Tá certo, no início até que ele mandava bem. O sujeito entrou na banda no segundo disco, Into glory ride, aquele mesmo com a capa mais escrota de todos os tempos. Num sentido estritamente baterístico, esse deve ser o melhor álbum da banda – tem umas faixas em que ele realmente se sobressai (na Gates of Valhalla, por exemplo, ele exibe uma desenvoltura que nunca repetiu nos trabalhos subsequentes). O Sign of the hammer também tem uns bons momentos; na Mountains, por exemplo, ele faz umas coisas interessantes.Mas o fato é que o maluco se acomodou, provavelmente pelo fato de ter o bigode mais irado de todo o mundo do metal, e aos poucos foi se tornando um dos bateristas mais burocráticos e sem imaginação que já se ouviu. Já li umas vezes que isso era mais um resultado da proposta mais simplista que o Manowar adotou a partir do Fighting the world do que por vontade dele – o que é bem possível, já que quem manda naquela porra é o Joey DeMaio e não se fala mais nisso – mas a impressão que dava era de que qualquer baterista podia tocar aquele tum-tá-tum-tá sem graça que ele fazia.
Então qual é a explicação pro cara ter ficado tanto tempo na banda? Além do bigode, claro. Tudo bem, o Manowar pode ser ridículo, mas é uma banda relativamente grande. O que dizem é que o cara era gente boa, tranquilão, o mais normalzinho e pé-no-chão da banda – tá certo que não precisa ser muito normal pra parecer normal perto do Joey DeMaio. Digamos que ele era tipo um Ringo Starr do Manowar, se vocês me permitirem a ousadia que comparar (mesmo que indiretamente) os reis do metal com os Beatles.
Fiquemos nós satisfeitos ou não com essa explicação meio esfarrapada, o fato é que o Scott Columbus era ingrediente essencial do Manowar no imaginário da galera. Como pensar na banda, nas suas poses ridículas, naquelas fotos dos malucos de pantufa e roupinhas de couro etc. sem visualizar logo um bigodão avantajado e corajoso estampando a cara daquele maluco metido a viking mal encarado? Não dá, né? Pro bem ou pro mal, ele era parte do Manowar – deve ser meio estranho ver os shows atuais dos caras, com o baterista original, Donnie Hamzik.Sim, porque nosso amigão Columbus tinha picado a mula da banda em 2008. Talvez ele estivesse de saco cheio de fazer tum-tá-tum-tá-tum-tá por tanto tempo. Ou de repente não aguentou mais ouvir o mesmo discurso picareta pró-metal do Joey DeMaio noite após noite, durante anos. Eu também surtaria, chutava a bateria pra longe e ficava em casa com a esposa bebendo cerveja. Todo mundo tem um limite, né?
Enfim, o fato é que não temos mais Scott Columbus (e seu bigode) entre nós. E isso é motivo de grande tristeza. Pelo menos ele deve estar em Valhalla enchendo o bandulho de cerveja viking e usando seu bigode sedutor pra dar uns pegas em umas valquírias. Pelo menos é nisso que eu gosto de acreditar...
Agora, sabem o que me deixou bolado de verdade? Hoje mais cedo, o Scott Columbus tava na primeira página do Globo.com! Cara, entrar no Globo.com e ver a cara do maluco e seu inapelável bigode em toda a sua glória estampados na primeira página foi muito maneiro! Não é possível que o Manowar tenha ficado tão popular assim. Porra, mas que falta de assunto preocupante, hein...?
Valeu Scott! Piadas à parte, você tocou em dois dos shows mais perfeitos que eu já fui! Foda-se tudo, você era foda! Divirta-se por mim em Valhalla! Beberei uma cerveja em homenagem a você mais tarde!
PS: terá sido esse o post com maior incidência da palavra ‘bigode’ (e variações) de todos os tempos?
