O Blind Fury nasceu como uma colaboração entre o vocalista Lou Taylor e o guitarrista Kevin Heybourne, líder do Angel Witch, que na época estava em um hiato de atividades. Ao lado do baixista Pete Gordelier e do baterista Dave Hogg, a dupla gravou uma demo ultraobscura em 1984, que continha duas músicas. Uma delas, Evil games, viria a aparecer no segundo LP do Angel Witch, Screamin' 'n' bleedin'. A outra, Nowhere to run, também tem um riff que poderia facilmente ter sido aproveitado pela banda principal de Heybourne.O fato é que essa fase inicial acabou não dando certo, talvez pela iniciativa do guitarrista em reativar o Angel Witch mais uma vez. E essa acabou sendo a oportunidade perfeita para o nosso amigo Lou Taylor demonstrar o seu bom gosto no quesito 'guitarristas com quem eu gostaria de gravar', se juntando aos integrantes do Satan, que, por sua vez, estavam órfãos de vocalista depois da saída do sensacional Brian Ross (que decidiu reativar o Blitzkrieg).
Além de apreciar a arte da boa guitarra de heavy metal, o tal Lou Taylor também devia ser um cara gente boa pracaceta e de boa lábia, já que, além de ter convencido três dos melhores guitarristas da NWOBHM a tocarem com ele, conseguiu fazer com que os quatro membros do Satan se juntassem a ele e abandonassem o nome da sua banda. E assim se estabeleceu a formação 'clássica' da banda, que gravou em 1985 seu único LP, Out of reach.
Quando eu fiz meu post sobre o Satan eu escrevi sobre o disco 'que dizem as más línguas ser mais pro lado comercial e hard rockeiro', o que acabei descobrindo ser uma meia verdade. Na verdade, Out of reach passa sim uma impressão de ser mais comercial do que o som do Satan, não exatamete por se aproximar do hard rock, mas porque é um álbum extremamente melódico. Nele, a espetacular dupla de guitarristas Steve Ramsey e Russ Tippins leva a sua veia técnica para um lado menos pesado e sombrio (não que o Satan fosse extremamente agressivo), o que dá às músicas uma cara mais leve e palatável.Outra coisa que leva o LP para o lado mais comercial é a produção bem mais límpida do que o que se costuma ouvir da NWOBHM e que coloca o vocal em destaque muito maior do que as guitarras (o que é uma pena, porque o instrumental é tranquilamente o melhor que a banda tinha a oferecer). Isso, aliado ao lado bem melódico das músicas, também faz um elo de ligação entre o som do Blind Fury e o power metal europeu, que na época estava em formação.
O problema é que, apesar da sua habilidade em se juntar a grandes músicos de NWOBHM, o Lou Taylor não era lá um grande vocalista. Pelo contrário, o cara - apesar de ter lá sua técnica e voz afinadinha - é pra lá de genérico e bem chatinho, arruinando algumas músicas que poderiam ser bem interessantes. Aliás, apesar de uma dose razoável de bons riffs, solos e melodias, as linhas vocais tendem a ser totalmente sem-graça e nada memoráveis, o que eu não se é culpa do vocalista ou não. O fato é que (assim como acontecia na demo) o vocal é o ponto fraco de Out of reach e fica muito aquém do que se ouve das guitarras.
(Lou, Lou, você é um manézão... arruinou as chances da sua própria banda dar certo!)Com isso, o disco acabou - com certa justiça, devo dizer - ficando esquecido como item de colecionador para fãs de Satan e/ou NWOBHM em geral. Os quatro integrantes da parte instrumental do Blind Fury reativaram sua banda original, enquanto o vocalista aparentemente desistiu da música (pelo menos até onde eu pude averiguar).
De qualquer maneira, pra quem gosta de um metal bem melódico e razoavelmente técnico (e não se importa muito com vocais meio genéricos, apesar de afinadinhos), vale uma conferida em Out of reach.

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