terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Shows que eu gostaria de ver: o 'big four' do thrash

Esse é um boato que tava circulando há meses na imprensa: a possibilidade de as quatro maiores bandas do thrash americano se reunirem para uma turnê sinistra e insuperável do saudoso thrash oitentista. Pois bem, parece que agora a coisa se confirmou, ou pelo menos quase isso: segundo o site oficial do Metallica, o tal 'big four' (além da banda de James e Lars, estão na seleta lista Megadeth, Slayer e Anthrax) vai estar junto ao vivo pela primeira vez em junho de 2010, no festival Sonisphere, na Polônia e na República Tcheca. E que mais datas (provavelmente) estão por vir.

A história remete ao longínquo ano de 1990, quando aconteceu a clássica turnê Clash of the titans, com Megadeth e Slayer de headliners. A viagem começou pela Europa, em que a dupla tocava acompanhada de Suicidal Tendencies e Testament.

(não custa lembrar que, na época, o Slayer excursionava pelo Seasons in the abyss e o Megadeth pelo Rust in peace... putaqueopariu!).

Obviamente a parada foi um sucesso ridículo, o que se refletiu em uma nova edição do Clash of the titans já em 1991, nos Estados Unidos. Dessa vez, com três headliners: além dos dois da versão europeia, tava lá o Anthrax (divulgando o fantástico Persistence of time). Como banda de abertura, os caras levaram um totalmente-nada-a-ver Alice in Chains.

Desde essa época se cogitava a possibilidade da reunião dos 'quatro grandes', o que nunca rolou por diversos motivos. Como por exemplo os inúmeros desentendimentos entre integrantes das bandas, particularmente entre o Mustaine e o resto da galera, como sua ex-banda e o Kerry King. Por sinal, Megadeth e Slayer acabaram de fazer uma turnê conjunta em que os dois ficaram trocando farpas através da imprensa o tempo todo.

Bom, talvez em celebração dos 20 anos do Clash of the titans original, os caras deixaram as picuinhas de lado e a parada vai rolar!

E, problemas pessoais à parte, é fato, fato!, que isso aí vai ser um evento foda-pra-caceta-ao-cubo. Tudo bem que eu já vi shows de todas as bandas citadas, mas, porra, a reunião em si já é algo a se conferir (e as apresentações individuais não são lá de se jogar fora não). Pena que os caras de uma maneira geral se odeiam, senão podia sair uma supermegajam de clássicos da NWOBHM no fim do set do Metallica... isso sim seria algo inesquecível pracaralho!

Sinceramente, eu trocava fácil o Megadeth por um Testament ou um Exodus da vida, bandas que eu também já vi ao vivo, mas que esmagam a arrogância do Mustaine em cima dos palcos.

E se isso não é mais uma prova cabal da volta do thrash, eu sou uma galinha d'Angola!

(mas obviamente isso é tudo devaneio de um headbanger, porque uma porra dessas nunca vai rolar no Brasil... já na terra do ex-Papa rola)

Pelo menos no Monsters de 1998 já deu pra ver Slayer e Megadeth na mesma noite. Não é a mesma coisa, mas não dá exatamente pra reclamar...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Engame vs. Death magnetic

O revival do thrash oitentista é um movimento que vem crescendo, ganhando força e ocupando espaço há bastante tempo, mas não seria nenhum exagero dizer que ele atingiu o ápice nos últimos dois anos (nessa conta já incluindo o quase-finado 2009). Não só porque nomes como Municipal Waste, Evile e Warbringer passaram a ganhar destaque na mídia especializada, nas listas de melhores do ano e nas bandas favoritas de músicos renomados, ou por causa das legiões de bandas que surgem a cada segundo no underground, fortalecendo a onda e muitas vezes superando os grupos mais famosos em qualidade e empolgação.

Talvez o fator mais importante pra se declarar que o neothrash chegou ao seu auge na consciência metálica popular seja o fato de que ele fez sua presença ser sentida pelas maiores bandas da história do thrash. É verdade que muitos conjuntos essenciais do gênero já tinham entrado nessa onda ao longo da última década (como o resgate do thrash pelos alemães do Kreator e Destruction, a volta do Testament etc.), mas só agora ela chegou à linha de frente mesmo do subgênero.

