NWOBHM e que coloca o vocal em destaque muito maior do que as guitarras (o que é uma pena, porque o instrumental é tranquilamente o melhor que a banda tinha a oferecer). Isso, aliado ao lado bem melódico das músicas, também faz um elo de ligação entre o som do Blind Fury e o power metal europeu, que na época estava em formação.

O problema é que, apesar da sua habilidade em se juntar a grandes músicos de NWOBHM, o Lou Taylor não era lá um grande vocalista. Pelo contrário, o cara - apesar de ter lá sua técnica e voz afinadinha - é pra lá de genérico e bem chatinho, arruinando algumas músicas que poderiam ser bem interessantes. Aliás, apesar de uma dose razoável de bons riffs, solos e melodias, as linhas vocais tendem a ser totalmente sem-graça e nada memoráveis, o que eu não se é culpa do vocalista ou não. O fato é que (assim como acontecia na demo) o vocal é o ponto fraco de Out of reach e fica muito aquém do que se ouve das guitarras.

(Lou, Lou, você é um manézão... arruinou as chances da sua própria banda dar certo!)

Com isso, o disco acabou - com certa justiça, devo dizer - ficando esquecido como item de colecionador para fãs de Satan e/ou NWOBHM em geral. Os quatro integrantes da parte instrumental do Blind Fury reativaram sua banda original, enquanto o vocalista aparentemente desistiu da música (pelo menos até onde eu pude averiguar).

De qualquer maneira, pra quem gosta de um metal bem melódico e razoavelmente técnico (e não se importa muito com vocais meio genéricos, apesar de afinadinhos), vale uma conferida em Out of reach.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A bomba gama ataca novamente!

Há pouco mais de um ano, eu escrevi - no meu outro blog, hoje inativo - sobre a iniciativa genial da banda irlandesa de neothrasholdschool Gama Bomb, que convocou seus fãs pra expurgar seus pecados metálicos destruindo os itens vergonhosos de suas coleções de CDs em um ritual coletivo nas apresentações da banda.

Até hoje, eu ainda não consegui parar pra escutar os discos dos caras com calma, mas o pouco que eu ouvi, aliado à campanha 'stamp out inferior metal', criou uma pré-disposição em mim para gostar da banda.

Agora, os malucos se saem com mais uma iniciativa louvável.

O Gama Bomb anunciou que seu novo CD, Tales from the grave in space, será disponibilizado pra download gratuito, incluindo arte de capa etc. e tal, no site da gravadora Earache.

Não que isso seja de uma genialidade sem precedentes como foi o caso da campanha em prol do 'verdadeiro metal!', mas, porra, demonstra que os caras têm um mínimo de noção de que quem quiser vai fazer o download da porra do disco nos Rapidshares, Megauploads, Badongos, Mediafiles etc. etc. etc. da vida. E, mais uma vez, conseguem criar uma grande empatia com os fãs de thrash ao redor do planeta.

Cada dia que passa, eu vou mais a cara desses malucos... agora só resta ouvir os discos e decidir se o thrash deles presta ou não!

PS: no link da Earache acima, eu descobri que nego inventou a coisa mais ridícula de todos os tempos! O Super Trunfo de bandas de thrash! Pelo amor de deus! Se alguém quiser se aventurar, dá pra baixar de graça no Rapidshare! Depois é só imprimir as cartas e jogar! Neguinho é muito mongoloide mesmo...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Metal (e quadrinhos) nas telas: Jonah Hex vem aí!

A essa altura do campeonato, acho que não tem mais ninguém que duvide do potencial das histórias em quadrinhos como base pra filmes de tremendo sucesso comercial. Depois do êxito tremendo do filme do Homem de Ferro, que não pode ser considerado exatamente um personagem de primeira linha (em termos de popularidade), a coisa começou a se espalhar de um jeito assustador. O que significa que, em breve, teremos filmes do Thor, Deadpool (!!!), Capitão Marvel, Lobo, entre outros.

Um dos personagens de quadrinhos mais inusitados a caminho da tela grande é o caubói Jonah Hex, publicado pela DC. A revista dele foi relançada em 2006 e o mercado americano (onde quase nada fora do universo de super-heróis dá certo) observou incrédulo à conquista de espaço da série, que vende razoavelmente bem e está chegando ao número 50, um grande feito pra um quadrinho de velho oeste nos dias atuais.

