segunda-feira, 24 de agosto de 2009

30YOWOBHM: Gogmagog

Talvez seja da natureza inevitável dos supergrupos causar uma certa decepção em comparação às expectativas (sempre exageradas) criadas em torno desse tipo de projeto. Mas se tem uma banda que leva essa frustração ao extremo, essa é o Gogmagog.

Olhando apenas os créditos da banda e a época em que ela foi fundada (1985), é quase impossível de acreditar que ela não tenha dado certo: nos vocais, Paul Di'Anno (ex-Iron Maiden); nas guitarras, Peter Willis (ex-Def Leppard) e Janick Gers (ex-White Spirit e futuro Iron Maiden); no baixo, Neil Murray (o membro mais 'obscuro'); e, na bateria, Clive Burr (também ex-Iron Maiden). Uma verdadeira constelação NWOBHMástica.

Só que, vendo a discografia dos caras, descobriremos incrédulos que eles só gravaram um EP de três músicas e acabaram logo depois! Como é que essa banda foi dar errado, vocês me perguntam?

O problema é que o Gogmagog é o tipo de projeto que você só entende realmente quando pesquisa a história por trás dele. Na verdade, 'projeto' é realmente a palavra adequada aqui, já que eles não eram realmente uma 'banda'.

O grupo foi escolhido/reunido por um tal Jonathan King, produtor que queria faturar um dindin em cima da crescente popularidade do metal inglês. Aparentemente, o cara foi fazendo contato com os músicos um a um, sendo que alguns teoricamente teriam até recusado a proposta. O resultado foi o quinteto descrito acima, composto de músicos que, na época, estavam parados e/ou sem perspectivas de novas bandas (o guitarrista Peter Willis, por exemplo, tinha sido chutado do Def Leppard por problemas com a bebida).

No mesmo ano em que foram 'convocados', os caras gravaram seu primeiro e único registro em estúdio, o EP I will be there.

Consta que as faixas do EP seriam um aperitivo do primeiro disco propriamente dito do Gogmagog e que as outras até teriam sido gravadas nas mesmas sessões, mas o fato é que as três faixas de I will be there são as únicas coisas deixadas pelo grupo para a história do metal.

O problema é que as músicas são uma grande decepção. Não há, em nenhuma delas, o vocal contagiante e rasgado do Paul Di'Anno (que aqui tem uma veia mais melódica e rockeira), os solos empolgados do Pete Willis ou a pegada marcante da bateria do Clive Burr. Com performances bastante burocráticas de todos os integrantes, o que resta é um hard rock bem chinfrinzinho, com reflexos muito pálidos de NWOBHM, que tenta ser comercial em vão, conseguindo no máximo ser agradável e engraçadinho.

A coisa não colou nem com os fãs de metal da época, nem com os promotores de shows, que não deram a mínima pro quinteto. Decepcionado com a péssima recepção do EP e do projeto como um todo, o tal Jonathan King dispensou a galera e acabou com a carreira do Gogmagog (infelizmente, antes de se afastar do metal o cara ainda conseguiu arruinar a carreira de outra banda da NWOBHM, o Briar).

É compreensível que os músicos envolvidos não estivessem tão empolgados ao executar as músicas em um projeto com que eles não tinham assim tanta contribuição criativa, mas as raízes do problema só ficam claras mesmo quando se olha os créditos das músicas: as composições estavam a cargo do hitmaker Russ Ballard, sem participação alguma dos integrantes. É a confirmação de que os caras, por mais que fossem músicos experientes da cena metálica inglesa, eram pouco mais do que 'funcionários' contratados para um projeto que pouco/nada tinha a ver com eles.

Mais gritante do que isso, me parece a natureza nada espontânea da coisa toda, quase que uma antítese do que representou a NWOBHM pro metal como um todo. Talvez essa tenha sido a maior razão do fracasso do Gogmagog: trazer músicos que brilharam especialmente quando tocavam metal de forma apaixonada e descompromissada para um projeto forçado que não tinha nada disso.

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