Muito se fala sobre um teórico 'big four' do thrash, que seria composto por Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, mas, se a gente for olhar em termos de popularidade e sucesso comercial, é fácil de perceber que as duas últimas ficam bem pra trás em relação ás duas primeiras. De qualquer maneira, desses quatro, é evidente que o Anthrax foi o único a não ser contaminado pelo neothrash (apesar de o último trabalho dos caras ainda estar inédito, então essa é uma afirmação ainda incerta): Metallica, Megadeth e (em menor grau) Slayer lançaram nos últimos anos (2008-2009) CDs que refletem a ressurgência do estilo que os consagrou.

O caso do Slayer é um tanto diferente dos de Metallica e Megadeth, já que não houve exatamente uma reprodução do estilo de outrora: a principal mudança no sentido 'volta no tempo' foi o retorno do baterista Dave Lombardo pra recompor a formação clássica da banda, resultando na gravação do Christ illusion. Além disso, não dá pra dizer que o álbum de 2006 ou que o novo World painted blood sejam um resgate do Slayer antigo (ou pelo menos que sejam mais cópia do que os caras vêm fazendo desde o Seasons in the abyss).

O que faz com que os melhores exemplos de tudo isso que eu enrolei pracaceta pra dizer em quatro longos parágrafos sejam os últimos trabalhos de estúdio de Metallica e Megadeth. O que, aliado à conturbada relação histórica entre as duas bandas (a eterna batalha Lars e James vs. Dave), abre espaço pra fazermos uma comparação babaca (mas não tão despropositada assim) entre os dois discos. Até porque todos os fóruns de heavy/thrash/pop metal da internet já sofreram bastante com discussões do tipo 'Megadeth sux, Metallica rlz' ou 'Endgame eats Death magnetic for breakfest, ha!' e tosquerias do gênero.

O CD do Metallica foi lançado em 2008 e na época causou um grande rebuliço no mundo do heavy metal e também fora dele. O fato de James, Kirk e Lars voltarem a tocar metal e reeditarem estruturas típicas dos seus grandes clássicos dos anos 80 (com solos!) levou muita gente a reviver a fé na 'maior banda de metal do mundo'. O disco vendeu pracaceta, ganhou Grammy, recolocou o Metallica na mídia e, lógico, também deu combustível renovado praqueles que ainda se consideram traídos pela era Load-Reload-e-especialmente-St.-Anger-como-eles-conseguiram-gravar-um-disco-tão-ruim soltarem os cachorros em cima da banda.

É fato que o disco tem lá seus (muitos e gritantes) defeitos, mas no geral, pra mim, o prazer de ouvir os caras tocando aquele thrashzão pésadão que os consagrou acabou superando as decepções - além disso, me parece inegável que o disco tem alguns belíssimos momentos.

O disco do Megadeth saiu esse ano e - obviamente - não causou tanto alarde (provavelmente pra mais uma decepção do monsieur Mustaine) pelo mundo afora. Mas na comunidade metálica ele foi um tremendo sucesso, sendo ovacionado em 99% das resenhas que eu li (especialmente na internet). E claro que a fãzada pentelha do MuMu perturbou a paz de todo mundo falando que esse era o melhor disco de todos os tempos depois do Rust in peace (e talvez, quem sabe, do Peace sells).

Afora a idiotice inerente de querer comparar os dois álbuns (é evidente que os estilos das duas bandas são - hoje - bem diferentes), esse confronto é, por um lado, inevitável. E depois de você ouvir/ler um milhão de vezes retardados descontrolados dizendo que um é muito melhor do que o outro, simplesmente não dá pra não ficar com vontade de dar a sua opinião.

(e essa comparação é foda porque o Mustaine é uma figura tão babaca e arrogante que eu nunca consigo olhar pro Megadeth com a mesma boa-vontade que eu tenho com o Metallica)

Só que, no fim das contas, o fato é que - guardadas as devidas proporções - os dois discos são bastante semelhantes. Não só 'espiritualmente' como na prática mesmo.

