Bom, como todo mundo sabe, a banda
Dave Mustaine e seus Megadeths está prestes a lançar um novo disco, de nome
Endgame. Eu não posso dizer que seja um grande fanático pela dupla de discos lançados pelo quarteto desde a 'volta' do
Mustaine (
The system has failed, de 2004, e
United abominations, de 2007), mas eles são bacanitos e é fato que um novo disco do cara é motivo de rebuliço imediato na cena metálica internacional.
O tal
Endgame vem sendo apontado por meio mundo (inclusive pelo próprio líder
Mustaine, de forma meio indireta) como o 'verdadeiro sucessor' do clássico-mor da banda,
Rust in peace, mais ou menos como neguinho descreveu o
The system has failed na época do seu lançamento. E todo mundo sabe no que isso deu, né...
Mas o fato é que o
MuMu, em um raro momento de demonstração de simpatia para com seus fãs (ou melhor, adoradores), resolveu disponibilizar todas as faixas do novo disco de estúdio
no myspace da banda!
E aqui vamos nós na nossa apreciação em tempo quase-real do candidato a clássico de 2009:

(antes de mais nada, tenho que dizer que essa capa é chocha pracaralho)
Faixa 1:
Dialetic chaos- Com dois minutos e uns trocados de duração, isso tá me cheirando a introdução instrumental...
- O disco abre com uns acordes bacanas, que criam um clima e depois descambam pra umas guitarrinhas melódicas quase-power-metal. Eu em tenho dito que esses caras tão cada vez mais power!
- Solinhos aloprados de puro metal! É isso que esperamos de você,
MuMu! Bom, isso e mais um lendário mau-humor, descaso total para com os seus fãs e uns vocais esganiçados. Pelo menos você nos deu um quarto do necessário logo na primeira faixa.
Faixa 2:
This day we fight!- Essa música é inspirada em um discurso do Aragorn no filme do
Senhor dos anéis! Porra,
Mustaine revelando seu lado nerd para os fãs (que, no geral, também são bastante nerds). De qualquer maneira, isso é um mau sinal, porque os filmes do
Senhor dos anéis são uma bela merda.
- Riff ultra-técnico que lembra a sensacional
Wake up dead do
Peace sells... but who's buying?. O que, no caso, é um bom sinal.
- O foda desses riffs aloprados do
Mustaine é que às vezes eles soam meio sem propósito. Talvez seja o caso de ouvir a música mais vezes, mas de cara me parece algo que só existe pra demonstrar o tradicional 'nós tocamos pracaralho' e como o novo guitarrista,
Chris Broderick, é fodaço pracaralho etc. e tal. Pelo menos o cara realmente é foda.
- Bom, a música é rápida, pesada, agressiva e metal pracaralho. Ela só não me chamou muito a atenção no sentido de 'tenho que ouvir de novo!'.
Faixa 3:
44 minutes- Hmmm... introduçãozinha melódica de guitarra com áudio de cobertura jornalística de guerra, onde será que já ouvi isso antes? Terá sido em
The system has failed? Terá sido em
United abominations? Ou que tal nos dois?
- Essa faixa é mais cadenciada (puxa bastante atenção para o baixo) e melódica. Me lembrou a
United abominations, só que mais fraca.
- Alguém devia convencer o
Mustaine de que, quando ele tenta escrever letras 'relevantes' ele se sai bem pior do que quando fala de coisas idiotas. O
Megadeth ganharia com um CD só de música de temática idiota.
- No fim, fiquei com a impressão de que essa música pode ganhar algum crédito com repetidas audições. Será que isso vai se tornar um tema até o fim deste disco?
Faixa 4:
1,320'- Porra, riffzinho de abertura que remete ao
So far, so good... so what!! Acho que estou no céu.
- Por sinal, o
So far, so good... é um dos discos mais subvalorizados da história do metal. Ouçam essa porra!
- Pena que a música desemboca em uns riffs meio basicões, porque o que abre a faixa era promissor.