(eu pouco conheço sobre o personagem, mas é fato que só essa face meio derretida dele já cria uma imagem fodaça que dá vontade de ler a revistinha)

Pois bem, provavelmente foi esse sucesso recente que levou o pessoal a investir num filme com o personagem, que vai ser interpretado pelo ator Josh Brolin e que tem como par romântico a musa-dos-nerds Megan Fox e como vilão o sempre sencional John Malkovich. Além disso, vai ser dirigido por um tal de Jimmy Hayward, que é ex-animador da Pixar! E ter alguma relação com a Pixar é sempre um bom sinal!

E vocês devem estar se perguntando 'que porra isso tem a ver com música?', certo?

É que, muito mais foda do que a notícia do filme em si, é a revelação de que o Mastodon, uma das bandas mais fodas da atualidade, vai fazer a trilha sonora do filme! Na verdade, se nego tivesse divulgado essa informação há um tempo atrás, eu nem ficaria tão empolgado... porque, porra, é difícil de imaginar uma banda de metal fazendo uma trilha sonora decente pra um filme.

Mas depois do genial Crack the skye, que tem um quê cinematográfico (a 'trama' do disco está sendo cogitada pra adaptação pras telonas também), o quarteto me convenceu de existe a possibilidade de a mistura inusitada funcionar muito bem.

Esse crossover cinema/quadrinhos/metal é capaz até de me fazer voltar a uma sala de cinema! Vamos esperar até o ano que vem pra ver no que dá...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uma noite com o novo do Megadeth

Bom, como todo mundo sabe, a banda Dave Mustaine e seus Megadeths está prestes a lançar um novo disco, de nome Endgame. Eu não posso dizer que seja um grande fanático pela dupla de discos lançados pelo quarteto desde a 'volta' do Mustaine (The system has failed, de 2004, e United abominations, de 2007), mas eles são bacanitos e é fato que um novo disco do cara é motivo de rebuliço imediato na cena metálica internacional.

O tal Endgame vem sendo apontado por meio mundo (inclusive pelo próprio líder Mustaine, de forma meio indireta) como o 'verdadeiro sucessor' do clássico-mor da banda, Rust in peace, mais ou menos como neguinho descreveu o The system has failed na época do seu lançamento. E todo mundo sabe no que isso deu, né...

Mas o fato é que o MuMu, em um raro momento de demonstração de simpatia para com seus fãs (ou melhor, adoradores), resolveu disponibilizar todas as faixas do novo disco de estúdio no myspace da banda!

E aqui vamos nós na nossa apreciação em tempo quase-real do candidato a clássico de 2009:

(antes de mais nada, tenho que dizer que essa capa é chocha pracaralho)

Faixa 1: Dialetic chaos
- Com dois minutos e uns trocados de duração, isso tá me cheirando a introdução instrumental...
- O disco abre com uns acordes bacanas, que criam um clima e depois descambam pra umas guitarrinhas melódicas quase-power-metal. Eu em tenho dito que esses caras tão cada vez mais power!
- Solinhos aloprados de puro metal! É isso que esperamos de você, MuMu! Bom, isso e mais um lendário mau-humor, descaso total para com os seus fãs e uns vocais esganiçados. Pelo menos você nos deu um quarto do necessário logo na primeira faixa.

Faixa 2: This day we fight!
- Essa música é inspirada em um discurso do Aragorn no filme do Senhor dos anéis! Porra, Mustaine revelando seu lado nerd para os fãs (que, no geral, também são bastante nerds). De qualquer maneira, isso é um mau sinal, porque os filmes do Senhor dos anéis são uma bela merda.
- Riff ultra-técnico que lembra a sensacional Wake up dead do Peace sells... but who's buying?. O que, no caso, é um bom sinal.
- O foda desses riffs aloprados do Mustaine é que às vezes eles soam meio sem propósito. Talvez seja o caso de ouvir a música mais vezes, mas de cara me parece algo que só existe pra demonstrar o tradicional 'nós tocamos pracaralho' e como o novo guitarrista, Chris Broderick, é fodaço pracaralho etc. e tal. Pelo menos o cara realmente é foda.
- Bom, a música é rápida, pesada, agressiva e metal pracaralho. Ela só não me chamou muito a atenção no sentido de 'tenho que ouvir de novo!'.