Tanto o Metallica quanto o Megadeth já estavam nesse caminho de resgatar as glórias perdidas há algum tempo. Tudo bem, você pode achar que o St. Anger não tem porra nenhuma a ver com o Metallica clássico, mas existem ali diversos elementos trazidos da fase áurea, como as longas durações das faixas, o peso, a agressividade (além de coisas 'menores', como um logo mais parecido com o clássico, a ilustração da capa feita pelo artista Pushead e o fato de as letras aparecerem integralmente no encarte). Na verdade, se você para pra pensar, do lado do Load até o Reload já parece um passo (tá bom, um passinho, quase um tropeço) na direção da volta às origens.

No caso do Megadeth, isso também vem de algum tempo. A começar pelo tenebroso The world needs a hero (possivelmente o pior CD da minha vasta coleção), que foi uma resposta ao som bem comercial do Risk. E, desde a 'volta' do Mustaine com o The system has failed, os fãs da banda vêm consistentemente proclamando que o último disco resgata os bons tempos do Rust in peace. Só que nesse caso, o MuMu fez uma transição bem mais rápida ao metal, adotando uma espécie de estética 'power metal americano' com alguns toques de Megadeth clássico e também da fase pós-thrash.

Só que nenhum dos discos mencionados nos últimos parágrafos refaz o percurso de outrora como os últimos trabalhos de estúdio das duas bandas. Death magnetic e Endgame são CDs em que várias vezes você se pega pensando que tal passagem lembra tal disco, tal riff é de tal música, tal estrutura já apareceu em tal clássico. Em cima disso, nos dois discos você consegue ouvir referências claras a todas - ou quase todas - as fases da banda em questão. E, também nos dois casos, esse caminho parece ter sido uma decisão bem consciente, divulgada dessa forma e sentida como tal pelo ouvinte.

Entrando em uma discussão qualitativa completamente despropositada, acho que cada um dos dois têm suas vantagens. O disco do Megadeth tem o mérito e a vantagem objetiva de ser bem mais metal! do que o do Metallica (ser mais metal é algo que faz de você objetivamente melhor! não tem caô!), seja na produção (que, apesar de ser meio linha-de-produção-do-Andy-Sneap é foda pracaralho; aliás, qualquer coisa que o Andy Sneap faz acaba sendo foda de um jeito ou de outro), na performance dos músicos (o Chris Broderick é foda demais e fez uma dupla fabulosa com o Mustaine) e até mesmo em grade parte das composições. Talvez por isso, não exista nenhum momento mais 'Risk' no álbum.

As grandes vantagens do disco do Metallica - pra mim - são o repertório e a consistência. Nada em Death magnetic é genial como nos tempos áureos, mas as faixas (em especial as da primeira metade) são empolgantes, daquelas que você fica com vontade de ver no show pra cantar junto e bater cabeça. Os riffs são bons, os refrãos são pegajosos, as estruturas das músicas são bem pensadas. Não são nada que a banda não tenha feito antes, mas funciona. Além disso, também impressiona o fato de ele reunir referências a todas as fases do Metallica com uma consistência bem sólida. É um disco que dá vontade de ouvir e reouvir como um todo, e não só colocar os hits no mp3 genérico, coisa que acontece com Endgame (assim como nos dois CDs anteriores do Megadeth).

Eu sempre fui meio partidário do Metallica na eterna briga com o Megadeth (apesar de favorecer a banda do Mustaine no período de 88-90), então minhas considerações não precisam ser levadas muito a sério (tá, eu admito, escrevi essa frase só pra evitar que os puxa-sacos de MuMu não me mandem comentários ofensivos desnecessários).

Mas a verdade é que os dois discos são bem nivelados entre si. Talvez seja até o caso de preferir um ou outro dependendo do dia. De qualquer maneira, me parece que, mesmo com todos os defeitos (em especial aquela decisão pensada de 'vamos voltar no tempo pra ver se ganhamos alguma credibilidade e mais uns trocados') dos dois álbuns, esses parecem ser os melhores lançamentos das duas bandas desde os tempos clássicos.