- De qualquer jeito, o trabalho de guitarras da dupla
Mustaine/
Broderick é fantástico.
- Quebradinha estranha... que ressalta o fato de esse baterista atual do
Megadeth deixar bastante a desejar. Ele é meio quadradão demais. Mas tudo bem, o
Megadeth nunca foi uma banda que primou por ter bateristas geniais.
- Ah, duelinho de solos! Esse é o bom e velho
Medageth! E mais uma prova de que o novo guitarrista foi uma ótima contratação do bom e velho tiranão
Dave.
- Essa foi a melhor faixa até aqui... foda!
Faixa 5:
Bite the hand- Riff inicial meio bunda e pseudo-gingado, mas depois mais riffzinho bem metal, me lebrou uma onda meio
Skin o' my teeth. Pena que ele seja intercalado com o riff-bunda de abertura.
- Mais uma vez eu me vejo esperando que os riffs meio blah passem logo pra chegar de vez nos solinhos melódicos e fantásticos. O
Megadeth devia gravar um disco só de instrumentais. Era capaz de sair uma obra-prima.
Faixa 6:
Bodies- Início cadenciado, com a guitarra parando pra a gente poder ouvir o baixo e justificar o salário do cara. Nada de mais.
- Pra uma música com esse nome (parece coisa de
Cannibal Corpse), até que o refrão dela é bem melodicozinho. Quase feliz.
- Uma coisa que não se pode acusar do
Megadeth atual é de ser pouco metal. Mesmo as músicas mais chinfrins são bem metal (não que essa faixa seja especialmente chinfrin, ela só me fez pensar nisso, já que tem uma atmosfera bem metalzona, mesmo não sendo do gênero 'argh!thrash!thrash!thrash!').
- Alguém aí vai se surpreender se eu falar que a parte instrumental tem guitarrinhas melódicas iradas e é bem melhor do que a parte cantada? Acho que não né...
- Opa! Só porque eu falei ali em cima, entrou um riffzinho aloprado de thrash no fim. Nesse momento,
Mustaine pensa 'há! te peguei, meu adorador'!
Faixa 7:
Endgame- Introdução meio sinistra... como uma narração meio idiota e cheia de efeitos do
Mustaine. Eu odeio esses tiranos de banda de metal que fazem umas narrações péssimas e põem uns efeitos na voz pra ver se enganam.
- Depois de uns riffs cadenciados meio genéricos, entrou um riffzão de thrash... meio genérico.
- Com seis minutos, essa música parece maior do que ela é. Mas sei lá... eu dei uma viajada no meio e por isso acabei escrevendo pouco sobre ela. De qualquer maneira, não foi algo que gritou no meu ouvido 'você tem que prestar atenção em mim!' então suponho que não seja grandes coisas.
Faixa 8:
The hardest part of letting go... sealed with a kiss- Hmmm... violõezinhos e tecladinhos. Seria uma baladinha safada? O nome é totalmente de baladinha safada.
- Hahahaha... vocal rouco e pseudo-sofrido de
Mustaine. Fazia tempo que não ouvia isso.
- Depois de quase dois minutos de baladinha, a música ganha um riff galopante e uns tecladinhos-imitando-violinos meio toscos. Isso é quase coisa de
Rhapsody (of Fire).
- Porra, voltou a baladinha, agora acompanhada de uma bateria de 'marcha' pra dar um drama extra. E ainda por cima
Mustaine fazendo voz de bêbado largado pela namorada no boteco embaixo de casa não dá. Musiquinha melosa da porra. É o momento emo do disco.
- Alguém devia convencer o
Mustaine de que ele não sabe escrever/cantar baladas. No geral, as baladas do
Megadeth são uma merda (mas
A tout le monde é foda!).