Faixa 3: 44 minutes
- Hmmm... introduçãozinha melódica de guitarra com áudio de cobertura jornalística de guerra, onde será que já ouvi isso antes? Terá sido em The system has failed? Terá sido em United abominations? Ou que tal nos dois?
- Essa faixa é mais cadenciada (puxa bastante atenção para o baixo) e melódica. Me lembrou a United abominations, só que mais fraca.
- Alguém devia convencer o Mustaine de que, quando ele tenta escrever letras 'relevantes' ele se sai bem pior do que quando fala de coisas idiotas. O Megadeth ganharia com um CD só de música de temática idiota.
- No fim, fiquei com a impressão de que essa música pode ganhar algum crédito com repetidas audições. Será que isso vai se tornar um tema até o fim deste disco?

Faixa 4: 1,320'
- Porra, riffzinho de abertura que remete ao So far, so good... so what!! Acho que estou no céu.
- Por sinal, o So far, so good... é um dos discos mais subvalorizados da história do metal. Ouçam essa porra!
- Pena que a música desemboca em uns riffs meio basicões, porque o que abre a faixa era promissor.
- De qualquer jeito, o trabalho de guitarras da dupla Mustaine/Broderick é fantástico.
- Quebradinha estranha... que ressalta o fato de esse baterista atual do Megadeth deixar bastante a desejar. Ele é meio quadradão demais. Mas tudo bem, o Megadeth nunca foi uma banda que primou por ter bateristas geniais.
- Ah, duelinho de solos! Esse é o bom e velho Medageth! E mais uma prova de que o novo guitarrista foi uma ótima contratação do bom e velho tiranão Dave.
- Essa foi a melhor faixa até aqui... foda!

Faixa 5: Bite the hand
- Riff inicial meio bunda e pseudo-gingado, mas depois mais riffzinho bem metal, me lebrou uma onda meio Skin o' my teeth. Pena que ele seja intercalado com o riff-bunda de abertura.
- Mais uma vez eu me vejo esperando que os riffs meio blah passem logo pra chegar de vez nos solinhos melódicos e fantásticos. O Megadeth devia gravar um disco só de instrumentais. Era capaz de sair uma obra-prima.

Faixa 6: Bodies
- Início cadenciado, com a guitarra parando pra a gente poder ouvir o baixo e justificar o salário do cara. Nada de mais.
- Pra uma música com esse nome (parece coisa de Cannibal Corpse), até que o refrão dela é bem melodicozinho. Quase feliz.
- Uma coisa que não se pode acusar do Megadeth atual é de ser pouco metal. Mesmo as músicas mais chinfrins são bem metal (não que essa faixa seja especialmente chinfrin, ela só me fez pensar nisso, já que tem uma atmosfera bem metalzona, mesmo não sendo do gênero 'argh!thrash!thrash!thrash!').
- Alguém aí vai se surpreender se eu falar que a parte instrumental tem guitarrinhas melódicas iradas e é bem melhor do que a parte cantada? Acho que não né...
- Opa! Só porque eu falei ali em cima, entrou um riffzinho aloprado de thrash no fim. Nesse momento, Mustaine pensa 'há! te peguei, meu adorador'!

Faixa 7: Endgame
- Introdução meio sinistra... como uma narração meio idiota e cheia de efeitos do Mustaine. Eu odeio esses tiranos de banda de metal que fazem umas narrações péssimas e põem uns efeitos na voz pra ver se enganam.
- Depois de uns riffs cadenciados meio genéricos, entrou um riffzão de thrash... meio genérico.
- Com seis minutos, essa música parece maior do que ela é. Mas sei lá... eu dei uma viajada no meio e por isso acabei escrevendo pouco sobre ela. De qualquer maneira, não foi algo que gritou no meu ouvido 'você tem que prestar atenção em mim!' então suponho que não seja grandes coisas.

Faixa 8: The hardest part of letting go... sealed with a kiss
- Hmmm... violõezinhos e tecladinhos. Seria uma baladinha safada? O nome é totalmente de baladinha safada.
- Hahahaha... vocal rouco e pseudo-sofrido de Mustaine. Fazia tempo que não ouvia isso.
- Depois de quase dois minutos de baladinha, a música ganha um riff galopante e uns tecladinhos-imitando-violinos meio toscos. Isso é quase coisa de Rhapsody (of Fire).
- Porra, voltou a baladinha, agora acompanhada de uma bateria de 'marcha' pra dar um drama extra. E ainda por cima Mustaine fazendo voz de bêbado largado pela namorada no boteco embaixo de casa não dá. Musiquinha melosa da porra. É o momento emo do disco.
- Alguém devia convencer o Mustaine de que ele não sabe escrever/cantar baladas. No geral, as baladas do Megadeth são uma merda (mas A tout le monde é foda!).

