quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Feliz metal 2009

Quando eu escrevi o primeiro post intitulado 'Feliz metal' nunca passou pela minha cabeça que isso pudesse um dia virar um tema pra blog. Não que eu não ache que a ideia seja boa o suficiente ou que eu ache que o Papai Noel é um filho da puta que rejeita os miseráveis ou que eu queira matá-lo, nada disso. Mas, porra, nunca poderia pensar que a mistura de natal com heavy metal pudesse render mais de um postzinho solitário.

E quem foi que apareceu pra me contradizer? Ele!, o carecão, deus(a) do metal, uma das figuras mais absurdamente fodas da história da música, o meste Rob Halford. O cara reativou sua banda solo, o Halford, pra gravar um CD natalino!

(não, isso não é uma piada!)

O resultado foi o CD Winter songs (também chamado de Halford 3), que mistura quatro composições novas a 'clássicos' natalinos e/ou de fim de ano com roupagem heavy metal e tendo à frente a voz sempre majestosa do Robão.

É óbvio que só a ideia em si é esdrúxula demais pra se levar a sério - mas por outro lado é esdrúxula demais pra não dar pelo menos uma ouvida, rápida que seja, no álbum. Tenho que confessar que fiquei com o disco umas semanazinhas no meu mp3 genérico, me familizarizando com o espírito natalino de metal do sujeito. E até que a coisa não é tão ruim assim...

Por um lado, o tal Winter songs acaba nem sendo tanto um CD de metal propriamente dito, já que tem bem mais baladinhas do que o que seria normalmente aceitável em algo do tipo, entre elas a única música que eu conhecia dos seis covers: a manjadona Holy night. O lado mais mela-cueca do disco é também o mais chato e como ele marca presença forte no tracklist (o que, obviamente, era de se esperar), acaba comprometendo parte da diversão.

Outra coisa que atrapalha é que o Halford leva a sério demais a ideia do CD natalino. Ao contrário do Twisted Sister, que gravou o disco A twisted christmas avacalhando canções de natal, ou da própria coletânea que foi tema do meu primeiro post, os caras perdem a oportunidade de aproveitar a natureza absurda da mistura pra dar um ar menos sério e pomposo às faixas (o que, mais uma vez, é realçado pela interpretação 'séria' das baladinhas).

A parcela mais metal! da coisa, no entanto, não deixa a desejar. As músicas 'pesadas' são interessantes pelo fato de não terem nenhuma aura real de agressividade ou de peso (em um sentido ameaçador ou perturbador), focando bastante em um clima festeiro e feliz, o que, por diversas vezes, cria uma fronteira com gêneros como hard rock e power metal/metal melódico. Isso aparece tanto nas músicas inéditas - como a abertura Get into the spirit (a mais metal! de todas, quase uma versão alegre da Painkiller), e as animadíssimas Christmas for everyone (sensacional) e I don't care - como nas regravações. Nesse último caso, o destaque fica pra We three kings e Oh come o come Emanuel, que aqui são convertidas em hinos metálicos irrepreensíveis.

O balanço geral é que Winter songs, apesar de não funcionar lá tão bem como álbum natalino ou como álbum de metal, acaba sendo um experimento com resultados divertidos e que, bem ou mal, acaba encontrando um clima inusitado e quase inédito pro metal.

O que é bem mais do que eu poderia esperar de um ideia aparentemente tão besta quanto essa.

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