Cacete, esse blog tá parado há muito tempo. Deus me livre. Então vamos aproveitar um hiato providencial aqui nas atividades sérias e louváveis do trabalho assalariado pra escrever besteiras sobre o mundo do metal! Pra minha sorte, os alemães do
Helloween me deram a desculpa perfeita pra parar de fazer o que eu deveria continuar fazendo e perder meu tempo com bobagens: a banda colocou o novo disco inteiro
no myspace!
Só pra encher linguiça, vamos fazer uma ambientação, a título de introito explicativo: até onde eu sei, o último disco do
Helloween,
Gambling with the devil, foi um sucesso considerável entre os fãs de power metal. Pra mim, é só um disco legal, resultado de uma tentativa de resgatar os tempos mais "pesados" da era
Andi Deris (
Better than raw,
The dark ride), mas certamente melhor do que os CDs anteriores (em particular o picaretaço
Keeper III).
Então vamos ver agora se os caras decidiram apostar de vez no lado mais pesado do seu som ou se mudaram alguma coisa... com vocês,
7 sinners (ou melhor, meus comentários instantâneos a respeito dele)!

Faixa 1:
Where the sinners go- Um riffzinho meio groove, pesado abre o disco... acho que a pergunta sobre o direcionamento musical acaba de ser respondida.
- É... isso remete ao
The dark ride mesmo. Pena que eu não sou muito fã daquele disco.
- Pô, não acredito que isso que eu acabei de ouvir é o refrão da música. Que coisa mais sem graça. Isso me lembrou de quando o
Kiss resolveu parecer malvado e muderno (caso você esteja se perguntando, também não funcionou muito bem com eles não).
- Caraca, há quanto tempo o
Helloween não abria um disco com uma música mais cadenciada? Se é que eles já fizeram isso alguma vez...
- Só pra sacanear meu comentário acima, a parte do solo é mais animadinha. Mas dura pouco.
- Bom, dá pra imaginar neguinho cantando e batendo cabeça num show, o que não é o pior dos cenários. Mas a música é meio fraquinha. Só a parte do 'sinner! sinner! sinner!' (sim, descaradamente roubada de
Sinner, do
Judas Priest - eles provavelmente vão dizer que é uma 'homenagem' ou coisa do gênero) dá um tchanzinho mais legal pra ela.
Faixa 2:
Are you metal?- Esse é o primeiro single do CD. Vamos ver se ele é mais alegre.
- Respondendo a minha própria pergunta: não.
- Cara, essa música tem uns tecladinhos exagerados que rivalizam com o mau gosto de um
Children of Bodom da vida. Que papelão.
- Caralho, o refrão é de uma profundidade incrível: 'Are you metal? Are you metal? Are you? Are you? Are you metal? Heavy metal? Are you?' Sensacional. Quer dizer, uma merda. Bom, pelo menos tem bumbo duplo no refrão.
- Ah não... o
Helloween chegou ao cúmulo de copiar o 'power metal extremo' do
Dragonforce com aquele blast beat do Paraguai. Tá de sacanagem com a minha cara! Será que eles ficaram com inveja e agora querem aparecer no novo
Guitar hero?
- Pô, fraquinha essa música... pra single então, nem se fala.
Faixa 3:
Who is Mr. Madman?- Falando em
The dark ride, o nome dessa música me lembrou automaticamente da grande
Mr. Torture. Será?
- Opa! Bumbo duplo! Mas o riff ainda é meio modernoso.
- Cara, riff stop-start. Um monte de tecladinhos safados. O que aconteceu com você,
Helloween? Essa porra tá tão modernosa que me lembrou o
In Flames muderno.
- Ah, finalmente um bridge/refrão maneiro. Essa é a melhor até agora (mesmo sendo muderninha), dá pra empolgar. Dá até pra fazer uma rodinha!