(sim, o preto e o Countdown to extinction contam como período clássico! não me encham o saco!)

Será que eles vão conseguir manter o bom nível nos próximos trabalhos? Essa é a pergunta que não quer calar!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Feliz metal 2009

Quando eu escrevi o primeiro post intitulado 'Feliz metal' nunca passou pela minha cabeça que isso pudesse um dia virar um tema pra blog. Não que eu não ache que a ideia seja boa o suficiente ou que eu ache que o Papai Noel é um filho da puta que rejeita os miseráveis ou que eu queira matá-lo, nada disso. Mas, porra, nunca poderia pensar que a mistura de natal com heavy metal pudesse render mais de um postzinho solitário.

E quem foi que apareceu pra me contradizer? Ele!, o carecão, deus(a) do metal, uma das figuras mais absurdamente fodas da história da música, o meste Rob Halford. O cara reativou sua banda solo, o Halford, pra gravar um CD natalino!

(não, isso não é uma piada!)

O resultado foi o CD Winter songs (também chamado de Halford 3), que mistura quatro composições novas a 'clássicos' natalinos e/ou de fim de ano com roupagem heavy metal e tendo à frente a voz sempre majestosa do Robão.

É óbvio que só a ideia em si é esdrúxula demais pra se levar a sério - mas por outro lado é esdrúxula demais pra não dar pelo menos uma ouvida, rápida que seja, no álbum. Tenho que confessar que fiquei com o disco umas semanazinhas no meu mp3 genérico, me familizarizando com o espírito natalino de metal do sujeito. E até que a coisa não é tão ruim assim...

Por um lado, o tal Winter songs acaba nem sendo tanto um CD de metal propriamente dito, já que tem bem mais baladinhas do que o que seria normalmente aceitável em algo do tipo, entre elas a única música que eu conhecia dos seis covers: a manjadona Holy night. O lado mais mela-cueca do disco é também o mais chato e como ele marca presença forte no tracklist (o que, obviamente, era de se esperar), acaba comprometendo parte da diversão.

Outra coisa que atrapalha é que o Halford leva a sério demais a ideia do CD natalino. Ao contrário do Twisted Sister, que gravou o disco A twisted christmas avacalhando canções de natal, ou da própria coletânea que foi tema do meu primeiro post, os caras perdem a oportunidade de aproveitar a natureza absurda da mistura pra dar um ar menos sério e pomposo às faixas (o que, mais uma vez, é realçado pela interpretação 'séria' das baladinhas).

A parcela mais metal! da coisa, no entanto, não deixa a desejar. As músicas 'pesadas' são interessantes pelo fato de não terem nenhuma aura real de agressividade ou de peso (em um sentido ameaçador ou perturbador), focando bastante em um clima festeiro e feliz, o que, por diversas vezes, cria uma fronteira com gêneros como hard rock e power metal/metal melódico. Isso aparece tanto nas músicas inéditas - como a abertura Get into the spirit (a mais metal! de todas, quase uma versão alegre da Painkiller), e as animadíssimas Christmas for everyone (sensacional) e I don't care - como nas regravações. Nesse último caso, o destaque fica pra We three kings e Oh come o come Emanuel, que aqui são convertidas em hinos metálicos irrepreensíveis.

O balanço geral é que Winter songs, apesar de não funcionar lá tão bem como álbum natalino ou como álbum de metal, acaba sendo um experimento com resultados divertidos e que, bem ou mal, acaba encontrando um clima inusitado e quase inédito pro metal.

O que é bem mais do que eu poderia esperar de um ideia aparentemente tão besta quanto essa.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Música irada do dia: Hino do Flamengo

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer!

Na regata ele me mata
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado
Mais cotado nos Fla-Flus
É o 'ai Jesus!'

Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo

Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pesou
Flamengo até morrer eu sou!

Hexa porra!