terça-feira, 5 de abril de 2011

Sessão dessa pra melhor: Scott Columbus

Porra, o Scott Columbus morreu! Se isso tivesse acontecido há uns anos, eu teria ficado realmente bolado. Quer dizer, eu fiquei triste, pô, ele tinha um senhor bigode. Faltam no mundo de hoje bigodes tão sem-vergonha quanto aquele cultivado pelo homenageado desse post. Viveríamos em um mundo melhor se assim fosse.

Vamos ser sinceros: o cara nunca foi um baterista genial. Claro que o Joey DeMaio gostava de falar que ele era o melhor baterista de todos os tempos (de todos os tempos), mas, porra, o DeMaio fala que tudo do Manowar é melhor do que todas as outras coisas do universo, quer a comparação faça sentido ou não.

Tá certo, no início até que ele mandava bem. O sujeito entrou na banda no segundo disco, Into glory ride, aquele mesmo com a capa mais escrota de todos os tempos. Num sentido estritamente baterístico, esse deve ser o melhor álbum da banda – tem umas faixas em que ele realmente se sobressai (na Gates of Valhalla, por exemplo, ele exibe uma desenvoltura que nunca repetiu nos trabalhos subsequentes). O Sign of the hammer também tem uns bons momentos; na Mountains, por exemplo, ele faz umas coisas interessantes.

Mas o fato é que o maluco se acomodou, provavelmente pelo fato de ter o bigode mais irado de todo o mundo do metal, e aos poucos foi se tornando um dos bateristas mais burocráticos e sem imaginação que já se ouviu. Já li umas vezes que isso era mais um resultado da proposta mais simplista que o Manowar adotou a partir do Fighting the world do que por vontade dele – o que é bem possível, já que quem manda naquela porra é o Joey DeMaio e não se fala mais nisso – mas a impressão que dava era de que qualquer baterista podia tocar aquele tum-tá-tum-tá sem graça que ele fazia.

O mais bizarro é que ele conseguiu ficar mais burocrático ainda depois de sair e voltar da banda (no The triumph of steel ele foi substituído pelo grosseiro – mas igualmente sem criatividade – Rhino, retornando no Louder than hell). Nos últimos CDs, parecia que o maluco tinha perdido completamente a vontade de tocar qualquer coisa diferente daquele 4x4 mais sem graça que você consegue imaginar.

Então qual é a explicação pro cara ter ficado tanto tempo na banda? Além do bigode, claro. Tudo bem, o Manowar pode ser ridículo, mas é uma banda relativamente grande. O que dizem é que o cara era gente boa, tranquilão, o mais normalzinho e pé-no-chão da banda – tá certo que não precisa ser muito normal pra parecer normal perto do Joey DeMaio. Digamos que ele era tipo um Ringo Starr do Manowar, se vocês me permitirem a ousadia que comparar (mesmo que indiretamente) os reis do metal com os Beatles.

Fiquemos nós satisfeitos ou não com essa explicação meio esfarrapada, o fato é que o Scott Columbus era ingrediente essencial do Manowar no imaginário da galera. Como pensar na banda, nas suas poses ridículas, naquelas fotos dos malucos de pantufa e roupinhas de couro etc. sem visualizar logo um bigodão avantajado e corajoso estampando a cara daquele maluco metido a viking mal encarado? Não dá, né? Pro bem ou pro mal, ele era parte do Manowar – deve ser meio estranho ver os shows atuais dos caras, com o baterista original, Donnie Hamzik.

Sim, porque nosso amigão Columbus tinha picado a mula da banda em 2008. Talvez ele estivesse de saco cheio de fazer tum-tá-tum-tá-tum-tá por tanto tempo. Ou de repente não aguentou mais ouvir o mesmo discurso picareta pró-metal do Joey DeMaio noite após noite, durante anos. Eu também surtaria, chutava a bateria pra longe e ficava em casa com a esposa bebendo cerveja. Todo mundo tem um limite, né?

Enfim, o fato é que não temos mais Scott Columbus (e seu bigode) entre nós. E isso é motivo de grande tristeza. Pelo menos ele deve estar em Valhalla enchendo o bandulho de cerveja viking e usando seu bigode sedutor pra dar uns pegas em umas valquírias. Pelo menos é nisso que eu gosto de acreditar...

(Será que o Dio também foi pra Valhalla? Ele não era metido a viking, era? Acho que o Dio era mais metido a elfo)

Agora, sabem o que me deixou bolado de verdade? Hoje mais cedo, o Scott Columbus tava na primeira página do Globo.com! Cara, entrar no Globo.com e ver a cara do maluco e seu inapelável bigode em toda a sua glória estampados na primeira página foi muito maneiro! Não é possível que o Manowar tenha ficado tão popular assim. Porra, mas que falta de assunto preocupante, hein...?

(Scott Columbus e Monarco... dois caras fodas por motivos completamente diferentes e que eu nunca imaginei que ia ver 'juntos')

Valeu Scott! Piadas à parte, você tocou em dois dos shows mais perfeitos que eu já fui! Foda-se tudo, você era foda! Divirta-se por mim em Valhalla! Beberei uma cerveja em homenagem a você mais tarde!

PS: terá sido esse o post com maior incidência da palavra ‘bigode’ (e variações) de todos os tempos?