Entre essas combinações, uma que sempre ficou meio dispersa ou indefinida foi a mistura com o jazz/fusion. Inicialmente, se não me engano, propagado pelas bandas de death metal técnico/progressivo americanas da primeira metade dos anos 90 (Atheist, Cynic), o jazz metal ou fusion metal (que seria um termo mais apropriado) nunca realmente decolou como gênero propriamente dito, ficando relegado a poucos exemplos ao longo da história.
O interessante é ver como, fora as duas bandas citadas, as poucas que poderiam ser enquadradas no gênero ficaram perdidas na memória coletiva do metal. Talvez seja o caso de ser uma combinação tão estranha que não agrada em cheio nem aos fãs de metal (a não ser aqueles mais aventureiros musicalmente), nem aos fãs de jazz/fusion (muitas vezes, o elemento 'repulsivo' pra esse pessoal são os vocais guturais/rasgados), o que torna o nicho ainda mais estreito. Eu mesmo conheço muito pouco de bandas que poderiam ser apontadas como jazz ou fusion metal (recentemente descobri uma, o sueco Art Metal, bem legal).
De qualquer maneira, uma nova banda do estilo tá aparecendo no horizonte: o holandês Exivious. O quarteto se define exatamente como fusion metal e, depois de duas demos, está pra lançar o debú, auto-entitulado.
A banda foi formada pelo guitarrista Tymon (hoje na 'nova' formação do Cynic) em 1997 e só estão chegando ao primeiro disco agora, o que pode ser mais uma prova de como a proposta de juntar jazz/fusion com metal gera um tipo de som fadado ao gosto de poucos. A banda conta ainda com mais um membro do atual Cynic (o baixista Robin Zielhorst) e um do Textures (o baterista Stef Broks; esse Textures aliás é mais progressivo mesmo, normalmente comparado ao Meshuggah).E quanto ao som dos caras? Bom, no myspace da banda dá pra ouvir duas músicas e ver um trailer do CD. Eles são meio caras-de-pau e se definem como 'o primeiro grupo verdadeiramente fusion metal' ou coisa parecida, mas a verdade é que o estilo do que se pode ouvir não é muito diferente das bandas já citadas. Aliás, com dois membros do Cynic na formação, a banda americana certamente parece ser a referência mais óbvia e acertada, com a diferença que o Exivious não tem vocais (afastando o ódio da galera anti-gutural ou anti-rasgado).
A construção das músicas também lembra um pouco o Art Metal, já que em muitas passagens ela parece ser feita de umas jams instrumentais a partir de riffs de rock/metal (que aqui não são realmente nem pesados nem agressivos). O que não caracteriza a coisa exatamente como jazz ou fusion, mas enfim, certamente temos elementos suficientes pra deixar a definição passar com tranquilidade.Claro que a performance, tecnicamente, é impressionante, mas a natureza de improvisação das músicas nem aparece tanto (talvez pelo processo de gravação de registrar cada instrumento separado, como se pode ver no tal trailer), o que aproxima a banda de mais uma dessas instrumentais de metal progressivo técnicas pracaralho. De qualquer jeito, o que se pode ouvir do material é interessante, em especial nas passagens mais melódicas/viajantes. Não é nenhuma revolução, mas é bonito.
Bom, quem sabe esse fim de década não seja o momento de o estilo da banda se firmar de vez como subgênero do metal? Com o disco do Cynic ano passado, novo do Pestilence esse ano, a volta do Atheist aos palcos e novas bandas surgindo (como nosso querido Exivious aqui), pode ser que a coisa finalmente saia. Será que o mundo está pronto pro fusion metal?
Ah, Exivious sai no dia 11 de maio!

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