O grupo foi fundado por um tal de Jason Simms, que canta, toca guitarra e está ficando careca como se vê na foto abaixo. A ideia dos rapazes é usar os textos do dramaturgo inglês como base pra fazer um espetáculo de metal. Além de adaptar passagens das obras do Shakespeare pras músicas (algumas vezes subvertendo as palavras etc. pra fazer umas piadinhas fáceis), os caras pegam pesado no lado teatral, usando pseudônimos no palco, roupinhas ridículas e interagindo com a plateia usando uma linguagem que simula/parodia aquela dos tempos do autor.
Tudo bem, tudo bem. eu até concordo com o cara que tanto Shakespeare quanto o metal têm um certo elemento de exagero, mais que isso, o metal tem - em grande parte - um senso de teatralidade bastante forte, o que poderia justificar a relação entre as duas coisas.(e, pra ser justo, outras bandas de metal já partiram da obra do Shakespeare pra lançar discos, como é por exemplo o caso do alemão Rebellion, que gravou o disco A tragedy in steel inspirado em Macbeth; ou do projeto Hamlet, aqui do Brasil, que gravou uma 'ópera metal' tendo como trama a peça mais famosa do escritor)
Mas querer traduzir o texto complicadíssimo do bardo inglês através do metal me parece um tanto quanto estúpido, em especial se pensarmos que a última coisa que costuma chamar atenção/importar no estilo são as letras. Mescladas à estética do metal (em particular do metal mais tradicional, que é o que a banda faz), as palavras do velho Bill perdem totalmente seu propósito, como se pode ver nesse vídeo da música To bleed or not to bleed (vale dar uma olhada só pelo ridículo da coisa).
Talvez isso seja mais 'culpa' da banda em si, que faz, a bem da verdade, um metalzinho burocrático e sem graça, que certamente depende da 'pegadinha' pra chamar alguma atenção no ultracraudiado cenário do metal atual. Só que, a julgar pela qualidade da música acima, essa atenção não deve durar muito...
De qualquer jeito, seria realmente impressionante que alguém conseguisse realizar a proposta dos caras de uma maneira decente, sem apelar pra uma postura supostamente engraçadinha. Taí algo que eu queria ver ser feito de uma forma inteligente, seria um desafio e tanto.
Mas o mais impressionante dessa história é testemunhar o cruzamento entre o teatro e o heavy metal, duas comunidades que me parecem completamente afastadas uma da outra. Mesmo que seja através de uma banda chinfrinzinha dessas, é o tipo de acontecimento que vale o post só pela surpresa!

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