Por essas e outras, desde que eu comecei a escrever sobre o tema eu ficava me perguntando se essa idade de três décadas era realmente precisa pra justificar o assunto ou se era mais a famosa 'desculpa de que eu tava precisando' pra conhecer a NWOBHM. Bom, o ponto é que minhas dúvidas finalmente se dissiparam quando eu ouvi o Mythra, banda do post de hoje!
A formação da banda remonta a 1976 (!!!), quando uns muleques de escola se juntaram para tocar rock pesado. As influências dos garotos eram o heavy metal da época (Sabbath, Priest) e aquelas bandas britânicas de hard-rock-quase-metal tipo UFO e Thin Lizzy. E como todos os grupos da nascente NWOBHM, os caras caíram no circuito de bares, pubs, casas de shows furrecas etc. assim que conseguiram uma formação estável.
(sempre que eu olho essas fotos, eu fico imaginando como não deve ter sido acompanhar isso de perto... por um lado, devia ser foda pracaralho, mas por outro devia ser a maior tosquice dos infernos)Mas o Mythra conseguiu logo cedo fazer o que poucas bandas da NWOBHM coneguiram: gravar um disco ainda nos anos 70! No caso, o EP de quatro faixas Death and destiny.
Apesar de ser impressionante o simples fato de ele ter sido gravado tão cedo na história da cena, certamente a coisa mais foda do disquinho é o fato de ele já encapsular com perfeição a sonoridade e a proposta da sua geração, aliando a crueza e o espírito suado do punk inglês com as influências musicais citadas anteriormente, forjando um som ridiculamente empolgante e eminentemente e evidentemente metálico. Nem o Saxon, que lançou um LP em 1979, era tão heavy metal quanto o Mythra assim desde o início!
Das quatro músicas do EP, três são arrebatadoramente fodas e poderiam ter se tornado tranquilemente hinos da NWOBHM (a faixa Killer é especialmente foda). O resultado foi que o EP vendeu 15 mil cópias em 20 dias e o Mythra começou a aparecer em textos de revistas especializadas e a fazer shows ao lado de bandas importantes (tipo Motörhead) e parecia que as coisas estavam caminhando irreversivelmente na direção da fama.O grande mistério da história é que o EP chegou a ser relançado por outra gravadora, mas a banda de alguma maneira não foi pra frente. Os caras ainda registraram umas demos, mas acabaram sendo deixados pra trás pelos grupos que vieram a se tornar os líderes da cena e, assim, o Mythra terminou por pendurar as guitarras. O porque disso eu não consegui descobrir.
No fim dos anos 90, foi editado um CD contando com as quatro faixas do EP e mais nove 'inéditas' (possivelmente material das demos gravadas no início dos anos 80). Provavelmente o disco causou algum tipo de repercussão, já que em 2002 a banda voltou à ativa e lançou seu primeiro álbum de inéditas propriamente dito, The darkener. Esse eu ainda não ouvi pra tecer comentários...É uma pena que o Mythra não tenha gravado mais material, pelo simples fato de que metalzão cru, direto, empolgado e empolgante dos anos 80 nunca é demais. De qualquer jeito, os caras me provaram que, sim, 1979 pode ser considerado tranquilamente como o marco inicial da NWOBHM.
E não é nada mal um movimento começar com um irado EP desses, isso é fato. Pelo contário, além de um bom sinal, Death and destiny foi essencialmente uma antecipação das melhores coisas que a NWOBHM deu ao metal como um todo!

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