Faixa 4:
Raise the noise- Primeira faixa que já começa mais com cara de
Helloween mesmo. Agora vamos ver se presta.
- Pô, dois minutos de música e eu ainda não fiz nenhum comentário. Deve ter alguma coisa errada comigo. Ou com essa faixa.
- Ela é legal, mas pô, meio nada-de-mais. O refrão é bacana. Mas não é assim-assim.
Pelo menos é melhor do que as duas primeiras. Boa
Helloween!
- Que merda de solinho é esse? Flauta? Hahahahahaha. Ganharam pontos com esse solinho de flauta meio whatthefuck... caralho! E a coisa ainda fica melhor! Flauta dobrada com guitarra! Ó deus.
- Pô, sensacional. Fui conquistado por uma merda de um solinho de flauta (dobrado com guitarra não há quem resista). O disco está subindo no meu conceito!
Faixa 5:
World of fantasy- Tô começando a achar que aquele começo mais pesadão era fachada. Tudo bem, o disco até tem uma produção mais pesada, mas voltaram com força total as musiquinhas felizes do
Helloween. O que, no caso, é uma coisa boa.
- Aliás, isso é muito nome de musiquinha feliz a la
Helloween. Metal de auto-ajuda forever!
- E não é que ela faz jus ao nome? Porra, dá vontade de sair cantando o refrão. Bem bacana!
- Essa não tem flauta-dobrada-com-guitarra, mas tem guitarrinhas felizes dobradas, o que já é suficiente!
- Ahhhhh... essa coisa de subir o tom no último refrão é muito manjada! Porra! Mas tudo bem, a música é boa, esse disco tá indo por um bom caminho.
Faixa 6:
Long live the king- Nossa senhora, pros padrões da banda, isso aqui é quase metal extremo. Meio thrash o riff de abertura. Pena que depois cai num outro riff meio sem graça.
- Aliás, a melodia do vocal também é bem sem graça.
- E que merda de refrão é esse: 'Long live the kiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing!' Porra, eu sempre soube que letra de metal era uma piada de mau gosto, mas também não precisava apelar.
- Essa parte dos agudinhos do
Andi Deris é meio esquisitona. Sei lá, eu nunca engoli os agudinhos do
Andi Deris. Ele se sai melhor naquele vocalzinho tradicional meio hard rock dele.
- Pena que desperdiçaram um riff quase-thrash bacana em uma música meio chumbrega.
Faixa 7:
The smile upon the sun- Aiaiai... o começo dessa música indica uma baladinha-pesada de
Andi Deris. E elas não costumam ser lá grandes coisas.
- Poizé. Quem já ouviu uma ouviu todas. Tipo
If I could fly (existe hit mais inexplicável do que esse?) ou
As long as I fall. O pior é que eles sempre metem essas porras nos setlists pra dar aquele 'respiro'. Foi mal, mas eu não preciso de respiro em show de power metal.
- Acabou. Ainda bem.
Faixa 8:
You stupid mankind- Riffzinho grooveado. Ai, porra, mais tecladinhos sem-noção tipo
Bodom. Pra que aqueles finlandeses fanfarrões foram inventar essa merda? E, pior!, pra que que o
Helloween foi se meter a imitar isso?
- É, estamos de volta ao lado 'malvado' do disco. Banda de power metal devia ser multada quando fica querendo parecer malvada. É constrangedor pra eles e pra mim também.
- Pô,
Andi Deris fazendo vocal pseudo-agressivo (meio Gollum... hahaha) é sacanagem com minha cara feia.
- O solo dessa música é maneiro. Será que é
Weikath ou aquele cara ex-
Freedom Call (qual é o nome mesmo dele...?), ah!
Sacha Gerstner! Bom, de qualquer jeito o solo é maneiro. E provavelmente a única coisa que presta dessa faixa inteira.
Faixa 9:
If a mountain could talk- Pô, essa música tem quase sete minutos. Será que vai prestar...?
