Isso mesmo, Peter Steele do Type O Negative, aquela banda que foi a maior febre do cacete nos anos 90. Bloody kisses, October rust etc. e tal. Que bizarro.
Não que eu fosse um grande fã do Type O. Como todos os outros adolescentes de 13 anos da época, eu fiquei enfeitiçado pelo clássico Bloody kisses, que era capaz de seduzir qualquer nerd cheio de espinhas na cara só com a capa, que trazia duas mulheres se beijando. Receita de sucesso fácil, certo?
Mas o fato é que, sob a foto sugestiva, estava um belo álbum, que trazia uma mistura extremamente bem feita de rock gótico com um heavy metal pesadíssimo, lento, de riffs a la Black Sabbath. A natureza sensual da capa combinava perfeitamente com o clima vampiresco das músicas e das vinhetinhas picaretas com mulheres gemendo e coisas igualmente feitas sob medida pra cativar a imaginação nos nerds de plantão.Tranquilamente, um dos elementos mais cativantes da banda era a voz do nosso finado Peter Steele. Um vozeirão grave da porra, dramático, teatral e cheio de trejeitos que elevavam a disposição gótica das músicas a outro patamar. Sinceramente, quem já ouviu o maluco declarando coisas como Jesus Christ looks like me e Loving you was like loving the dead dificilmente esquece.
Além da voz única, o nosso amigo era uma figura emblemática. Tanto que entrou imediatamente pra galeria de celebridades do metal na época. Com seus mais de dois metros de altura, o cara já se destacava naturalmente... somando a isso a postura sensual vampiresca e o corpo saradão, ele se tornou imediatamente um ídolo da mulherada gótica. No clipe da fodaça Black no. 1, ele aparece tocando um imenso contrabaixo, imagem que certamente marcou muito fã de rock pesado na época. O sucesso foi tanto que o maluco posou pra Playgirl em '95!
(eu ia colocar a capa da revista aqui, mas puta que pariu!, a parada era muito gay! aliás, reza a lenda que o cara se arrependeu de ter posado nu depois de descobrir que mais de 70% dos assinantes da revista eram homens)
Enfim, em 96 saiu o álbum seguinte da banda, October rust, que era bacana, mas nessa época em estava em outra (por 'outra' entenda-se power metal ultrafeliz com bumbo duplo incessante e vocalzinho agudo) e não dei muita atenção pro Type O Negative. Depois disso, eu perdi qualquer tipo de relação com a banda, mas cada lançamento dos caras era um acontecimento no mundo do metal, sempre rendendo matérias, resenhas e afins em sites e revistas.Quem confirmou a morte do cara foi o tecladista Josh Silver, companheiro de Type O Negative que era, digamos, a outra metade da alma da banda. Os dois tocaram juntos também no grupo de metal Fallout (que só lançou um single em '81), primeira banda de Steele, que na sequência formou o crossover Carnivore (interessante nem que seja pra ouvir o maluco cantando thrash com sua voz totalmente atípica para o gênero) e depois partiu pra empreitada que o consagraria.
Ou seja, parece que dessa vez ele morreu de verdade (em 2005, rolaram rumores de que ele teria vestido o paletó de madeira, mas era tudo caô, talvez pra ganhar uma popularidade extra). Pelo menos agora a fonte é confiável, né. E lendo a repercussão na internet (gente como Mille Petrozza, Cristina Scabbia e Mikael Åkerfeldt já se manifestou) a coisa parece séria mesmo.
Bom, a única coisa a se fazer é ouvir uns Type O em homenagem ao cara!
O adeus vai ao som de Black, black, black, black number one...


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