Com vocês, o Holocaust!
Formado em 1977 em Edimburgo, o Holocaust começou como um quinteto. Na formação original e clássica, estavam o vocalista Gary Lettice, os guitarristas John Mortimer e Ed Dudley, o baixista Robin Begg e o baterista Paul Collins. Em 1980, os caras conseguem lançar os dois primeiros singles. O primeiro já chamou a atenção pra banda logo de cara, e acabou ficando pra história como um dos maiores clássicos não só da banda como de toda a NWOBHM: a apoteótica Heavy metal mania. No ano seguinte, o Holocaust gravou o tão sonhado debu, The nightcomers.
O disco é uma experiência única, não só para a época, mas dentro do heavy metal como um todo: à primeira vista, ele pode ser considerado bastante desconjuntado, já que a banda se alterna entre um hard rock riffado e cru, hinos puramente metálicos e faixas ultrapesadas, massacrantes e malígnas. Só que a banda consegue dar coesão a tudo isso através de alguns elementos: a produção, uma das mais sujas e barulhentas do movimento, que dá a todas as faixas uma aura de garagem e uma energia viva; a empolgação da performance da banda (que está longe de ser tecnicamente prodigiosa); a importância desmedida dada pelos caras aos maravilhosos riffs; e os vocais rasgados de Gary Lettice, que com certeza foram uma influência definitiva num tal de James Hetfield (especialmente depois de ele perceber que nunca ia conseguir ser o novo Sean Harris).Todos os 'tipos' de música que a banda explora funcionam maravilhosamente bem e rende clássicos imediatos, como a já citada Heavy metal mania, a genial Death or glory, a animadona e divertidíssima Smokin' valves e a destruidora faixa-título, que encerra o disco com um dos riffs mais arregaçadores e esmagadores da NWOBHM. Apesar dos destaques óbvios, todas as outras faixas do bolachão são excelentes.
É uma pena que o disco não tenha sido um grande sucesso na época, talvez pela proposta à primeira vista dispersa da banda (ou pela crueza esdrúxula com que os caras tocavam suas músicas), mas o fato é que o LP ficou marcado como um grande clássico da época. No ano seguinte, o Holocaust gravou mais um single, Coming through, com três músicas inéditas bacaninhas.Eu ainda não consegui descobrir exatamente porque, mas logo depois os caras lançaram um novo trabalho... ao vivo. Era prática relativamente comum para os grupos da NWOBHM gravar discos de inéditas ao vivo (muitas vezes servindo como o debu e que em grande parte acabaram por ser os únicos LPs das bandas), talvez pela dificuldade de arranjar grana para uma gravação decente em estúdio. O fato é que em Live (hot curry and wine), o Holocaust teve seu derradeiro registro da era 'clássica' e verdadeiramente NWOBHM.
O álbum (cuja gravação ainda mais suja que a do debu reforçava a força crua do metal da banda) tinha três regravações (sendo que a versão de The nightcomers na verdade é uma jam quase-noise sobre o riffzão absoluto da música) e mais cinco inéditas. A maior parte delas pendia para a veia mais rockeira da banda, mas certamente a mais importante das novas composições é do tipo 'devastadora e pesada pracaralho', chamada The small hours. Certamente, nenhum dos integrantes do Holocaust fazia ideia de como essa composição ia determinar o futuro da banda.
De qualquer jeito, depois do ao vivo, a banda, que já vinha tendo problemas internos, se desintegrou. No fim das brigas, o guitarrista John Mortimer acabou ficando com os direitos sobre o nome da banda e o outro guitarrista, Ed Dudley, montou o Hologram, que tem o logo com a mesmo fonte daquele do Holocaust! E que eu nunca ouvi, mas quem sabe não rende um post pra série mais pra frente...
O fato é que o nosso amigo John Mortiner gravou o terceiro disco do Holocaust, No man's land, praticamente sozinho (contando apenas com o baterista Steve Cowen). O disco, composto em grande parte de um hard rock cruzão, simples e mal produzido, foi um fiasco e a banda encerrou as atividades.
Mas eu disse que a música The small hours ia ser importante nessa história, não disse...? O fato é que, do outro lado do Atlântico, um tal de thrash metal começou a monopolizar as atenções da comunidade metálica, principalmente através de um tal de Metallica (haha!), que foi se tornando uma das maiores bandas de heavy metal do planeta. Em 1987, os caras (incluindo aquele mesmo tal James Hetfield) gravaram um disco de covers, Garage days re-revisited... que tinha como uma das músicas coverizadas exatamente a The small hours. E como o Metallica já dominava as atenções de todo mundo mesmo, ter um cover da sua banda gravado por eles era sinônimo de prestígio.
Empolgado pelo interesse renovado na sua banda, o bom e velho John Mortimer resolveu reativar o projeto, agora como um trio (o baixista Graham Hall e Steve Cowen completavam a nova formação). Assim, em 1989 foi gravado o EP The sound of souls, que marcou a volta do grupo à ativa, agora com um som mais experimental, quase industrial (o que casa muito bem com as raízes barulhentas do som da banda). Desde então, o Holocaust se mantém na ativa, tendo lançado mais cinco trabalhos de estúdio!
(eu ainda não conheço essa fase moderna do Holocaust muito bem não, mas o que eu ouvi é bem maneiro e algumas pessoas de bom gosto dizem que ela é tão boa quanto a era NWOBHM... que é fodaça!)De qualquer jeito, só pela fase inicial, os caras já deviam ser considerados uma das bandas mais fodaças do metal. O som desenvolvido por eles pode tranquilamente ser considerado com precursor para vários subgêneros do metal, principalmente o thrash e doom (nas faixas mais pesadonas) e o power metal (nas mais felizes e apoteóticas).
Que o digam (além do Metallica), bandas tão diferentes como Gamma Ray e Six Feet Under, que gravaram, respectivamente, as clássicas Heavy metal mania e Death or glory.
Além do mais, eles são escoceses... e, porra, a Escócia é foda demais!

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