Faixa 9: Head crusher
- Porra, essa música é o melhor exemplo do que o Megadeth atual sabe fazer direito: power/thrash sem muitas firulas em que os vocais toscos do Mustaine não atrapalham e o trabalho de guitarras consegue elevar as coisas a um outro patamar. Boa impressão.
- Bons riffs, mas tem umas ondinhas meio pseudo-progressivas que eu não sei se são benéficas para a música. Mas não é nada que quebre o clima não.
- Mais um ponto positivo: letra de temática idiota. Lembra do que eu disse antes...?
- Não foi á toa que essa foi a primeira faixa a ser divulgada do CD: é típico Megadeth pós-retorno e, dentro desse universo, uma bela música. Poderia ser tranquilamente a abertura do CD ou dos shows que virão por aí.

Faixa 10: How the story ends
- O início é mais candenciadão, de novo dando uma colher de chá pro baixista. O cara tem que aparecer em algum lugar, né? É dura a vida de um baixista de thrash...
- O refrão tem uma pegada meio comercial, daqueles que podem tocar na rádio, mas pesado o suficiente pra não colocar a integridade da banda em risco.
- Porra, tem um violãozinho meio espanhol de introdução pro solo. Até que ficou bacana.
- Esse solo me lembrou um antigo do Megadeth... talvez o da Trust? Sei lá, até que a música tem algo de parecido com a Trust e aquele ar comercial do Cryptic writings. De qualquer jeito, é um bom solo.

Faixa 11: The right to go insane
- Há! Pseudo-solo de baixo! Mustaine pensa 'te peguei, meu adorador'!
- Mais um riffzinho cadenciado genérico. Aiai, Mustaine, Mustaine. Como vou poder te adorar assim, meu caro?
- O refrão aqui é do tipo comercial-mas-pesado da faixa anterior. Essa música tem um pouco cara de faixa-bônus. Acho que o disco terminaria melhor com a How the story ends. De qualquer jeito, nenhuma das duas é daquele tipo de faixa feita pra encerrar um álbum de forma apoteótica. Anti-climático.

Acabou e, bom, foram onze faixas e nenhuma delas era particularmente horrorosa, o que já é um bom sinal.

Com Endgame, o Megadeth continua no seu caminho de resgate do passado, iniciado em 2004 com The system has failed. É verdade que o novo CD é ainda mais pesado, agressivo e metal! do que o que a banda fez nos dois trabalhos anteriores, o que automaticamente vai fazer com que os adoradores de Mustaine encham nossos sacos dizendo que esse é o melhor disco de metal do ano, da década, do século e que só não é o melhor de todos os tempos porque o Megadeth gravou o Rust in peace em 1990. O que acaba me dando uma certa preguiça, porque os fãs do Megadeth são chatos pracaralho.

A minha impressão inicial é de que o disco vai acabar ficando naquele mesmo espectro de qualidade dos seus antecessores, tipo três estrelas no RYM, nada mais do que isso. É verdade que o impacto imediato dele é mais forte do que aquele do United abominations, mas não tão forte quanto o do The system has failed (que tem as melhores faixas individuais do Megadeth atual), mas o foda é que a empolgação causada no ardoroso fã está diretamente ligada à inspiração em riffs do passado da banda.

O fator decisivo que poderá salvar Endgame do selo de 'apenas legalzinho' é sua atmosfera puramente metal!, que certamente teve uma grande contribuição do produtor Andy Sneap, que consegue transformar qualquer porra em metal. Até se ele produzisse um disco da Madonna ia soar metal no fim das contas (não sei se perceberam, mas o cara é foda).

De qualquer jeito, é inegável que o CD é uma demonstração de vitalidade e empolgação por parte do Dave Mustaine, que não deixa dúvidas sobre sua vontade de tocar metal. Ou pelo menos de gravar discos, já que nos palcos o sujeito é um tremendo babaca de nariz empinado.

Bom, vamos ver o que o futuro guarda para Endgame (que, por sinal, sai no próximo dia 14).