Faixa 9:
Head crusher- Porra, essa música é o melhor exemplo do que o
Megadeth atual sabe fazer direito: power/thrash sem muitas firulas em que os vocais toscos do
Mustaine não atrapalham e o trabalho de guitarras consegue elevar as coisas a um outro patamar. Boa impressão.
- Bons riffs, mas tem umas ondinhas meio pseudo-progressivas que eu não sei se são benéficas para a música. Mas não é nada que quebre o clima não.
- Mais um ponto positivo: letra de temática idiota. Lembra do que eu disse antes...?
- Não foi á toa que essa foi a primeira faixa a ser divulgada do CD: é típico
Megadeth pós-retorno e, dentro desse universo, uma bela música. Poderia ser tranquilamente a abertura do CD ou dos shows que virão por aí.
Faixa 10:
How the story ends- O início é mais candenciadão, de novo dando uma colher de chá pro baixista. O cara tem que aparecer em algum lugar, né? É dura a vida de um baixista de thrash...
- O refrão tem uma pegada meio comercial, daqueles que podem tocar na rádio, mas pesado o suficiente pra não colocar a integridade da banda em risco.
- Porra, tem um violãozinho meio espanhol de introdução pro solo. Até que ficou bacana.
- Esse solo me lembrou um antigo do
Megadeth... talvez o da
Trust? Sei lá, até que a música tem algo de parecido com a
Trust e aquele ar comercial do
Cryptic writings. De qualquer jeito, é um bom solo.
Faixa 11:
The right to go insane- Há! Pseudo-solo de baixo!
Mustaine pensa 'te peguei, meu adorador'!
- Mais um riffzinho cadenciado genérico. Aiai,
Mustaine,
Mustaine. Como vou poder te adorar assim, meu caro?
- O refrão aqui é do tipo comercial-mas-pesado da faixa anterior. Essa música tem um pouco cara de faixa-bônus. Acho que o disco terminaria melhor com a
How the story ends. De qualquer jeito, nenhuma das duas é daquele tipo de faixa feita pra encerrar um álbum de forma apoteótica. Anti-climático.
Acabou e, bom, foram onze faixas e nenhuma delas era particularmente horrorosa, o que já é um bom sinal.
Com
Endgame, o
Megadeth continua no seu caminho de resgate do passado, iniciado em 2004 com
The system has failed. É verdade que o novo CD é ainda mais pesado, agressivo e metal! do que o que a banda fez nos dois trabalhos anteriores, o que automaticamente vai fazer com que os adoradores de
Mustaine encham nossos sacos dizendo que esse é o melhor disco de metal do ano, da década, do século e que só não é o melhor de todos os tempos porque o
Megadeth gravou o
Rust in peace em 1990. O que acaba me dando uma certa preguiça, porque os fãs do
Megadeth são chatos pracaralho.
A minha impressão inicial é de que o disco vai acabar ficando naquele mesmo espectro de qualidade dos seus antecessores, tipo três estrelas no
RYM, nada mais do que isso. É verdade que o impacto imediato dele é mais forte do que aquele do
United abominations, mas não tão forte quanto o do
The system has failed (que tem as melhores faixas individuais do
Megadeth atual), mas o foda é que a empolgação causada no ardoroso fã está diretamente ligada à inspiração em riffs do passado da banda.
O fator decisivo que poderá salvar
Endgame do selo de 'apenas legalzinho' é sua atmosfera puramente metal!, que certamente teve uma grande contribuição do produtor
Andy Sneap, que consegue transformar qualquer porra em metal. Até se ele produzisse um disco da
Madonna ia soar metal no fim das contas (não sei se perceberam, mas o cara é foda).
De qualquer jeito, é inegável que o CD é uma demonstração de vitalidade e empolgação por parte do
Dave Mustaine, que não deixa dúvidas sobre sua vontade de tocar metal. Ou pelo menos de gravar discos, já que nos palcos o sujeito é um tremendo babaca de nariz empinado.
Bom, vamos ver o que o futuro guarda para
Endgame (que, por sinal, sai no próximo dia 14).