- Começou interessante... riff de metal tradicional agitado e tecladinho sem ser sem-noção. Ainda há esperanças para a humanidade!
- Não
Andi Deris, colocar efeitos na sua voz não vai fazer com que ela preste. Foi mal pela sinceridade.
- O refrão não é lá grandes coisas, mas é ok. A estrutura da música é bacana e tem um instrumental bacana. Já tá melhor do que eu esperava.
- Tem umas coisas que o
Weikath faz com a guitarra que faz com que qualquer música soe como
Helloween. Como esse solinho que eu estou ouvindo agora. É por isso que, mesmo com aquela cara de pastel dele, aquele cigarrinho apagado nos shows e aquela cartola ridícula, ele ainda é 'o cara' da banda.
- Boa música! Ponto pra vocês,
Helloween!
Faixa 10:
The sage, the fool, the sinner- Riff pesadão, mas agitado. Não sei porque, mas me deu a impressão de já ter ouvido antes. Talvez nesse próprio disco.
- É engraçado que o riff dessa música é pesadão, mas as melodias vocais são bem felizes e o refrão é meio metido a 'vamos cantar, gente!' Mas sei lá, até agora ela não me pegou não.
- Achando essa meio basicona. Mas com um pressentimento de que podem tocar isso ao vivo (acho que pelo refrão fácil de cantar).
- É, vou ficar com o 'meio basicona' mesmo.
- Esses efeitos sonoros do final são bem cafonas, hein?
Faixa 11:
My sacrifice- Tecladinho safado ataca novamente! E efeitos 'eletrônicos'! Nossa, o
Helloween está mesmo muito muderno!
- Pô, mas até que esse início da música é legal.
- Ah não... porra, ninguém avisou ainda esses caras de que eles não sabem fazer refrão dramático? A coisa tava caminhando bem até a tentativa (mal sucedida) do refrão dramático.
- Tem uma bateria quebrada no bridge que é legal. Pena que ele nos leva até o refrão caído.
Faixa 12:
Not yet today- Ah não... interlúdio viajante com
Andi Deris cantando bêbado no chuveiro é demais. Vem cá, pra que que banda de metal insiste em fazer interludiozinho sem propósito? Uma merda dessas funcionar é mais raro do que achar 50 reais no chão da Presidente Vargas.
Faixa 13:
Far in the future- Esse é o 'épico obrigatório' do disco. O riff grandioso do início não me deixa mentir.
- Rola uma cavalgada semi-thrash aqui. Vamos ver no que isso dá.
- Cara, esse CD tem muito teclado picareta! Pô, não rola. Tá demais, minha gente.
- Tô achando isso aqui muito forçado. Sabe quando nego mistura um monte de coisas nada a ver na mesma faixa pra ver se cola como 'progressivo' ou 'épico'? Poizé.
- É, sei lá. Meio nada a ver essa última faixa. Mas tudo bem né, todo mundo já sabe que tem que ter pelo menos um épico metido a besta a cada disco de power metal, certo?
Eu tava achando que esse disco ia seguir uma tendência mais pesada do que o
Gambling with the devil (mais ou menos como foi o
The dark ride depois do
Better than raw), mas na verdade ele tenta é ser mais moderninho do que o anterior. Eu sinceramente achei que os caras deram uma exagerada, especialmente nos tecladinhos descarados e também em alguns momentos do tipo 'queremos ser malvados'. Esse lance de ser malvado é um grande mal do power metal contemporâneo. Fica todo mundo pagando mico com essa porra.
Mas sei lá. O disco tem seus momentos, mesmo em algumas faixas mais mudernas. Pelo menos os caras não tão (re)gravando as mesmas músicas de sempre né, o que já é um alento. Não me parece ser nenhuma grande obra relevante na discografia da banda, mas pelo menos não faz vergonha como outras bandas grandes por aí...
7 sinners sai dia 9 de novembro!