Bom, sem mais delongas, vamos aos eleitos pelos manés do Grammy a concorrer pelo prêmio.
Judas Priest - Dissident aggressor:A lista já começa com uma seleção controversa. 'Peraí' vai dizer algum truezão de plantão 'como você pode chamar Judas Priest ou Dissident aggressor de controverso?!?!?'. Antes que alguém se irrite com a minha pessoa, eu acho Judas uma das coisas mais fodaças do universo metal e Dissident aggressor uma música animalesca. Mas, porra, não estamos falando da indicação ao Grammy de 1977. Confesso que mesmo que estivéssemos no fim dos anos 70, ainda acharia a indicação estranha (o Sin after sin tem faixas mais fodas e clássicas, como Sinner e até mesmo o cover de Joan Baez Diamonds and rust), mas em pleno 2010 me parece um disparate! Porra, que tal incentivar as bandas novas, caralho? A música foi tirada do ao vivo A touch of evil, de 2009, que nem foi muito bem recebido (eu não ouvi). A versão é até legal, mas porra. Achei a indicação escrota e só dá pra tolerar porque Judas é Judas.
Lamb of God - Set to fail:Mesmo não conhecendo muita coisa de Lamb of God, acho que a indicação deles é a mais interessante da lista pelo simples fato de ser a banda mais 'jovem' da lista. Tudo bem, os caras não são nem tão novos assim (o álbum de onde saiu a faixa - Wrath - já é o sexto da carreira do grupo), mas representam uma geração mais recente e um estilo de heavy metal típico dos anos 2000. Neguinho pode odiar o metalcore à vontade, mas o Lamb of God, além de ser uma das pioneiras da onda, é também uma das mais agressivas, pesadas e verdadeiramente metálicas do subgênero. A música, que foi o primeiro single do já citado último disco, é uma boa a mostra do som da banda - e de como se fazer metalcore popular sem copiar death melódico ou depender de refrãozinho meloso com vocal limpo.
Megadeth - Headcrusher:Uma das duas indicações inevitáveis, evidencia mais uma vez como o thrash está com a corda toda. E, verdade seja dita, Headcrusher é uma bela música, e uma das que melhor demonstra as qualidades do Megadeth atual: trabalho de guitarras impecável, técnico e empolgante dando ao power/thrash da banda um nível de qualidade acima de qualquer suspeita. Nem acho que seria a faixa mais adequada pra concorrer a um Grammy (o Endgame tem coisas mais alinhadas com a fase pós-thrash da banda e que poderia funcionar como faixa mais acessível, tipo 44 minutes, Bite the hand ou Bodies... sei lá), mas a música (primeiro single do álbum) é excelente, provavelmente a melhor da lista.
Ministry - Señor peligro:Com essa, são duas indicações seguidas pro Ministry, que, como o nome do álbum (Adiós... putas madres) sugere, encerrou as atividades em 2008. E também são duas indicações de faixas (re)gravadas ao vivo em um mesmo ano no Grammy, o que é um verdadeiro absurdo! A única coisa que poderia justificar a indicação aqui é 'homenagear' a banda depois do seu fim, mas, sinceramente, o Ministry não fez tanta coisa assim pelo metal pra receber tanta atenção dos caras do Grammy. A música (originalmente de 2006, do álbum Rio Grande blood) é até bem interessante, bem agressiva, quase-thrash, mas nada que justifique uma indicação entre as cinco melhores faixas de metal do ano. Ridículo.
Slayer - Hate worldwide:Mais uma indicação pra lá de óbvia, já que, como revela a sabedoria do ditado popular, Slayer é Slayer. Partindo do princípio que o Grammy não tem conexão nenhuma com o que se faz de novo no metal hoje em dia, é o tipo de indicação inevitável. Além disso, o World painted blood é um bom disco, tão bom quanto pode se esperar do Slayer em 2009. Eu não diria que a Hate worldwide é um dos destaques do CD, já que, apesar de ser boa, tem coisa bem melhor nele (se fosse outra faixa ser capaz de desbancar a Headcrusher e ganhar meu voto), mas... é como se fala por aí, Slayer é Slayer. Sempre válido.
Como eu disse lá em cima, não é a qualidade das bandas que pega aqui, mas sim a seleção das indicações. Porra, num ano que teve disco de estúdio de bandas como Heaven and Hell (que deveria ser uma típica indicação do Grammy), Kreator (tá, essa pode ser meio forçação pros bestalhões que votam), Dream Theater (é 'progressivo' mas é popular pracacete) e Mastodon (certamente a ausência mais surpreendente, já que a banda é bastante popular atualmente) fica difícil entender como os caras foram apelar pra faixas ao vivo! Isso sem contar as milhões de bandas do underground que poderiam facilmente substituir a maioria das indicadas.
Bom... 'e o vencedor?', vocês me perguntam.
Deu Judas Priest na cabeça!Caralho, não sei nem o que pensar sobre isso. Por um lado é um (merecido) prêmio pra uma banda definitiva do heavy metal. É também o primeiro Grammy dos caras, o que acaba funcionando um pouco como 'homenagem pelo conjunto da obra'. Mas, cacete!, o prêmio foi dado na pior das condições, em especial porque no ano passado a banda também foi indicada, só que com uma faixa inédita.
(como desconto, eu vi um show dessa turnê... e a parada foi ultrasinistramentefodapracacaralho, então tudo bem)
Mas confesso que a diversão maior desse Grammy 2010 é pensar em como o Mustaine deve ter ficado emputecidozinho de não faturar o prêmio como sua ex-banda fez no ano passado...

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