sexta-feira, 17 de julho de 2009

30YOWOBHM: Virtue

Quando eu comecei a fazer esses posts em homenagem aos 30 anos da new wave of British heavy metal, eu logo percebi que eu não ia conseguir ouvir um número decente de bandas pra escrever sobre se eu tentasse ouvir a discografia inteira de cada grupo (especialmente porque eu ainda era deveras ignorante sobre o assunto no início do ano; agora já sou um pouco menos). Outra coisa que eu me dei conta logo de cara foi a já muitas vezes mencionada aqui quantidade absurda de bandas obscuras na cena.

A partir dessas observações, eu acabei tomando duas decisões relativas à série de posts:

a) usar o ano de 1983 como linha de corte para audição obrigatória pras bandas que duraram muito tempo ou gravaram muitos discos depois do declínio da NWOBHM; o ano em questão foi escolhido pelo fato de a maioria dos grandes clássicos do movimento já terem sido lançados até aí e também por ser o ano do surgimento do thrash, que acabou tirando os holofotes da cena inglesa definitivamente.

b) ouvir umas bandas obscuras com poucos discos em paralelo aos grandes clássicos da época, pra tentar manter os posts com alguma regularidade (o que infelizmente não funcionou assim muito bem, como se pode ver).

Pois bem, dizem por aí que tem sempre que haver exceções a qualquer regra, então digamos que o post de hoje é a exceção referente à primeira decisão citada acima (já a segunda foi quebrada por motivos de força maior).

Isso porque hoje é dia de falar do Virtue, uma das joias mais bem guardadas de toda a NWOBHM!

Como é o caso de toda banda verdadeiramente obscura, é extremamente difícil achar qualquer informação sobre o Virtue. O que se sabe é que a banda era um quinteto, formado em 1981 na cidade inglesa de Oxford, sabe-se lá por quem. Olhando o ano, é fácil de perceber que a banda chegava um pouco atrasada na cena inglesa, talvez influenciada pelas próprias bandas pioneiras da NWOBHM logo de cara.

(a formação da banda: Tudor Sheldon, vocais, Matt Sheldon, guitarras - seriam eles irmãos? - Boz Beast, guitarras, Darren Prothero, baixo, e Simon Walters, bateria; agora, se tu quer saber quem é quem aí na foto, já tá querendo demais)

Pois bem, o quinteto ficou de 1981 até 1985 pra conseguir gravar o seu primeiro single. Os motivo disso? Sabe lá deus. O fato é que isso não deixa de ser intrigante, especialmente porque muita gravadora pequena lançava bandas de NWOBHM a torto e a direito naqueles tempos, tentando faturar uma graninha fácil (até porque os discos eram crus e mal gravados, não deviam precisar de muito investimento). Depois desses quatro anos, em que a cena inglesa praticamente foi do seu auge pro nada, os caras finalmente gravaram o seu primeiro disquinho, We stand to fight!

Apesar da capa tosca, o fato é que as duas músicas do single são absolutamente sensacionais. Com elas, o Virtue se situa bem no espectro mais maideniano da NWOBHM, sendo levado por guitarras absolutamente sensacionais tanto em riffs quanto em melodias quanto em solos. Se alguém virasse pra mim e falasse que os caras ficaram os quatro anos só pra escrever as duas músicas, eu não só não duvidaria como ainda diria que valeu a pena!

(seriam nossos amigos Matt Sheldon e Boz Beast - que nome irado! - tocando riffzinhos animais em um buraco qualquer da Inglaterra? eu diria que sim!)

O importante é que as duas músicas são pra lá de fodas, verdadeiras pérolas do metal oitentista. Se o lado A, We stand to fight, tem aquela cara de hit imediato, sua companheira High treason não fica para trás, com linhas de guitarra sensacionais e aquela garra metálica típica das melhores bandas da época. Tudo traduzido perfeitamente na voz tecnicamente imperfeita, mas absolutamente contagiante, do Tudor Sheldon!

Pra quem ouve o single nos dias de hoje, fica aquela impressão de que era óbvio que o grupo iria fazer uma sensação no metal da época. O problema é que a história não foi bem assim. Não que eu saiba os motivos, mas pelo menos é fácil de identificar que o Virtue tinha dois problemas básicos. Além de ter obviamente um timing, digamos, equivocado, o fato é que a banda não era assim tão original. Tudo bem, ela era absolutamente empolgante, mas não necessariamente original. Claro que essas podem não ter sido as principais razões do sumiço da banda, mas provavelmete isso não ajudou!

Só que, como toda boa banda de NWOBHM, os caras não desistiram. Escreveram (pelo menos) mais três músicas e assinaram um contrato com uma gravadora obscura para lançar um EP. Imagino que os integrantes do Virtue pensaram algo do tipo 'agora vai!', só pra quebrar a cara logo depois (como certamente aconteceu com muito grupo de metal talentoso nos anos 80). A tal gravadora cancelou o lançamento por problemas financeiros e o EP foi pras cucuias. Ou pelo menos teria ido, se nossos amigos não tivessem espírito de luta. O que rolou foi que eles lançaram, em 1987, uma fita com as três músicas, dando a ela o nome do EP, Fool's gold.

(aqui eu normalmente botaria a capa do disco/CD/demo/etc., mas eu disse que o Virtue é obscuro, não disse? então, não dá pra achar essa capa em lugar nenhum! se é que ela existe!)

O pior de tudo é que as três novas músicas, apesar de não serem tão excepcionais quanto as duas do single, são excelentes! Na demo, a banda segue uma linha mais direta e rockeira, menos trabalhada (talvez sejam versões inacabadas ou ainda não totalmente lapidadas), mas o fato é que fica pairando aquela dúvida de 'como deixaram de lançar uma banda foda como essa?' na cabeça de quem ouve. Destaque óbvio para a genial Seek and destroy!

Então, o Virtue acabou. Sabe-se lá como ou porque, mas acabou. Onde será que andam esses rapazes hoje? Queria ter pelo menos o email de um deles pra falar como foi a maior sacanagem da paróquia metálica a banda ter tido tão triste fim! Aposto que eu faria um tiozão feliz com esse email!

Só que aí a gente fica com o absurdo de ver uma banda que encerrou as atividades depois de ter gravado apenas cinco faixas... sendo que todas elas figurariam fácil como destaque nos maiores clássicos da NWOBHM!

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